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8 de mar de 2019

O Segredo de Helena

Prosa Mágica.

Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 464
Ano de Lançamento Brasil: 2018
Avaliação do Prosa Mágica: 9+
                       

O Segredo de Helena é um romance atípico de Lucinda Riley, por que a trama não é atrelada a fatos históricos, mas a vida corriqueira de personagens que se encontram em uma casa no Chipre, sabiamente chamada de Pandora.
O nome do livro também não é uma chave para desvendar a trama, nem tampouco o nome em inglês, The Olive Tree. Verdadeiramente estou me perguntando até agora por que escolheram este nome, mas não é isso que realmente nos interessa.
Helena é uma personagem muito humana, repleta de conflitos que vão se revelando ao longo da trama, como se ela fosse composta de camadas que escondem sua verdadeira face.
A trama toda começa quando Helena retorna a Pandora 24 anos após sua vida ter se modificado completamente. Na casa, tal qual o mito grego, Helena abre uma “caixa” que liberta todos os males que rondam a família que ele formou, e pessoas que a cercam
Não é um romance histórico, mas um drama psicológico, cujas cenas têm mais relação com o que se passa na cabeça dos personagens que nos cenários que eles habitam.
Lucinda se utilizou de um recurso que vi poucas vezes ser bem empregado. Em O Segredo de Helena, a autora faz uso de diversas vozes, tendo como guia Alex, filho da personagem, que vai dos 13 aos 23 anos, sob a perspectiva de seu diário, que amadurece no texto conforme o personagem também amadurece sua personalidade.
A autora usa de sua tradicional sensibilidade para tratar dos sentimentos e relações entre os personagens. E como sua marca pessoal, há casamentos desfeitos e amores perdidos.
Para quem está acostumado com o estilo Lucinda Riley o livro irá causar muita “estranheza”, no entanto a trama é tão boa que você se vê imerso na vida dos personagens e com uma vontade louca de ler tudo até o fim para saber onde a trama termina.
O que mais me encantou no livro foi que os personagens são tão comuns, tão cotidianos, pessoas que você poderia encontrar no supermercado, no cinema e que de repente começariam a contar seus dramas pessoas. Acho que a definição deste romance é esta: Uma conversa entre seres humanos que desabafam seus dramas.
Vale a leitura, e acreditem, quem já está acostumado ao estilo Lucinda Riley vai se beneficiar e se divertir muito mais, porque a “assinatura” como escritora está por toda a parte da trama, mas só consegue ver quem já leu todos os seus livros.
Chipre - Imagem do site VisitCyprus


22 de fev de 2019

Drácula, meu amor


Autor:  Syrie James
Tradutor: Ricardo Silveira
Editora: Record
Número de páginas: 462
Ano de Lançamento Brasil: 2018
Avaliação do Prosa Mágica: 10
                       

Você já leu um romance que vai provocando as mais diversas sensações ao longo da leitura? Já se sentiu desamparado, triste, emocionado e ao mesmo tempo tão ciente de que tudo isso não passa de um truque o autor, e ao mesmo tempo você quer que tudo se perpetue e o livro nunca termine?
Se você é destes leitores que busca não só a diversão, mas uma avalanche de sensações, “Drácula, meu amor” é a história certa para ser lida.
Recontado a partir de Drácula de Bram Stoker, Syrie James recria uma representação do vampiro que é atraente, sensual e arrepiante. Na maior parte do texto você não sabe muito bem o que pensar dele, que oscila entre o mais dócil ser apaixonado, quase um Romeu, até a besta mais enfurecida, capaz de esquecer sua humanidade para concluir sua vingança.
Fica difícil escolher quem será o par ideal para Mina. Confesso que torci pelo Drácula na maior parte da história. Ele parece bem mais interessante que o Jonathan, marido de Mina. Sua conversa é mais leve, seus preconceitos são menores e sua visão de mundo parece ampliada pela quantidade de anos que vivenciou.
Syrie construiu este romance de uma forma tão fascinante, que você parece ser absorvido pela história como se ela fosse absolutamente original. Há pitadas de outros livros sobre vampiros, não tenha dúvida. Há cenas que nos remetem a Crepúsculo, outras ao vampiro intelectual de A Descoberta das Bruxas, da Debora Harkness, tem trechos que lembram Drácula Apaixonado de Karen Essex, mas isso, ao contrário do que muitos pensam, enriqueceu a trama.
Além deste charme, “Drácula, meu amor” é uma história de vampiro, cujo pano de fundo também é protagonista.  Ela trata de temas como preconceito social e racial, a mulher tentando encontrar seu lugar no mundo, a ciência e o charlatanismo, cultura, leitura e uma releitura da sexualidade humana.
É uma história para ler e reler. Indica para quem gosta de vampiros e para quem ama um bom romance.

28 de jan de 2019

Livraria Auto Atendimento

Entrada da loja lotada de pessoas.

