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Mostrando postagens de Novembro, 2011

Antídoto para a falta de inspiração

Às vezes nos esquecemos que para compreender a genialidade literária de um povo é necessário muito mais que a leitura de suas obras, mas a compreensão de sua história. Com a Literatura Inglesa não seria muito diferente. Estamos tão habituados a ler Shakespeare, Charles Dickens, J.K.Rowling, J.R.R.Tolkien, só para resumir a longa de lista de grandes escritores, que dificilmente nos perguntamos de onde vem tanta inspiração. Estou em uma fase de pesquisas para o meu próximo livro, e isso inclui muita leitura da história. Pois bem, descobri recentemente uma belíssima publicação chamada “Uma história dos povos de língua inglesa”, de autoria do fabuloso Prêmio Nobel, Winston S. Churchill. Não vou me alongar sobre livro e autor por que o farei em um post após terminar a leitura deste livro. O fato, no entanto, é que lendo toda a primeira parte da obra, não pude deixar de fazer isto revendo mentalmente cena a cena do épico O Senhor dos Anéis. A invasão romana, insistente, que chegou a levar el

A Lebre com Olhos de Âmbar

Há formas e formas de se estudar uma época. Os livros de história tradicionais nos levam de volta aos bancos escolares, com o maior crime que se pode cometer: - achar que se conhece história por que decorou datas. Há ainda uma forma bem mais inteligente e instigante que nos leva a uma viagem através dos olhos de uma família ou da sociedade. Edmund de Wall, um ceramista consagrado, nos leva a segunda forma de entender a história através das páginas de A Lebre com Olhos de Âmbar (Ed. Intrínseca). Inteligente, instigante, fascinante, Wall nos conduz pela Paris do final do século XIX, por Viena, Tókio e Londres sob os olhos de seus familiares: - os Ephrussi. 264 miniaturas japonesas – netsuquês -, esculpidas em marfim e madeira, herdadas de seu tio-avô são o leitmotif da história. No entanto, o que poderia ter sido apenas um amontoado de relatos monótonos sobre a coleção se expande de forma brilhante em uma história que nos leva a uma Paris pululante de artistas, mas recheada de preconceit

Capas de Livros como objeto do desejo

- Você escolhe livros pela capa? - Se a sua resposta é não, pode ter a certeza que já fez isso muitas vezes e nem percebeu. As capas, muito mais que eficientes ferramentas da comunicação e do marketing, tornam-se a cada dia um complemento da história, uma introdução ao que será lido internamente ou então, uma peça chave. Boa parte dos livros traduzidos é publicada com suas capas originais. Já ouvi questionamentos que isto seria uma medida econômica. Particularmente não acredito, mas o fato é que estas capas tão elaboradas e artísticas tornam as estantes e displays de livrarias muito mais charmosos e elegantes. Muitas vezes dá vontade de comprar um livro só pela capa. Já fiz isto, obviamente li a orelha antes para ver do que se tratava, e em todas, sem exceção fui presenteada com uma bela surpresa. Fiz isto com Jonathan Strange & Mr Norrell, da escritora inglesa Susanna Clarke – o primeiro livro a ter duas capas ao gosto do leitor – e o conteúdo é simplesmente inebriante. Uma hi

Leitura em tempo real

Em tempos virtuais, no qual nenhum lugar é longe demais, ou remoto ao extremo para estar conectado com o mundo, um tema como “leitura em tempo real” pode facilmente nos remeter a um conceito errado do termo. Eu digo errado por que até hoje não conheci alguém, ou tecnologia, que transmita simultaneamente o que estou escrevendo para outro leitor acompanhar letra a letra, ponto a ponto, delete a delete. (excluído os famosos GCs) Quando falo em leitura em tempo real, estou me referindo a proposta feita pela autora Deborah Harkness, em meados de setembro, através de sua página no facebook, aos seus leitores e admiradores: - Que tal ler o livro A Descoberta das Bruxas nos dias exatos em que a história acontece? E fazer isso significava abdicar da voracidade de leitor, para adotar uma postura mais atenta, mais lenta, que em algumas datas nos fez se contentar com um único capítulo do livro. Para quem não sabe, a trama do livro se passa em 40 dias que ocorrem entre o dias 18 de setembro e 1 de

Ingleses se reúnem para contar histórias

Quem imagina que contar histórias é um ato que precisa de ritual, uma fogueira, noite de lua cheia e um grupo de adolescentes no acampamento de férias, engana-se. Em Londres, assim como em outras cidades da Inglaterra é moda as pessoas reunirem-se em pubs, uma vez por mês, para contarem histórias reais, que levarão a platéia da gargalhada ao pranto. O True Stories Told Live é um evento gratuito, que ocorre uma vez por mês. Cinco pessoas, já pré-inscritas, sobem em um palco e contam em dez minutos uma história real que aconteceu em suas vidas, ou na de algum conhecido. A prioridade na hora da inscrição é sempre dos novatos. Todo mundo gosta de uma história bem contato, alias, esta é a única afirmação que pode ser dita sem medo de estar errando. Contar histórias esta presente na vida do ser humano desde os primórdios da humanidade, e acompanha sua jornada desde a infância. As pessoas contam histórias em uma mesa de bar, no jantar de família, na pausa para o café durante o trabalho, entã