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Terapia Literária

  por Fernando Adas A Literatura e a Psicologia compartilham uma curiosidade antiga: ambas querem saber o que fazemos com aquilo que nos acontece. A diferença é que a Psicologia escuta o sujeito em sua singularidade, enquanto a Literatura nos oferece personagens que, embora fictícios, carregam verdades profundamente humanas. Freud já buscava em escritores como William Shakespeare e Fiódor Dostoiévski elementos que ajudavam a compreender conflitos psíquicos. Não por acaso. Muitas vezes, a Literatura chega primeiro onde os conceitos ainda não alcançaram. Ela descreve o amor antes que ele seja teorizado, a perda antes que ela receba um diagnóstico, a angústia antes que encontre um nome. No mundo contemporâneo, marcado por mudanças rápidas e identidades cada vez menos previsíveis, a Literatura oferece algo precioso: a possibilidade de experimentar outras vidas sem abandonar a própria. Ao ler, ampliamos nosso repertório de existência. Descobrimos que nossos impasses não são exclus...
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O Tempero da Vida

Há filmes delicados, que nos tocam pelas pausas, pelos processos interiores que cada personagem passa, pela cura e pelos finais que surpreendem por sua simplicidade. Esta semana assisti ao filme “O Tempero da Vida”, dirigido por Mika Kaurismäki, uma produção Finlandesa que me surpreendeu exatamente pela simplicidade com que apresenta as complexidades da vida humana. O Tempero da Vida conta a história de Cheng e seu filho, que após a trágica morte de sua esposa viaja para a Finlândia em busca de um velho amigo que conheceu em Xangai e que foi uma peça chave na vida dele. Ao chegar à pequena cidade, Cheng não consegue encontrar o tal amigo, uma pessoa que ele mal sabe pronunciar o nome, e se vê em uma situação inesperada. Cheng é ajudado pela dona de um pequeno restaurante local, e em troca da gentileza, auxiliar Sirka(a dona do restaurante) quando ela se vê frente a frente com um grupo de turistas chineses. Cheng é cozinheiro, e vai aos poucos introduzindo a culinária chinesa ...

Balada de Amor ao Vento

Quando o Amor encontra o vento, uma narrativa sensível pode surgir de alguém que se conecta não só com as dificuldades femininas e o papel delas naquela sociedade, mas na sensibilidade que existe em cada mulher, não importa em qual lugar do mundo ela tenha nascido. Ler Balada de Amor ao Vento , de Paulina Chiziane, é como ouvir uma longa confidência feita ao cair da tarde, quando as memórias já não podem ser contidas e precisam encontrar voz. Publicado em 1990, o romance de estreia da autora moçambicana apresenta uma narrativa profundamente humana, na qual amor, sofrimento, tradição e liberdade se entrelaçam de forma delicada e, ao mesmo tempo, contundente. A história é contada por Sarnau, protagonista que revisita sua própria trajetória ao recordar a paixão que viveu por Mwando. Desde as primeiras páginas, o leitor percebe que não está diante de um romance convencional. Embora o amor seja o eixo que movimenta a narrativa, ele funciona também como uma porta de entrada para questões...

Em São Paulo bate um coração apressado

“Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João...” Caetano estava repleto de razão ao cantar em verso e sentimentos esta cidade tão heterogênea e diversa que é São Paulo. No entanto, parte dos moradores de São Paulo não conhece bem as belezas escondidas que a cidade oferece. A correria do trabalho, dos afazeres tira o olhar atento ao que está por fora. Mas eu posso dizer “ah, se todas fossem igual a você. Ah! Que coisa mais bela, repleta de graça, recheada de múltiplos caminhos. Hoje, por aqui, descreverei um só. Nada substitui um passeio, quase sensorial de caminhar do Largo do Arouche e atravessar lentamente a Praça da República apreciando o lago, o jardim e aquele ar de antiguidade que hoje já é uma raridade no Brasil. É preciso certa cautela, sem dúvida,   mas vale a pena, principalmente se for um sábado ou domingo. Caminhar sem pressa, apenas ir sem destino. Depois seguimos, pode ser pela 24 de maio ou pela Barão de Itapetini...

A importância da literatura na minha vida

por Cloris Peres Surgiu por ocasião da escolha da minha profissão, eu mal tinha terminado o ensino médio, já me perguntava – qual seria a profissão que eu abraçaria no futuro? Um dilema na vida de todo estudante, que se sente indeciso para escolher um bom curso de nível superior, e no futuro se tornar um profissional qualificado na sua área de atuação.   Me recordo de ter optado por comunicação social, porque sempre fui muito curiosa, e também porque era uma forma de me manter informada dos fatos ocorridos na minha cidade e no mundo, fosse ouvindo noticiário, ou lendo um jornal diário. Exerci a profissão de repórter durante anos, diga-se de passagem, eu amava o que fazia, sabia a diferença entre informar e opinar, aprendi a ouvir, a checar, a cortar o que não cabia no espaço da página, o jornalismo sempre foi meu ofício. Mais tarde, senti necessidade de me tornar uma profissional mais qualificada, enveredei na área da publicidade e propaganda. A criação e a divulgação das...

Ouse ser diferente

Tem uma hora na vida das pessoas que elas precisam parar e refletir sobre si mesmas, o que fazem e onde desejam ir. São momentos de reflexão profundos, angustiantes e cheio de perguntas e na maioria das vezes, vazio de respostas imediatas e fáceis. Nestes momentos muitas vezes descobrimos que precisamos de um desafio bem grande, para fazer o marco entre o que éramos e o que queremos ser. É nessas horas que as pessoas se determinam a fazer coisas que irão mudar suas vidas como trocar radicalmente de profissão, correr a São Silvestre, escalar o Himalaia, atravessar o Canal da Mancha, mudar de país, largar o emprego, fazer um curso de gastronomia, sei lá, coisas que nos transformam radicalmente. É muito importante este processo. A determinação de vencer que adquirimos ao adotar um projeto desafiador promove transformações profundas em nosso ser. Ele nos tira do espaço estruturado finito que nos encontramos para nos relacionar com outros espaços, que despertará outros pensamentos, outr...

Convidados Prosa Mágica

Há tempos queria reiniciar uma série de publicações que contava com a colaboração de outros autores, jornalistas e pessoas comuns que estão conectadas com a literatura. Finalmente esse dia chegou. Inicio esta série com Ivan Hegen, que nos leva a refletir sobre a conexão entre a arte e as palavras. Algo que me encanta e que está presente na vida de muitos escritores. Espero que vocês gostem da série. Entre o cavalete e o pergaminho Ivan Hegen* Quando falamos mais de um idioma, percebemos com mais nitidez a arbitrariedade da relação entre significado e significante. Ao deslizar de uma língua para outra, constatamos a fragilidade com que tentamos, através das palavras, corresponder à realidade. A distância entre idiomas evidencia que não há jamais encaixe perfeito entre o referente e suas convenções linguísticas. Tal percepção pode ser ainda mais aguçada na mente de criadores que manejam duas expressões artísticas, ...

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