Há filmes delicados, que nos tocam pelas pausas, pelos processos interiores que cada personagem passa, pela cura e pelos finais que surpreendem por sua simplicidade. Esta semana assisti ao filme “O Tempero da Vida”, dirigido por Mika Kaurismäki, uma produção Finlandesa que me surpreendeu exatamente pela simplicidade com que apresenta as complexidades da vida humana. O Tempero da Vida conta a história de Cheng e seu filho, que após a trágica morte de sua esposa viaja para a Finlândia em busca de um velho amigo que conheceu em Xangai e que foi uma peça chave na vida dele. Ao chegar à pequena cidade, Cheng não consegue encontrar o tal amigo, uma pessoa que ele mal sabe pronunciar o nome, e se vê em uma situação inesperada. Cheng é ajudado pela dona de um pequeno restaurante local, e em troca da gentileza, auxiliar Sirka(a dona do restaurante) quando ela se vê frente a frente com um grupo de turistas chineses. Cheng é cozinheiro, e vai aos poucos introduzindo a culinária chinesa ...
Quando o Amor encontra o vento, uma narrativa sensível pode surgir de alguém que se conecta não só com as dificuldades femininas e o papel delas naquela sociedade, mas na sensibilidade que existe em cada mulher, não importa em qual lugar do mundo ela tenha nascido. Ler Balada de Amor ao Vento , de Paulina Chiziane, é como ouvir uma longa confidência feita ao cair da tarde, quando as memórias já não podem ser contidas e precisam encontrar voz. Publicado em 1990, o romance de estreia da autora moçambicana apresenta uma narrativa profundamente humana, na qual amor, sofrimento, tradição e liberdade se entrelaçam de forma delicada e, ao mesmo tempo, contundente. A história é contada por Sarnau, protagonista que revisita sua própria trajetória ao recordar a paixão que viveu por Mwando. Desde as primeiras páginas, o leitor percebe que não está diante de um romance convencional. Embora o amor seja o eixo que movimenta a narrativa, ele funciona também como uma porta de entrada para questões...