Há livros que atravessam os séculos porque continuam fazendo perguntas. E há outros que atravessam os séculos justamente porque precisamos continuar perguntando se ainda deveríamos lê-los da mesma maneira. A Megera Domada , de William Shakespeare, pertence às duas categorias. Escrita provavelmente no final do século XVI, a comédia apresenta Catarina, uma jovem de temperamento forte, inteligente, impetuoso e pouco disposta a obedecer às convenções sociais de seu tempo. Ao seu redor, está uma sociedade que parece ter uma solução pronta para mulheres que não se comportam como se espera delas: encontrar alguém que as "domine". É nesse cenário que surge Petrucchio, homem determinado a conquistar Catarina — não exatamente por seu encanto romântico, mas porque acredita ser capaz de transformá-la em uma esposa dócil e obediente. E é justamente aí que começa o nosso desconforto. Porque, quando lemos a peça hoje, é difícil não perceber que aquilo que em outra época podia ser ...
Tenho aprendido cada vez mais com a pintura. Não só as técnicas do lápis de cor, mas lições que podem ser levadas para vida. Colorir significa observar, parar e olhar com atenção detalhes que passam despercebidos no cotidiano. Uma sombra do vidro de açúcar que reflete na toalha da mesa em formas inusitadas, um brilho no nariz do ator da novela que se destaca, o verde quase negro de um conglomerado de árvores no fundo da paisagem. É quando você percebe que a pelagem branca de um cachorro não pode ser representada apenas com os lápis brancos, mas você coloca parte dos cinzas da sua caixa, e quem sabe outras cores, dependendo de onde o pet está. Você olha aquelas pinturas na internet e percebe que alguns artistas estão focados nos detalhes, enquanto outros ainda permanecem naqueles conceitos antigos, quando o lápis de cor era apenas um coadjuvante. Aprendi com o tempo que a qualidade papel importa. Se for liso demais não serve para o lápis de cor, se for rugoso demais vai acabar c...