Há tempos queria reiniciar uma série de publicações que contava com a colaboração de outros autores, jornalistas e pessoas comuns que estão conectadas com a literatura. Finalmente esse dia chegou. Inicio esta série com Ivan Hegen, que nos leva a refletir sobre a conexão entre a arte e as palavras. Algo que me encanta e que está presente na vida de muitos escritores. Espero que vocês gostem da série. Entre o cavalete e o pergaminho Ivan Hegen* Quando falamos mais de um idioma, percebemos com mais nitidez a arbitrariedade da relação entre significado e significante. Ao deslizar de uma língua para outra, constatamos a fragilidade com que tentamos, através das palavras, corresponder à realidade. A distância entre idiomas evidencia que não há jamais encaixe perfeito entre o referente e suas convenções linguísticas. Tal percepção pode ser ainda mais aguçada na mente de criadores que manejam duas expressões artísticas, ...
Se você gosta de ler já deve ter ouvido falar no conceito de biblioteca de Umberto Eco. Aquela história que uma biblioteca pessoal deve ter muito mais livros não lidos, que os já lidos. A minha não chega a isso, mas tenho alguns exemplares que ainda não foram lidos, dentre eles estava “Adeus, China”. Estava lá, quietinho na estante. Nem tinha sido uma escolha minha no momento da compra. Dentro dele repousava um marcador novinho, de uma livraria que não mais existe: a Cultura. Semana passada estava sem nada para ler, olhei minha estante e pensei ─ Por que não? Peguei o livro e não parei mais de ler. Sensacional. O autor Li Cunxin é um bailarino de origem chinesa, que conta sua trajetória de vida que saiu da extrema pobreza em uma vila em Qingdao e viveu um sonho (não planejado) de ser um dos maiores e mais respeitados bailarinos de sua época. O texto fluido, as histórias que nos emocionam, a garra e a coragem dele nos leva a uma viagem na qual o final da trama é o que menos inte...