Se você gosta de ler já deve ter ouvido falar no conceito de biblioteca de Umberto Eco. Aquela história que uma biblioteca pessoal deve ter muito mais livros não lidos, que os já lidos. A minha não chega a isso, mas tenho alguns exemplares que ainda não foram lidos, dentre eles estava “Adeus, China”. Estava lá, quietinho na estante. Nem tinha sido uma escolha minha no momento da compra. Dentro dele repousava um marcador novinho, de uma livraria que não mais existe: a Cultura. Semana passada estava sem nada para ler, olhei minha estante e pensei ─ Por que não? Peguei o livro e não parei mais de ler. Sensacional. O autor Li Cunxin é um bailarino de origem chinesa, que conta sua trajetória de vida que saiu da extrema pobreza em uma vila em Qingdao e viveu um sonho (não planejado) de ser um dos maiores e mais respeitados bailarinos de sua época. O texto fluido, as histórias que nos emocionam, a garra e a coragem dele nos leva a uma viagem na qual o final da trama é o que menos inte...
Vez ou outra a pausa se faz. Seja por um momento, por algumas horas. Vem por um suspiro, uma coxinha, uma maritaca latindo no galho da árvore de Santa Barbara. A vida pede a pausa, o sossego, o momento a sós em um ato de intimidade, mesmo que naquele momento você esteja cercada de uma multidão. A pausa existe na música, representada quase sempre por um suspiro, um suprimir de ar, às vezes longo, às vezes breve. Mesmo diante da brevidade, ela faz uma diferença enorme na vida daquela partitura. A pausa da dança que salta com o instante que precede o respiro. É breve o momento que, após o port de bras belo e suave, as mãos relaxam para na sequência girarem em um pirouette ou em um frenético fouetté. Pausa que soa como vírgulas. Ah! Quem dera o texto-vida repleto de vírgulas, de momentos de respiro, de alívio: E ela sentou (vírgula) pegou a xícara e sorveu o café (vírgula), olhou o papel amassado ao lado do pires (vírgula) e num respiro sorriu para os problemas. Xícara...