Eu estava devendo esta leitura. Quem me conhece bem sabe que deixo passar um pouco as leituras viralizadas para somente depois ler e refletir sobre elas. Tudo é Rio fez parte desta turma. Durante todo o percurso da obra tive a impressão que Carla Madeira nos fazia uma pergunta: ─ Até onde conseguimos compreender alguém sem necessariamente justificar aquilo que essa pessoa fez? Creio que é difícil responder isso, mas vou começar esta resenha do princípio, daquilo que faz a escrita da autora nos envolver. Uma das características mais marcantes é que a linguagem não está apenas contando a história: ela participa emocionalmente dela. Há uma espécie de musicalidade na prosa de Carla que nos apresenta frases que parecem pequenas imagens poéticas. Mas essa delicadeza convive com situações extremamente brutais. É importante dizer isso porque a autora não utiliza uma linguagem realista convencional para narrar a violência. Ela cria uma espécie de contraste: quanto mais brutal é deter...
E se a sua mãe pudesse ter sido aquilo que você consegue imaginar que seria uma vida ideal para ela. Como seria essa biografia imaginária? Violeta, a protagonista do livro de Isabel Allende é a vida imaginária da mãe da escritora. Possui as mesmas características físicas, intelectuais e emocionais, mas apesar de todos os seus talentos, não teve uma vida autônoma. A vida que Allende desejaria para ela. Violeta é memória em forma de ficção, um livro tão envolvente e emotivo que você precisa parar para repor o folego, para conter as emoções que jorram como fontes de sentimentos. Allende consegue extrair o mais profundo de nós. A história começa em 1920, ano de nascimento de Violeta, em meio a pandemia de gripe espanhola. E, até sua morte com cem anos, a personagem vive todos os grandes acontecimentos mundiais como a Grande Depressão, a luta pelo direito das mulheres, as transformações dos costumes, as consequências da primeira guerra e a segunda guerra mundial, as ditaduras na Améri...