Quando o Amor encontra o vento, uma narrativa sensível pode surgir de alguém que se conecta não só com as dificuldades femininas e o papel delas naquela sociedade, mas na sensibilidade que existe em cada mulher, não importa em qual lugar do mundo ela tenha nascido. Ler Balada de Amor ao Vento , de Paulina Chiziane, é como ouvir uma longa confidência feita ao cair da tarde, quando as memórias já não podem ser contidas e precisam encontrar voz. Publicado em 1990, o romance de estreia da autora moçambicana apresenta uma narrativa profundamente humana, na qual amor, sofrimento, tradição e liberdade se entrelaçam de forma delicada e, ao mesmo tempo, contundente. A história é contada por Sarnau, protagonista que revisita sua própria trajetória ao recordar a paixão que viveu por Mwando. Desde as primeiras páginas, o leitor percebe que não está diante de um romance convencional. Embora o amor seja o eixo que movimenta a narrativa, ele funciona também como uma porta de entrada para questões...
“Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João...” Caetano estava repleto de razão ao cantar em verso e sentimentos esta cidade tão heterogênea e diversa que é São Paulo. No entanto, parte dos moradores de São Paulo não conhece bem as belezas escondidas que a cidade oferece. A correria do trabalho, dos afazeres tira o olhar atento ao que está por fora. Mas eu posso dizer “ah, se todas fossem igual a você. Ah! Que coisa mais bela, repleta de graça, recheada de múltiplos caminhos. Hoje, por aqui, descreverei um só. Nada substitui um passeio, quase sensorial de caminhar do Largo do Arouche e atravessar lentamente a Praça da República apreciando o lago, o jardim e aquele ar de antiguidade que hoje já é uma raridade no Brasil. É preciso certa cautela, sem dúvida, mas vale a pena, principalmente se for um sábado ou domingo. Caminhar sem pressa, apenas ir sem destino. Depois seguimos, pode ser pela 24 de maio ou pela Barão de Itapetini...