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23 de fev de 2018

Solstício de Inverno


Autor:  Rosamunde Pilcher
Tradutor: Cyana Leahy
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 644
Ano de Lançamento Brasil: 2009
Avaliação do Prosa Mágica: 10


A primeira coisa a se dizer sobre o livro é que ele é incrível. Sabe aquelas histórias que você quer ler devorando cada palavra, e quando chega ao fim se arrepende de ter lido tão rápido, por que terá que se despedir dos personagens?
Rosamunde Pilcher constrói uma trama assim, cuja intensidade de cada personagem nos envolve e absorve, nos arrebatando para outros lugares, onde a neve cai farta, onde as pessoas são generosas, onde os dramas familiares são comuns, mas superáveis com a ajuda de amigos inesperados.
Em Solstício de Inverno, Elfrida, uma senhora já em seus sessenta anos, se vê obrigada a mudar de sua querida Londres para uma pequena cidade chamada Dibton, em Hampshire. Um lugar agradável, com pessoas gentis que a recebem com carinho.
Acomodada em um pequeno chalé, Elfrida se envolve cada vez mais com os habitantes locais, que preenchem sua vida. Lá ela conhece Oscar que será assolado por uma grande tragédia familiar, e que terá o apoio de Elfrida para a superação. Um apoio que a levará até a Escócia, na pequena e charmosa Creagan. 
CREAGAN - UK (*)
A dor de Oscar parece nunca passar, mas uma visita inesperada no Natal transforma a vida dele e de Elfrida. Uma transformação que durará para sempre. E, como o inesperado parece fazer parte da criação desta autora, um novo personagem entra na trama, Sam, que se unirá a esta improvável família.
Muita coisa acontece. Uma mais emocionante que a outra. É incrível como Rosamunde desenha seus personagens acima dos sessenta anos. Não são caquéticos, nem tão pouco inertes. Todos formam uma força motriz que alavanca a história. São pessoas atemporais, cuja idade cronológica não interferiu na idade mental. Cuja vida se pauta pela própria vida, pelo amor tardio, pela consciência dos anos sem que eles lhes pesem como um fardo.
Mas isso não é só. Rosamunde nos apresenta Lucy, uma garota de 14 anos, com profundidade de sentimentos, sem nunca se esquecer de que ela é apenas uma garota que está começando a viver. A autora nos apresenta uma visão sem preconceito da juventude. Algo que você verá também na construção da personagem Carrie, sobrinha de Elfrida, uma jovem que também está tentando curar feridas profundas em seu ser.
CREAGAN - UK (*)
Confesso que tive vontade de pegar um avião e correr para os lugares descritos no livro, tal a riqueza de detalhes e o encantamento criado pela autora.
Solstício de Inverno é para ler e amar, como se Elfrida e sua estranha família fossem vizinhos queridos, pessoas reais com as quais podemos compartilhar uma xícara de café, uma taça de vinho e jogar conversa fora.
Sem dúvida, um livro para todas as idades. E que poderá ser relido a cada década, com sensações e compreensões completamente diferentes.

(*) Imagens de pesquisa Google. Se você souber o nome do autor da fotos favor comunicar para que os devidos créditos possam ser dados.

4 de fev de 2018

O Tempo entre Costuras

Autor:  María Dueñas
Tradutor: Sandra Martha Dolinsky
Editora: Planeta
Número de páginas: 480
Ano de Lançamento: 2010
Avaliação do Prosa Mágica: 6


Sabe quando você ouve falar demais de um livro ou filme, e fica morrendo de vontade de conhecer? Sabe aquela sensação de curiosidade em torno de algo que parece “endeusado” pela mídia? Pois é... foi desta forma que me aproximei de “O Tempo entre Costuras”, e foi exatamente deste tamanho a extensão de minha decepção.
Não estou dizendo que a história é ruim, pois não é. Nem que o livro tem péssima qualidade, pois a escrita é boa e coerente. No entanto, esperava muito mais de uma trama aclamada.
María Dueñas é excessivamente descritiva e repetitiva. Muitas vezes dá a sensação que ela imagina que o leitor não tem a capacidade de compreender o que diz, e ela se repete, repete e repete.
Eu sei que muitos leitores dirão que é uma característica da língua espanhola – que admiro muito – no entanto, comparo com Carlos Ruiz Zafón, cuja escrita flui como água, e sua excessiva descritividade nos envolve e nos absorve.
Não me entenda mal, “O Tempo entre Costuras” é um livro que deve ser lido, mas desprovido de qualquer expectativa.
O livro é dividido em quatro partes e o epilogo. E boa parte da história é ambientada em Madri. A personagem Sira Quiroga, costureira humilde e “bobinha” acaba sendo enredada por Ramiro, uma homem sem escrúpulos, que seduz mulheres para levar vantagens. Ao lado dele, Sira vai para o Tânger e se vê abandonada, sem dinheiro e prestes a ser presa por fatos que não tem culpa.
Lá, ela constrói uma nova vida próspera, que acaba sendo revirada de pernas para o ar, com uma proposta perigosa e ao mesmo tempo emocionante. E, a partir daqui, você precisa ler o livro para saber o que acontece, pois qualquer outra informação seria spoiler. E é a partir deste ponto que a leitura de "O Tempo entre Costuras" começa a valer a pena.
O sucesso do livro que se estendeu a série se deve a alguns fatores muito fáceis de identificar: Uma mulher “bobinha” que amadurece com as dificuldades que a vida lhe apresenta; espionagem; e a fórmula consagrada de novelas, muito usada em nossa teledramaturgia.
Agora se você me perguntar se aconselho a leitura, é claro que sim. São raros os livros que eu diria - não leia -, e com certeza eles nunca estarão aqui no meu blog. “O Tempo entre Costuras” tem uma mensagem interessante e forte, que nos leva a crer que sempre podemos mudar nossas vidas e para isso basta acreditar e ter força de vontade.

