Fecho o livro e não me movo do lugar. Algo me prende aquela história. É como se você fosse obrigado a se despedir de alguém que nunca mais verá em sua vida. Você fica ali, olhando, pensando nas palavras que não foram ditas, nos abraços economizados, nos momentos que ainda poderiam acontecer. É uma sensação estranha. Falar de Nihonjin, de Oscar Nakasato, é entrar numa espécie de território emocional onde história e silêncio caminham lado a lado. Não é um romance que grita, ele murmura. E talvez seja nesse murmurar que reside sua força mais perturbadora, sua emoção mais forte, a força que nos impulsiona enlouquecidamente a ler sem parar. A narrativa parece nascer de uma pergunta íntima: o que acontece com a alma de alguém quando o país que lhe deu origem fica do outro lado do oceano? Hideo, o patriarca da trama, carrega em si mesmo um Japão que não existe mais, ou talvez só tenha existido dentro dele. A decisão de imigrar não é apenas o transpor um espaço geográfico separado por...
O Mundo de Sofia é uma história daquelas que se contam a beira de uma fogueira, em um lugar cercado de arvores em uma noite estrelada. Jostein Gaarder utiliza-se de um recurso milenar para ensinar. Quantas histórias, comportamentos e ensinamentos foram transmitidos através de fábulas e histórias que eram contadas de pais para filhos, de geração a geração entre as tribos e aglomerados humanos? O ponto alto do livro é o capítulo sobre Freud, porque ele justifica todo o enredo, principalmente quando entra no inconsciente. Aos poucos vamos descobrindo que estamos lendo um livro dentro de um livro, que também pode ter mais uma camada de leitura. Quando o autor nos apresenta o mundo paralelo, ele homenageia os escritores e a criatividade. De onde vêm os personagens que os escritores “criam”? Para onde vão depois que a última página é lida? Escritores são aprisionadores de personagens, ou eles conseguem escapar do olhar oniciente deles? É lindo, e como escritora, amei esta refl...