terça-feira, 8 de dezembro de 2009

São Paulo subaquática e as mudanças climáticas

A cidade amanheceu debaixo d’água. Quem queria atravessar a marginal Tietê deveria ter um bote ou barco, pois seria a melhor forma de chegar ao trabalho ou outros compromissos.
Não adianta construir piscinões, cobrir córregos, a natureza é livre e precisa desta liberdade para seguir seu rumo. A cidade de Sâo Paulo está impermeabilizada demais e as enchentes virão, faça o que fizerem, elas virão.
A impermeabilização da cidade, em parte, não pode ser atribuída ao governo e as autoridades, já que boa parte dela é promovida pelo cidadão comum, que cimenta seus quintais e jardins, expulsando a área verde de suas casas e impedindo que a água penetre no solo quando chove.
Muito do que acontece aqui poderia ser evitado se a população permitisse que o verde fizesse parte de suas casas, se lixo não fosse jogado nas ruas e córregos e se a consciência da reciclagem fizesse parte da educação das crianças.
Apesar de o Brasil ser um país ainda pobre (emergente) a população age como em países de “primeiro mundo” Japão e EUA, trocando móveis e eletrodomésticos como quem troca de roupas. Falta a consciência da reciclagem. Bons móveis podem ter a duração de uma vida se bem conservados ou restaurados com um pouco de tinta, lixa e paciência.
Eletrodomésticos podem durar anos se a pessoa tiver cuidado. Sacolinhas plásticas devem, ou melhor, já deveriam ter sido extintas de supermercados, pelas retornáveis. São atitudes mais cidadãs.
Mas porque falar de tudo isso em um momento de caos com as enchentes e de discussão em Copenhague sobre mudanças climáticas?
Em primeiro lugar por que não adianta nada discutir lá, se os cidadãos daqui não tiverem a consciência de que somos responsáveis pelo planeta.
Em segundo lugar por que não haverá governo que consiga parar as enchentes se os “cidadãos” continuarem a jogar lixo nas ruas e a desconsiderar suas responsabilidades perante a natureza e o planeta onde vivem.
Na hipótese de que o Planeta esteja terminando sua era Glacial e entrando em uma nova fase, cada um de nós tem a responsabilidade de fazer um planeta melhor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Aquecimento Global – Clipping de notícias


Os jornais internacionais publicaram muito mais notícias sobre a Reunião de Copenhague. Infelizmente nos parece que o mundo está mais preocupado com os problemas ambientais que o Brasil.

O objetivo principal da cúpula do clima de Copenhague (7 a 18 de dezembro) é alcançar um novo acordo sobre a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para depois de 2012


Segue um recorte das principais manchetes:


“Temperatura da Terra pode subir 4 graus antes de 2100, segundo especialistas” France Press


"Quatro graus não é uma projeção apocalíptica, é uma projeção de um mundo muito provável se não fizermos nada", resume o climatologista francês Hervé Le Treut. “France Press


"Seria o caos", estima o economista indiano Pavan Sukhdev. France Press


"Uma mudança completa na maneira de viver e sobreviver das espécies", explica, mencionando, por exemplo, a extinção pura e simples dos recifes de coral, "dos quais dependem para comer e viver 500 milhões de pessoas no mundo". France Press





sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A raposa do DF e a moralidade


Esta belíssima ilustração é de Emerson Fialho (http://emersonfialho.wordpress.com)

As fábulas antigas ensinavam ética e moralidade às crianças através de histórias do sobrenatural. Hoje, o bicho papão, o homem do saco e o monstro dentro do armário são brincadeirinha perto do que existe na política Brasileira.

O caso do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e do vice, Paulo Octavio (DEM) é mais uma caso de bicho papão tirado de dentro do armário. E, pior que a imoralidade do uso do cargo público para benefício próprio e de amigos, é a Assembléia Legislativa do DF e seus respeitosos deputados ainda não terem aceitado formalmente os oito pedidos de impeachment e que integralizarão nove, assim que a OAB entregar o dela.
Cometer as imoralidades que o Presidente e o Vice fizeram é muito ruim, mas ser a favor, sim, a favor, por que se os referidos políticos não aceitarem o pedido de impeachment eles estarão se declarando abertamente a favor da imoralidade, do abuso de cargo público, do enriquecimento ilícito, do favorecimento e uma lista de crimes políticos.
Neste país debate-se tanto a Constitucionalidade de ações como não cobrar estacionamento em shoppings, mas na hora do que é realmente inconstitucional, imoral, antiético, todos pegam as suas pastas e vão passar as festas, o final de semana em outras paisagens.
Roubar dinheiro público é inconstitucional. Usar o cargo público para atos ilícitos é anticonstitucional. Então, o que os políticos da Assembléia do DF estão esperando que não votam este impeachment de uma vez?
Talvez o comprometimento seja bem maior do que a PF apurou. Talvez......