25 de jan de 2018

Mitologia Nórdica

Autor:  Neil Gaiman
Tradutor: Edmundo Barreiros
Editora: Intrinseca
Número de páginas: 288
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Mitologia sempre foi uma paixão em minha vida. Eu me lembro de ouvir, quando criança, meu pai contando as histórias dos deuses gregos, e do encantamento que sentia. Também me lembro de assistir desenhos animados cujos deuses eram poderosos, dentre eles Thor (deus nórdico), o que carregava o martelo e fazia os trovões.
Cresci com esta paixão, e confesso que da mitologia nórdica apenas conhecia Thor. Os gregos eram a minha paixão e minha fonte de inspiração.
O tempo foi passando e os deuses nórdicos foram se apresentando diante de mim. Eu já gostava de Odin e Freya mas percebi que o conhecimento que tinha não era suficiente. E esta percepção veio da leitura da série Starling (Ed. Jangada) cuja temática principal tinha origem neles.
No ano passado a Editora Intrinseca lançou Mitológia Nórdica, escrito pelo grande Neil Gaiman, e é claro que vi ai uma oportunidade de me aprofundar mais.
A leitura demorou a acontecer, e só pude me deliciar com a forma fluida que Neil Gaiman escreve agora. A primeira coisa que você sente ao ler este livro é que ele nos transporta a uma noite estrelada, fogueiras e um grande contador de histórias nos encantando com as peripécias de deuses que mais parecem humanos.
A mitologia nórdica é empolgante, repleta de aventuras e recheada de finais nonsenses. Foi revelador descobrir que a veia literária do povo europeu tem um DNA tão intenso, que remonta os grandes barcos Vickings.
Eu recomendo a leitura, pois Neil Gaiman nos dá uma ideia muito boa sobre esta mitologia, tudo graças ao seu grande talento como escritor.
Confesso que minha paixão pelos gregos não foi nem um pouco abalada. A mitologia nórdica é superficial, as tramas são simples e as conclusões dos fatos nem sempre tem uma lógica, mesmo que seja ficcional.
A mitologia grega é complexa, profunda. Seus deuses, mesmo com as falhas e loucuras humanas, parecem superiores a nós. O mesmo não ocorre com o povo de Odin. Mas isso é uma conversa para outra hora.
Mitologia Nórdica de Neil Gaiman é uma leitura excepcional para quem quer conhecer e iniciar uma jornada em busca dos deuses nórdicos.

Alguns livros de Neil Gaiman:
O Oceano no Fim do Caminho
Deuses Americanos
O Livro do Cemitério
Stardust (Também em filme)
Lugar Nenhum
Os Filhos de Anansi

