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20 de jul de 2017

O Hobbit

Autor:  J.R.R. Tolkien
Tradutor: Lenita Maria Rimoli Esteves
Editora: Martins Fontes
Número de páginas: 304
Avaliação do Prosa Mágica:  10


“O mundo está dividido entre aqueles que já leram “O Hobbit” e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram.” Disse o The Sunday Times. Impossível não concordar com ele.

Na prática quem me apresentou a obra de Tolkien foi o cinema, em uma experiência não muito agradável. A primeira vez que ouvi falar de O Senhor dos Anéis foi no lançamento do filme aqui no Brasil. A história me pareceu interessante e fui assistir logo que saiu. No entanto, confesso que não hora não gostei. O excesso de Orcs e outros bichos brigando, gritando foi uma experiência mais incomoda que agradável. No entanto, tempos depois, recebo de presente de minha tia o exemplar com a obra completa, e depois de um longo período olhando para aquelas mil e poucas páginas, começo a ler. Foi ai que a magia do autor explodiu em mil facetas. Um encantamento que me fez completar a leitura em 10 dias. Foi outra experiência, e confesso que fiquei ansiosamente esperando para assistir os três filmes. Quando acabou me senti órfã.
Passou-se um tempo, exemplares de O Hobbit brotavam nas livrarias. Um mais bonito que o outro. O filme estava chegando, e a editora aproveitou para relançar o livro. Sorte nossa como leitor. Como leitora compulsiva, comprei O Hobbit e ele habitou minha estante, por algum tempo, sem que eu lesse uma única página.
Recentemente, impulsionada pela leitura de Bewoulf (na tradução de Tolkien) finalmente O Hobbit saiu da estante para que me apaixonasse mais ainda pela obra do autor.
O Hobbit, para quem não conhece, é a história de Bilbo Bolseiro quando jovem. Até então, ele era alguém calmo cuja única aventura era fumar seu cachimbo e fazer bolinhas de fumaça. É quando entra em sua vida o mago Gandalf e os anões da companhia de Thorin que irão levar Bilbo a uma expedição repleta de aventuras e perigos, para um encontro com o dragão Smaug que roubou o tesouro dos anões e o guarda com avidez na Montanha Solitária.
Um enredo simples, mas que nas mãos de Tolkien se transformaram em uma obra prima.
Se me permitem, vou comparar o livro com o filme, consciente de que se tratam de duas matrizes de linguagem diferentes, e portanto são duas obras distintas que se complementam em alguns pontos.
Vou colocar meu foco principal em Bilbo, que no livro é bem mais discreto e profundo. Um herói que não se enxerga como um deles. Alguém que está mais focado no interior de cada um, na simplicidade do cotidiano como estar em casa, usufruir de um jantar saboroso, fumar seu cachimbo e olhar para seu lar limpo e organizado. Bilbo demonstra muitas vezes que conhece os sentimentos humanos muito mais que os Elfos, seres longevos; o mago, integrado com a natureza; e os anões, preocupados apenas com o material.
Nesta parte Tolkien é certeiro quando os divide em três classes distintas: - Elfos, que se consideram os melhores. Podem não ser os mais ricos, mas possuem “títulos” e são corajosos e sábios. – Anões, trabalhadores ávidos e grosseiros cuja única preocupação é os bens materiais; - Mago, cuja conexão com o mundo se dá apenas pela espiritualidade.
Bilbo se destaca destas três classificações, por que é um pouco de cada uma delas. É materialista, por que gosta de suas refeições, seu lenço limpo e sua cama aconchegante; É mago, por que possui em seu intimo uma conexão quase perfeita com o que realmente interessa na vida – o espiritual se refletindo na natureza e a compaixão pelo próximo; e é Elfo por que possui a coragem e a sabedoria de seres que já viveram por eras.
O Bilbo do livro não é exatamente o mesmo Bilbo do filme. No livro ele é bem mais real, plausível, próximo de cada um de nós. O filme destacou mais a aventura e deixou suas reflexões de lado. No entanto, esta visão complementa a leitura, mas não se basta sozinha.
O Hobbit nos prepara para O Senhor dos Anéis e, portanto, se você nunca teve a coragem de ler as mais de mil páginas, comece pelo Hobbit. Com certeza, o desafio de leitura será bem mais leve.
Em resumo, há muito que falar sobre O Hobbit, mas isto ficará para uma segunda resenha que virá mais tarde.