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Educação. Alguma coisa deve mudar.

O Jornal Inglês The Guardian publicou no dia 1 de dezembro uma reportagem apresentando a avaliação de alunos da escola primária entre 10 e 11 anos de idade. Segundo o mesmo jornal, uma parte muito significativa dos alunos não apresentou as habilidades esperadas em matemática e língua inglesa.

Um resultado que não era o esperado, principalmente para quem acompanha o nível da educação inglesa, uma das melhores do mundo. Então, o que saiu errado?
Entre muitas hipóteses, a alegada pelos professores que resolveram boicotar o próximo teste, uma espécie de Enem para crianças. O fato é que o ser humano, em sua maioria, se sai muito mal em testes e provas. Não que elas sejam dispensáveis.
São necessárias, mas quando se prepara testes para crianças e as submete ao mesmo nível de pressão que um adolescente ou adulto suporta como é o caso de Enem e do Vestibular no Brasil, e das provas de avaliação que existem na Inglaterra, as crianças falham muito mais, é obvio. São seres em formação, ainda frágeis, viventes de um mundo de magia e sonho. Se as provas escolares já são um stress necessário, imagina submetê-la a uma avaliação em nível nacional para dizer se elas são capazes ou não.
Então, muito corretamente os professores irão boicotar as provas, em favor do desenvolvimento saudável da intelectualidade infantil. A balança não pode pender para nenhum dos lados. Ela deve ser equilibrada. Excesso de rigidez faz mal, como neste caso. Mas, excesso de informalidade como acontece aqui, no Brasil, é danoso.
O que se espera da educação de crianças é que elas possuam base para seguir seus estudos depois. E isto significa ter boa leitura e interpretação de textos; saber construir frases com lógica e coerência; saber aplicar as regras básicas de matemática e a capacidade de construir sozinha o seu próprio saber. O resto ela aprende depois.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A livraria dos Sonhos


Quando vou ao Centro Velho de São Paulo sempre paro em uma livraria charmosa na Praça do Patriarca. Apesar de pertencer a uma grande rede de livrarias, aquela em especial possui a beleza e a aura das velhas lojas de livros paulista.

Entre estantes abarrotadas de livros há grandes mesas, com as capas nos chamando para novas experiências. É sempre assim, todas as vezes que vou até lá descubro novos autores e títulos que nunca tinha ouvido falar antes. É muito bom.
Não que isto não aconteça nas outras, longe de dizer isto. Mas elas são muito grandes e para que o mesmo efeito nos absorva é necessário gastar de duas a quatro horas lá.
Nesta da Praça do Patriarca não. A vitrine, as mesas e as prateleiras são um convite, quase um meeting. Filosofia, ficção, poesia, arte, fotografia, tudo está lá, a vista dos leitores.
Comprar na internet não tem o mesmo charme. Pode até ser econômico, prático, mas eu não consigo imaginar a Submarino me seduzindo como as lojas físicas. Não, definitivamente internet é para títulos que você conhece.
Qual é o prazer de se comprar um livro? É o desconhecido, é a falsa segurança que sairemos ilesos da jornada que as páginas apresentam, é a alegria de pular os muros e as janelas de outros lugares sem o inconveniente de ser chamado de bisbilhoteiro. É isso. Lemos porque somos curiosos, insaciáveis e precisamos ser o outro.
Não quero ser a psicóloga a analisar a sede de ler, mesmo porque acho muito chato analisar tudo, destrinchar, dissecar. Não, eu não quero fazer isso porque muitas vezes o que não é dissecado é melhor, porque é completo.
E como estou falando de livros, do prazer de comprá-los, ilustrei este post com a foto de um sebo na Inglaterra. Ele é um sonho, porque se parece um pouco com as salas imaginárias em que nos dedicamos a conhecer outros autores, outros personagens e outras histórias. E ainda mais interessante, fazemos isso através de livros que vêm com a história secreta de seu antigo proprietário.
Fica aqui uma sugestão de experiência para quem está viciado nas compras de livros via web. Vá até uma livraria, namore um livro, outro e mais outro; deixe-os de lado e depois volte a senti-los.
Não é você quem escolhe o livro, é ele quem escolhe você.