Fecho o livro e não me movo do lugar. Algo me prende aquela história. É como se você fosse obrigado a se despedir de alguém que nunca mais verá em sua vida. Você fica ali, olhando, pensando nas palavras que não foram ditas, nos abraços economizados, nos momentos que ainda poderiam acontecer. É uma sensação estranha. Falar de Nihonjin, de Oscar Nakasato, é entrar numa espécie de território emocional onde história e silêncio caminham lado a lado. Não é um romance que grita, ele murmura. E talvez seja nesse murmurar que reside sua força mais perturbadora, sua emoção mais forte, a força que nos impulsiona enlouquecidamente a ler sem parar. A narrativa parece nascer de uma pergunta íntima: o que acontece com a alma de alguém quando o país que lhe deu origem fica do outro lado do oceano? Hideo, o patriarca da trama, carrega em si mesmo um Japão que não existe mais, ou talvez só tenha existido dentro dele. A decisão de imigrar não é apenas o transpor um espaço geográfico separado por...
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