Aconselho a leitura e depois o filme. Com certeza uma experiência inesquecível.

26 de mai de 2017

A Árvore dos Anjos

Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 496
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Eu acredito que todas as coisas mágicas aconteçam na época de Natal. O mundo e as pessoas parecem estar mais conectados com o bem, com o amor e com a vontade de tolerar o próximo. É como se um portal de luz se abrisse e todos transitassem entre dois mundos diferenciados.
A Árvore dos Anjos, de Lucinda Riley, é um destes portais que se abrem quando você começa a ler. Escrito no inicio da carreira da escritora e agora relançado, ele nos envolve com sua trama mágica que mistura amor, alegrias, tristezas, mistérios e um toque de terror.
Greta, a protagonista da trama, inicia o livro sem memória, sem saber qual foi o seu passado. Ao lado do encantador David, ela se dirige para o solar Marchmont, uma deslumbrante residência rural no País de Gales. É lá que Greta, após um passeio inocente, começa a destravar as portas de seu passado, que iremos saborear ao longo das páginas deste livro.
Greta se lembra da filha, e começa a descobrir o quanto Cheska é uma mulher fascinante e desequilibrada, que de certa forma, manipula os fios da trama de A Árvore dos Anjos.
É um livro que nos alerta o peso que as decisões têm em nossas vidas. O quanto o passado se reflete no futuro de forma a moldá-lo com seus braços de ferro. Durante toda a trama você se pergunta se o que acontece com Greta é total responsabilidade dela, ao mesmo tempo em que percebe que a personagem não tinha opção. Quem de nós não teria feito o mesmo?
Já Cheska no leva a pensar em quanto ainda estamos envolvidos com a beleza exterior, e por isso nos deixamos manipular por ela. O quanto atrás de um rosto de anjo pode morar um demônio das trevas. É profundo, questionador e ao mesmo tempo repleto de esperanças.
A Árvore dos Anjos tem um texto impecável, fluido em seu vai-e-vem temporal, característica forte da autora. Eu particularmente adoro tudo o que ela escreve.
Este livro de Lucinda Riley é para ser lido por quem gosta de refletir sobre a vida e sobre como mudá-la para melhor, mas também pode ser lido por quem quer apenas se distrair.
Neste período sabático em que fiquei afastada do blog por motivos familiares, período em que não conseguia ler nenhum livro, pois nenhum deles prendia a minha atenção, já que em minha vida pessoal eu estava vivendo algo mais intenso que um romance de ficção, foi um verdadeiro prêmio voltar a ler pelas mãos desta hábil escritora. E, confesso, só tenho agradecer a Lucinda Riley. Ler sobre as perdas, neste momento em que perdi minha mãe, aqueceu meu coração repleto de saudades.

Obrigada Lucinda Riley!

Monmouthshire, no País de Gales. Local se localiza o Solar Marchmont.

22 de mai de 2017

11 anos de Prosa Mágica


É maio, e com ele vem à lembrança da criação do Prosa Mágica, que faz este mês 11 anos de existência, uma parte deles vivida aqui no blogspot.
Obrigada a todos os meus leitores pela fidelidade ao site.
Muitos livros virão este ano, e em breve uma explicação pela minha longa ausência no blog.

Abraços a todos.

