Eu poderia muito bem começar esta resenha da seguinte forma: Homem solitário encontra mulher, convive com ela por quatro noites não consecutivas, se apaixona e ao final fica sozinho, pois ela prefere o amor pela qual chorava no inicio dos encontros. Talvez uma plataforma de streaming resumisse assim a trama. Seria um total reducionismo da obra. Noites Brancas pode ser considerada um laboratório literário de Dostoiévski, nas quais já aparecem os elementos que serão fundamentais em sua obra como a solidão, o isolamento, a fantasia, a necessidade de afeto, a dificuldade de viver em um mundo real, e o eterno conflito entre o que imaginamos e o que realmente vivemos. Neste livro, escrito em 1848, Dostoiévski ainda não é o escritor sombrio, filosófico e atormentado pela maturidade, mas já desponta a sua tentativa de entrar na mente humana de pessoas comuns, que possuem seus dramas e seus sonhos que encontraremos em obras futuras. É interessante lembrar que Noites Brancas fecha um ciclo...
Fernando Pessoa dizia que navegar é preciso. Bem, nem sempre isso é verdade. A navegação pela internet muitas vezes nos leva a lugar nenhum, outras nos coloca frente a frente com verdadeiras joias. E foi assim que eu conheci a Biblioteca de Stuttgart na Alemanha. Criada pelo arquiteto sul coreano Eun Young Yi foi i naugurada em. A biblioteca por fora é um grande cubo branco e por dentro tem um vazio central. É minimalista, silenciosa e hermética. Parece um grande livro em branco. Como um caderno que você irá escrever a sua própria história. Pensando bem, não é nenhum exagero dizer que é exatamente isso que acontece quando entramos em uma biblioteca. Acrescentamos sempre um capítulo a mais para nossas vidas. Ah! Esse vazio interno, essas escadas, esse espaço geométrico no qual o olhar se perde no vazio. Como não pensar em Borges e sua Biblioteca de Babel. Em Borges, a biblioteca é infinita, sufocante e labiríntica. Lá dentro estão todos os livros possíveis, mesmo que os bibliotec...