E se a sua mãe pudesse ter sido aquilo que você consegue imaginar que seria uma vida ideal para ela. Como seria essa biografia imaginária? Violeta, a protagonista do livro de Isabel Allende é a vida imaginária da mãe da escritora. Possui as mesmas características físicas, intelectuais e emocionais, mas apesar de todos os seus talentos, não teve uma vida autônoma. A vida que Allende desejaria para ela. Violeta é memória em forma de ficção, um livro tão envolvente e emotivo que você precisa parar para repor o folego, para conter as emoções que jorram como fontes de sentimentos. Allende consegue extrair o mais profundo de nós. A história começa em 1920, ano de nascimento de Violeta, em meio a pandemia de gripe espanhola. E, até sua morte com cem anos, a personagem vive todos os grandes acontecimentos mundiais como a Grande Depressão, a luta pelo direito das mulheres, as transformações dos costumes, as consequências da primeira guerra e a segunda guerra mundial, as ditaduras na Améri...
Eu poderia muito bem começar esta resenha da seguinte forma: Homem solitário encontra mulher, convive com ela por quatro noites não consecutivas, se apaixona e ao final fica sozinho, pois ela prefere o amor pela qual chorava no inicio dos encontros. Talvez uma plataforma de streaming resumisse assim a trama. Seria um total reducionismo da obra. Noites Brancas pode ser considerada um laboratório literário de Dostoiévski, nas quais já aparecem os elementos que serão fundamentais em sua obra como a solidão, o isolamento, a fantasia, a necessidade de afeto, a dificuldade de viver em um mundo real, e o eterno conflito entre o que imaginamos e o que realmente vivemos. Neste livro, escrito em 1848, Dostoiévski ainda não é o escritor sombrio, filosófico e atormentado pela maturidade, mas já desponta a sua tentativa de entrar na mente humana de pessoas comuns, que possuem seus dramas e seus sonhos que encontraremos em obras futuras. É interessante lembrar que Noites Brancas fecha um ciclo...