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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

Cada vez mais forte. Crescendo.

Como em uma música, o livro Crescendo - um termo italiano da notação musical que significa cada vez mais forte – Becca Fitzpatrick orquestra de maneira magnífica o enredo de seu segundo livro. Quem leu o primeiro da série “ Sussurros ” sabe que a autora tem uma forma de escrever que tira o fôlego e induz a uma leitura contínua, quase sem respiração. Um texto intrincado e ao mesmo tempo fácil. Como o próprio título do livro diz, a trama entre Nora e Patch vai se tornando cada vez mais forte, mais intensa e a autora nos prepara uma surpresa a cada capítulo. Mas é bom que o leitor não pense que tudo é fácil. Nora, a nossa protagonista, tem o poder de nos deixar irritados a cada punhado de páginas. Ela está cada vez mais “cabeça dura”, cada vez mais ciumenta e por que não dizer, cega. Em Sussurros, Patch abre mão da possibilidade de se tornar humano para salvar Nora – e isso não é pouco, levando-se em consideração que ele foi criado no principio dos tempos como Anjo, teve suas asas arranca

Uma grande metáfora chamada Cisne Negro

-contem spoilers - O Lago dos Cisnes é um clássico do ballet, cobiçado por toda a bailarina. Odete e Odile são dois personagens que exigem um virtuosismo tão grande que rouba parte da alma da bailarina para transformá-la no cisne branco ou no cisne negro. O diretor Darren Aronofsky, com a sensibilidade de um virtuose, levou este desejo e a ambigüidade às últimas consequências. Cisne Negro é muito mais que um filme sobre ballet, é a história desnudada do mundo de competição entre mães, cujas filhas estudam dança; uma alusão as suas frustrações que acabam deteriorando a estrutura das meninas. O filme fala também da dualidade entre bem e mal, luz e trevas que a personagem principal Nina vive. Atormentada pelo sufocamento que sua mãe, uma ex-bailarina frustrada, exerce sobre ela e vivendo a pressão do diretor da companhia que a convida para ser a “prima ballerina” do mais cobiçado ballet em uma remontagem que exigirá dela desempenhar dois papeis opostos, Nina acaba se esfacelando em duas

Pequenas considerações sobre o prazer de escrever e ler.

Escrever é fácil. Você começa com maiúscula e... sente um vazio existencial depois. Parodiando o grande poeta Pablo Neruda, que por sinal escrevia com maestria, escrever não é tão fácil assim e sabe por quê? Trata-se de um ato absolutamente humano, e como tudo que se refere a nós, tem as influências do humor, da vontade, dos hormônios e da conta bancária, se me permitem dizer isso. Esqueci de dizer que as nossas antigas professoras de português, muitas vezes, são também responsáveis por este vazio (Aprender português é importantíssimo e necessário, sem ele não atingimos a escrita). Aprendemos na escola que devemos escrever tudo muito certinho, todos os pontos nos seus lugares, todos os acentos devidamente vestidos e, sobretudo, muita oração em ordem direta, o que convenhamos, tira boa parte do charme da escrita. O escritor, aquele que ama realmente a escrita, deleta de seu português todas as regras, todas as restrições, todas as métricas que aprisionam. Ele escreve, muito, sente um pra