por Magda Oliveira A vida inspira muitas histórias, ou são elas que inspiram a vida? Trata-se de um dilema antigo que acabo de inventar. Os dilemas se cruzam na minha mente desde a primeira infância, em Curvelo-MG, onde nasci no início dos anos de chumbo da ditadura militar. Ser uma menina criativa naquela ambiência de medo e pânico era sufocante, mas não para mim, para os meus pais e professoras da alfabetização, pois a criatividade não se aprisiona. Em casa me deixavam à solta em muitos metros quadrados do quintal da casa dos meus avós; alguns anos mais tarde, na escola, as composições mais críticas eram lidas apenas pelos olhos das professoras, que riam com o canto da boca e eu as observava com o canto dos olhos. “Dentro dessa menina tem duas”, dizia a minha avó materna quando me ouvia falando sozinha no meio das inúmeras cenas que eu plantava naquele terreiro, como eram chamados os quintais grandes do interior mineiro. Lembro-me de enfileirar paus e pedrinhas e iniciar o q...
A pergunta é muito simples, mas envolve momentos de angustia, de incerteza e de sofrimento. A ideia de escrever esta postagem veio exatamente da falta de ideia sobre o que escrever. Já se perguntou de onde vem à inspiração para os escritores e para as sessões de opinião dos grandes jornais e blogs? Passou pela sua cabeça, em algum instante, que aquele escritor amado possa ter sofrido de “falta de ideias” e parado a escrita por um longo período? Pois é, isso acontece e muito. Clarice Lispector, por exemplo, passou um tempo sem ideia nenhuma para escrever, e acabou dedicando o tempo a pintura de quadros enquanto elas (as ideias) não voltavam. É bem assim mesmo. As ideias parecem partir muitas vezes em longas viagens, e precisamos aguardar que elas retornem, de preferência com mais força e conhecimento. Quando escrevo ficção, tenho a sensação que os personagens sentam-se a mesa comigo e vão contando sua história. Dão detalhes da vida, passagens engraçadas, fazem reflexão sobre o o...