Na década de 70 uma campanha publicitária balançou o Brasil, ela pedia para que as pessoas se mexessem. Era um convite ao exercício físico. O país, aos poucos, foi se conscientizando da necessidade de sair do sedentarismo e usufruir dos benefícios que a atividade física proporciona. Hoje, mais do que nunca, precisamos retomar a campanha, mas desta vez o “mexer-se” fica por conta do cérebro. Até a década de 2010, mais ou menos, o QI das pessoas vinha em pleno crescimento. O cérebro era estimulado por uma série de fatores que passavam pela saúde, pelo crescimento das oportunidades de estudo e também pela interação que tinham com familiares e amigos. Nosso cérebro tinha exercício diário para se desenvolver. Então veio o smartphone e uma determinada rede social, e aos poucos outras tomaram conta do nosso dia a dia. Trocamos a leitura de algumas páginas, por um rolar incessante da tela do celular. Lemos qualquer coisa em qualquer perfil, e nos esquecemos de ler as sessões de opi...
por Fernando Adas A Literatura e a Psicologia compartilham uma curiosidade antiga: ambas querem saber o que fazemos com aquilo que nos acontece. A diferença é que a Psicologia escuta o sujeito em sua singularidade, enquanto a Literatura nos oferece personagens que, embora fictícios, carregam verdades profundamente humanas. Freud já buscava em escritores como William Shakespeare e Fiódor Dostoiévski elementos que ajudavam a compreender conflitos psíquicos. Não por acaso. Muitas vezes, a Literatura chega primeiro onde os conceitos ainda não alcançaram. Ela descreve o amor antes que ele seja teorizado, a perda antes que ela receba um diagnóstico, a angústia antes que encontre um nome. No mundo contemporâneo, marcado por mudanças rápidas e identidades cada vez menos previsíveis, a Literatura oferece algo precioso: a possibilidade de experimentar outras vidas sem abandonar a própria. Ao ler, ampliamos nosso repertório de existência. Descobrimos que nossos impasses não são exclus...