Pular para o conteúdo principal

Postagens

Biblioteca de Stuttgart e o labirinto de Borges

Fernando Pessoa dizia que navegar é preciso. Bem, nem sempre isso é verdade. A navegação pela internet muitas vezes nos leva a lugar nenhum, outras nos coloca frente a frente com verdadeiras joias. E foi assim que eu conheci a Biblioteca de Stuttgart na Alemanha. Criada pelo arquiteto sul coreano Eun Young Yi foi i naugurada em. A biblioteca por fora é um grande cubo branco e por dentro tem um vazio central. É minimalista, silenciosa e hermética. Parece um grande livro em branco. Como um caderno que você irá escrever a sua própria história. Pensando bem, não é nenhum exagero dizer que é exatamente isso que acontece quando entramos em uma biblioteca. Acrescentamos sempre um capítulo a mais para nossas vidas. Ah! Esse vazio interno, essas escadas, esse espaço geométrico no qual o olhar se perde no vazio. Como não pensar em Borges e sua Biblioteca de Babel. Em Borges, a biblioteca é infinita, sufocante e labiríntica. Lá dentro estão todos os livros possíveis, mesmo que os bibliotec...
Postagens recentes

As Redes Humanas

     Acredito que esse tema, daria um bom filme de ficção científica, você não acha? Estamos envolvidos por diversas redes, redes de pensamento, redes sociais, redes energéticas e muitas outras. Incluiria a rede de balanço também, mas essa não vai contar para minha postagem de hoje.  Nós seres humanos vivemos a partir das conexões que fazemos. Nos relacionamos uns com os outros mas também fazemos isso com as coisas, com os animais, com o lugar onde vivemos, com o universo e com cosmos. Fomos criados para viver nessas redes, porque é nelas que aprendemos e crescemos como seres humanos, como pessoas fortes que deveríamos ser no nosso cotidiano.  Tenho pensado bastante sobre esse tema ultimamente. Há uma tendência das pessoas se imaginarem isoladas, buscarem um isolamento banhando-se em suas redes sociais, compartilhando tudo o que eles vêm à cabeça. Fazem isso sem pensar nas consequências, sem levar em consideração o perigo dessa exposição.  Esta sema...

Os Detetives Selvagens

Sabe aquele livro que você lê, mas não sabe o que escrever sobre ele? Não pelo fato de não ter assunto, mas porque você termina a trama e não consegue responder a uma pergunta básica: ─ Gostei da história? Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño pertence a esse grupo de livros. Ele nos convida para dentro de uma época da vida, tempos e atitudes que não combinam muito com minha visão de mundo. É uma história sobre juventude transviada, quase um diário de um adolescente meio sem cabeça, sem rumo, que tem a inquietação da idade, mas extrapola um pouco o ponto entre razoável neste quesito. A princípio, a leitura causa uma sensação de desorientação. Bolaño não entrega uma narrativa linear, confortável, com começo, meio e fim muito bem comportados. A história é construída por diferentes vozes, depoimentos e lembranças, como se estivéssemos folheando um enorme diário coletivo. E talvez seja justamente aí que esteja uma de suas maiores qualidades. Há uma intensidade quase exagerada em...

O Perfume das Flores à Noite

─ O que acontece quando a arte, a solidão e a memória se encontram? Talvez a grande pergunta que permeia toda a trama de O Perfume das Flores à Noite , da escritora franco-marroquina Leïla Slimani seja esta. Antes de falar do livro digo que este foi um dos presentes mais gostosos que recebi, porque quando um escritor fala de si mesmo, como a história da autora, ela também fala um pouquinho de cada um de nós, que tem na escrita um ponto de diálogo com o mundo, com a vida e com os outros. Voltando ao livro. Ele parte de um convite recebido pela escritora para passar uma noite sozinha no museu Punta della Dogana , em Veneza. Inicialmente o convite parecia ser apenas para que a escritora se inspirasse e retorne a sua escrita, mas a surpreende uma maneira bem diferenciada. Slimani transforma essa oportunidade em um mergulho dentro de si mesma e de suas memórias. O museu acaba funcionando como uma extensão da memória de Leïla, onde a cada nova descoberta da arte, a autora também dese...

Os Perigos do Imperador

A história pode ser tão interessante quanto à ficção? Rui Castro nos demonstra isso, quando com suas mãos hábeis nos apresenta uma trama que mescla a história real com fatos criados por sua cabeça privilegiada. Conhecido por suas biografias detalhadas, Rui Castro coloca em Os Perigos do Imperador com seu talento parte de um período interessante do Império com cartas e diários, e cria uma trama golpista que deixa as atuais como simples brincadeiras de crianças malvadas. Que Dom Pedro II foi uma das grandes personalidades deste país ninguém tem dúvida. Apesar de todo o apagamento histórico a que foi submetido, como se o período do Império tenha sido algo danoso à Nação, nosso Imperador resiste a qualquer crítica. Ele era uma pessoa culta que amava o país. Ao longo de sua vida criou varias instituições culturais no Brasil. Acreditou e trouxe os primeiros telefones para   cá. Pedro II falava diversas línguas e traduzia textos clássicos, muitos deles ainda consultados pelos aca...

A Literatura Como Resistência

por Magda Oliveira A vida inspira muitas histórias, ou são elas que inspiram a vida? Trata-se de um dilema antigo que acabo de inventar. Os dilemas se cruzam na minha mente desde a primeira infância, em Curvelo-MG, onde nasci no início dos anos de chumbo da ditadura militar. Ser uma menina criativa naquela ambiência de medo e pânico era sufocante, mas não para mim, para os meus pais e professoras da alfabetização, pois a criatividade não se aprisiona. Em casa me deixavam à solta em muitos metros quadrados do quintal da casa dos meus avós; alguns anos mais tarde, na escola, as composições mais críticas eram lidas apenas pelos olhos das professoras, que riam com o canto da boca e eu as observava com o canto dos olhos.  “Dentro dessa menina tem duas”, dizia a minha avó materna quando me ouvia falando sozinha no meio das inúmeras cenas que eu plantava naquele terreiro, como eram chamados os quintais grandes do interior mineiro. Lembro-me de enfileirar paus e pedrinhas e iniciar o q...

E se faltar ideia?

A pergunta é muito simples, mas envolve momentos de angustia, de incerteza e de sofrimento. A ideia de escrever esta postagem veio exatamente da falta de ideia sobre o que escrever. Já se perguntou de onde vem à inspiração para os escritores e para as sessões de opinião dos grandes jornais e blogs? Passou pela sua cabeça, em algum instante, que aquele escritor amado possa ter sofrido de “falta de ideias” e parado a escrita por um longo período? Pois é, isso acontece e muito. Clarice Lispector, por exemplo, passou um tempo sem ideia nenhuma para escrever, e acabou dedicando o tempo a pintura de quadros enquanto elas (as ideias) não voltavam. É bem assim mesmo. As ideias parecem partir muitas vezes em longas viagens, e precisamos aguardar que elas retornem, de preferência com mais força e conhecimento. Quando escrevo ficção, tenho a sensação que os personagens sentam-se a mesa comigo e vão contando sua história. Dão detalhes da vida, passagens engraçadas, fazem reflexão sobre o o...

Seguidores