19 de jan de 2018

Histórias do Prosa Mágica

Da esquerda para a direita: Rinaldo Kassuga, Luis Antonio Gonçalves, Soraya Felix.
O mundo da web nos proporciona gratas surpresas. Muitas delas nos remetem a histórias que os livros e o cinema contou. Em 2010, Prosa Mágica me colocou dentro de uma destas tramas, e tudo começou com o que parecia ser um simples post.
Não há nada que eu admire mais que uma pessoa que goste de ler, mas encontrar um adolescente que lia 300 páginas em uma única hora me pareceu um delírio. Mesmo não o conhecendo, e sem ideia de como encontrá-lo, publiquei um pequeno post contando o que havia lido e como isso me deixava feliz. Esta história aconteceu em 10 de agosto de 2010.
Para minha surpresa, poucos dias depois recebo um comentário do avô deste garoto. Ele estava feliz com o post e me deixava direções para encontrá-lo.
O que veio depois foi encantador. O Luisinho (Luis Antonio Golçalves Netto) me deu uma entrevista que foi publicada em 24 de agosto daquele mesmo ano, e o contato com o avô Luis Antonio, acabou virando uma amizade muito mais que virtual.
Ao longo destes oito anos, Luis e eu trocamos muitos e-mails, uma parte falando do neto outra falando de livros, dentre eles os meus. Correspondência que fala sobre nossa paixão por histórias que nos envolvem, por escritores que são geniais, e como este universo da literatura nos faz sorrir, chorar, torcer e ter o coração acelerado por um suspense ou cenas super-reais. É um longo tempo que se aprofundou com as circunstâncias que ambos sofreram da vida.
Nunca nos vimos – não até agora – e sempre adoramos conversar um com o outro. Então, depois deste longo tempo, finalmente nos encontramos em 16 de janeiro deste ano, e só serviu para que estreitássemos mais a amizade que já era cultivada graças aos meios virtuais.
Se eu não tivesse um blog isso nunca teria acontecido. Livros aproximam as pessoas; livros são companhias infalíveis; livros trazem a ficção para nossa vida real. Isso é lindo e emocionante.
Foi um breve encontro, mas tenho certeza que foi o primeiro de muitos.
Luis Antonio também escreve em alguns blogs, um deles é O Vendedor de Sonhos. Um espaço onde ele conta as histórias da vida dele, da extensa e rica existência como vendedor. E, eu posso dizer que, pelo que ouvi na última terça-feira, tem muita coisa boa para nos contar.
O Luisinho agora nem pode mais ser chamado assim, cresceu, aperfeiçoou seu dom e agora ensina a sua técnica através de palestras por todo o Brasil (Leitura Veloz). Mas isso, é outra história para outro dia.

E essa foi a nossa Sexta de Prosa, que não acontecia há muito tempo, e que só poderia ser retomada com uma história assim, que um dia, quem sabe, poderá inspirar parte de um livro.

15 de jan de 2018

A Irmã da Pérola

Autor:  Lucinda Riley
Série: As Sete Irmãs – Livro 4
Tradutor: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 528
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Eu creio que todas as vezes que leio um livro da autora Lucinda Riley fico em um dilema para escrever a resenha. As histórias são tão fascinantes, tão bem escritas, que tenho a sensação de estar escrevendo sobre a vida de alguém que existe de carne e osso, como se fosse uma fofoca. E é claro que desta vez não foi diferente.
Ceci é uma personagem marcante, de gênio difícil, confusa, possessiva, complexada e ao mesmo tempo completamente cativante. Um grande paradoxo.
Ela é a quarta irmã da série “As sete irmãs”. De certa forma, Ceci é quase gêmea de Estrela (A irmã da Sombra), que de repente se vê sozinha, sem Estrela para ampará-la e decide ir em busca de suas origens usando referências deixadas por seu falecido pai – Pá-Salt. Neste mergulho ao passado, ela passa pela Tailândia e conhece o misterioso Ace, um homem interessante que vai ajudá-la no inicio de sua busca e também será amparado por ela.
Broome - Austrália (*)
Depois Ceci (Celeno) vai à Austrália, seu país de origem, e lá conhece a história de Kity, sua ancestral, uma corajosa mulher que enfrentou todas as agruras de uma Austrália primitiva para manter o império de seu filho e seu grande amor, que não pode ser desfrutado a maior parte de sua vida.
De todas as irmãs apresentadas até agora, Ceci é a mais “vazia” e talvez por isso sua história nos encante, por que é nela que podemos ver a transformação se operando em seu ser, a cada página, a cada novo encontro. A Ceci que você conheceu em “A Irmã da Sombra” não será a mesma em “A Irmã da Pérola”.
O trabalho de pesquisa de Lucinda Riley é fantástico. Ela realmente mergulha fundo nas turbulentas águas que inundam a colonização e o fortalecimento da Austrália como nação.
Tailândia - Krabi (*)
Quando surgiu o primeiro livro “As Sete Irmãs” fiquei perplexa em imaginar que a escritora ficaria imersa em uma mesma temática por sete anos.  Parecia uma tarefa complexa demais e difícil. No entanto, o resultado é esplêndido, por que cada livro é uma pessoa completamente diferente, um ser humano com conexões e individualidades únicas.
Agora só nos resta esperar o próximo livro, que tratará Tiggy, a quinta irmã, da qual recebemos uma pequena “degustação” no final de “A Irmã da Pérola”, e da qual estou literalmente desesperada para ler.
Contando os dias para o novo livro. Que ele nos brinde ainda em 2018.

Livros da Série:


(*) IMPORTANTE: A imagens de Broome e Krabi foram retiradas da internet. Não estavam com o nome do autor. Por favor, se você sabe ou é autor destas fotos me informar para que possa dar os devidos créditos a imagem.