Há quem questione o valor da poesia, mas “poetar” é um ato de amor. Quem escreve poesia suaviza o mundo, quem lê acalanta a vida. Há também quem diga que não entende a poesia. Oras Bolas! Poemas não são contas matemáticas ou teoremas físicos que precisam ser compreendidos. Poesia se sente com o coração, com a pele, com a alma. Poesia é para tocar fundo, remexer, fazer chorar, rir, pensar ou nos deixar no ar. Não importa o motivo. O importante da poesia é nos tirar do lugar e nos levar a outros patamares. O ser humano está demasiadamente focado em compreender com a mente, raciocinar, esquadrinhar a vida. E neste contexto perdemos o romantismo da lua, a suavidade do vento, o farfalhar das folhas que balançam firmes nas copas das árvores. Somente as crianças ainda sentem a poesia de chapinhar a poça d´água quando a chuva se vai. Ou se perdem na folha que flutua no ar, em plena resistência a gravidade. Crianças que olham o pássaro na janela, enquanto na carteira escolar repousa uma...
Amanhã é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Por que não falar em Fernando Pessoa? Bem, não vou exatamente falar dele, mas de uma novidade que me deixou muito feliz. A Editora Tinta-da-China Brasil acaba de publicar o “ Antologias mínimas: prosa e poesia” de Fernando Pessoa. Tudo isso organizado pelo expert Jerónimo Pizarro. Os textos são as centenas que Pessoa deixou sem publicar em vida. Eles estão em volumes separados, mas podem ser adquiridos em um kit charmoso. E vamos confessar, quem não gostaria de ter os dois? Em Antologia mínima: poesia você vai encontrar uma seleção dos poemas de Pessoa que ficaram dispersos e ávidos a serem decifrados. Ele não é uma obra fechada, mas um diálogo entre o poeta morto e o leitor, que poderá sentir-se em uma Tabacaria com uma xícara de café e uma conversa rica com Pessoa na qual cada um integra um pouco de seu eu ao eu do outro. Não vou detalhar aqui sobre a edição, as anotações etc do livro. A grande joia, o presente verdade...