13 de fev de 2017

Armadilha

Autor:  Melanie Raabe
Tradutor: Karina Janini
Editora: Jangada
Número de páginas: 304
Ano de Lançamento: 2016
Avaliação do Prosa Mágica:  7,0


Thriller Psicológico não é o tipo de livro que está na minha lista de “os mais queridos”, mas Armadilha de Melanie Raabe, Editora Jangada superou minhas expectativas.
Trata-se da história de uma renomada escritora que vive reclusa, devido a sua síndrome do pânico, causada pelo assassinato de sua  irmã há 12 anos. Na época, Linda viu o assassino, mas ele nunca foi encontrado. Agora, por uma armadilha qualquer do destino, Linda vê o autor da morte de sua irmã na TV. Ele é um conhecido repórter internacional. Decidida a desmascarar o assassino, Linda planeja uma armadilha, na qual ela estará sozinha para enfrentar o repórter.
O livro é brilhante em abordar como a mente do ser humano é traiçoeira, e talvez inimiga de nosso bem estar. Linda sofre de síndrome do pânico, e no entanto é capaz de escrever um livro que conta a morte de sua irmã e conceder uma entrevista ao assassino, o  levando direto a sua casa. Sem proteção e ajuda de ninguém.
A trama nos lembra aqueles filmes de suspense, cujo longo corredor dá em uma porta, e você fica tenso e atento, pois atrás daquela porta existe algo aterrador. No entanto, já passado do meio da trajetória, algo sai do teto e nos faz o coração sair pela boca, como se estivéssemos lá, dentro da trama.
O livro é interessante por que trabalha dois momentos, nos apresentando um livro dentro de um livro. O momento atual, cuja protagonista é Linda, a escritora, e o outro que se apresenta nos trechos do livro “Irmãs de Sangue”, escrito por Linda para fisgar o assassino.
Não se trata de um livro fácil, cuja leitura vai nos aliviar dos problemas cotidianos. Armadilha é para deixar tenso, perplexos, com vontade de buscar manuais de psicologia para compreender a mente dos personagens.

É sem dúvida um ótimo exemplo de literatura alemã.

6 de fev de 2017

O Perfume da Folha de Chá

Autor:  Dinah Jefferies
Tradutor: Alexandre Boide
Editora: Paralela
Número de páginas: 432
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  9,5


Se os lançamentos editoriais de 2017 forem na mesma qualidade de “O Perfume da Folha de Chá”, teremos um ano excepcionalmente bom para leitura.
O Perfume da Folha de Chá se passa no exótico Ceilão (Hoje Sri Lanka) e conta a história de Gwendolyn, uma jovem inglesa que se casa com um proprietário de uma grande fazenda de chá. O casamento parece paradisíaco, no entanto, a vida no Ceilão não é o que aparentava ser. Há uma eterna briga entre ingleses, cingaleses e tamils, o que desencadeia relações que a jovem não foi educada para compreender. Lá, uma armadilha do destino e o excesso de segredos, transformarão a vida de Gwendolyn após o nascimento de seus filhos. Desde então, a jovem que era aberta e sincera se vê obrigada a guardar um terrível segredo, algo que ela acredita que irá destruir sua vida.
Dinah consegue retratar muito bem uma época que não existe mais, tempos em que os ingleses se deslocavam para suas colônias com o objetivo de ganhar dinheiro, e junto levavam suas jovens esposas. Um tempo onde não havia internet, avião e qualquer noticia levaria semanas para chegar através de uma carta. O Perfume da Folha de Chá fala sobre a ascensão destas pessoas e também de sua vertiginosa queda com o crash da bolsa de Nova York. É um livro que aborda o preconceito inter-racial, a intolerância que permeia todos os povos e não é exclusividade do “homem ocidental”.
A autora é hábil em nos conduzir em um mundo totalmente diferente, com truques que nos iludem e nos deixam sofrer até o final. Há tempos eu não era tão iludida em um romance! E digo isso por que durante a leitura eu estava certa que o vilão era um personagem em específico, e quando cheguei ao final descobri que Dinah consegue nos enganar como um bom romancista de mistério.
Dinah também é muito boa para descrever cenas, talvez por que ela tenha nascido na Malasia. Tem horas que somos capazes de sentir o cheiro da chuva que cai na terra; das flores que desabrocham no jardim, ou da poeira que encobre os cômodos escondidos da casa.
Trata-se de um “novelão” à moda antiga, como há muito tempo eu não lia. Um livro para chorar, rir e torcer para que no final tudo dê certo para Gwen.

É fascinante, inteligente e aos moldes dos clássicos ingleses, talvez por isso tenha feito tanto sucesso por lá.