Foi uma surpresa tão grande que decide passar este post na frente das resenhas que tenho para publicar. Ontem, passeando pelo Tiête Plaza Shopping aqui em São Paulo, me deparei com uma livraria nova e é claro entrei para conhecer. Fui surpreendida.
A Top Livros é uma livraria de preço único, tudo a 10 reais, com um super diferencial: - autoatendimento. Não há vendedores ou caixas lá dentro. Você escolhe seu livro, vai até o “caixa” e lá terá disponível uma pequena urna para depositar dinheiro ou uma máquina para pagar com cartão – débito ou crédito. Ao lado, sacolinhas plásticas para você colocar o produto comprado.
A novidade parece que agradou. Durante menos de cinco minutos contabilizei 4 pessoas efetuando uma compra, e nas diversas vezes que passei pela frente da loja ela estava lotada.
Caixa ao fundo
É muito interessante, pois temos liberdade para escolher o livro sem um vendedor nos perseguindo e fazendo perguntas, quando na verdade, desejamos paz para olhar, ler e escolher nossa próxima leitura. Talvez por isso a outra livraria que havia neste mesmo shopping não tenha vingado.
Não é uma livraria que você irá encontrar os últimos lançamentos, mas um lugar de garimpo em que se pode encontrar livros que normalmente não estão expostos em outras livrarias e preciosidades de culinária a 10 reais.
Vamos aguardar para ver a repercussão e torcendo para que o shopping finalmente tenha a sua livraria definitiva.

Minha compra - Sacola disponível para o público.


21 de jan de 2019

Onde a Cena acontece – Diário do Dragão


Quando criei minha trilogia Literatura & Champanhe o foco dos cenários era, com certeza, a cidade de São Paulo. Jane – a protagonista – vivia aqui, e boa parte do que vive se divide entre lugares na Lapa, Santana, Serra da Cantareira, Paulista e Jaraguá.
Cada um dos livros é baseado em uma cidade. O primeiro fica totalmente em São Paulo, com uma escapada para Campos do Jordão; o segundo se passa em Nova York e o último volta para São Paulo e Campos do Jordão.
Uma questão importante sobre o Diário do Dragão é a respeito da escolha de um dos cenários de conclusão trama - o Pico do Jaraguá. Ponto – o ponto mais alto da cidade de São Paulo (Há 1135 metros de altitude), localizado a oeste da Serra da Cantareira, em meio ao verde do Parque Estadual do Jaraguá.
A visão de lá é deslumbrante, por que você pode ver toda São Paulo de lá, com seu verde e mar de concreto. Além disso, o próprio Pico do Jaraguá pode ser avistado de quase todos os pontos da cidade.
Há uma antena bem no alto, e ao lado dela há uma longa escadaria que leva ao topo, permitido aos visitantes. Esta escadaria me inspirou a escrever a cena marcante que envolve Jane, Antonio e Victória. Infelizmente eu não posso comentar mais nada sob pena de fazer spoiler.
O Cenário é deslumbrante, e aconselho viajantes e moradores da cidade a frequentar mais o local, colocar a imaginação para funcionar e quem sabe, aproveitar a sombra de uma árvore para finalizar a leitura de meu livro.
Longa Escadaria ©Soraya Felix

Vista da Cidade do alto do Pico do Jaraguá ©Soraya Felix
Embaixo da Torre - Aqui acontece uma parte da história ©Soraya Felix

Embaixo da Torre - Aqui acontece uma parte da história  Foto:Soraya Felix

Área do Pico até onde carros sobem - Aqui acontece muito da ação do livro.  Foto: Soraya Felix
OBS: Fotos Pessoais - Não podem ser publicadas sem autorização

17 de jan de 2019

O Rei Artur




Autor:  Rosalind Kerven

Ilustrações: Tudor Humphries
Tradutor: Hildegard Feist
Editora: Companhia das Letrinhas
Número de páginas: 64
Ano de Lançamento Brasil: 2000



Mais uma surpresinha no Prosa Mágica. Sou fã de literatura infantil e infanto-juvenil, no entanto nunca publiquei nada aqui no blog. Então, este ano, decidi publicar resenhas dos livros que considero perfeitos, um verdadeiro convite para formar o novo leitor.
Vamos começar com uma história que amo em todas as formas possíveis, pois além de ser um clássico e ponto de partida para  muitas das melhores histórias atuais, também pode ser encontrado em uma edição linda, super ilustrada, e com recursos de “saiba mais”, na forma de notas curtas ao longo do livro.
O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, de Rosalind Kerven, em edição pela Companhia das Letrinhas, traz a história de Arthur e seus companheiros – Merlin, Lancelot, Genevieve, Morgana, Mordred etc – contada de uma forma adaptada para crianças e adolescentes. O livro foi dividido em capítulos que apresentam as principais partes desta lenda como a Távola Redonda, Excalibur, Os Cavaleiros, O santo graal, a morte de Arthur com texto de fácil leitura. Cada um dos diversos capítulos conta uma parte da história ricamente ilustrada, sempre trazendo notas aprofundando temas de interesse. A parte final do livro traz toda uma explicação sobre a dúvida que paira a respeito da existência de Arthur, onde seria Camelot e outras lendas de extremo interesse.
Para quem nunca ouviu falar desta história: Uther Pendragon, rei de Camelot, casou-se com Igraine e tiveram um único filho – Arthur – que foi deixado aos cuidados de Merlin, um mago muito poderoso. Quando Uther morreu, Merlin levou Arthur para requisitar o trono, mas extremamente ardiloso, plantou uma espada em uma pedra onde estava escrito que quem tirasse a espada dali seria o verdadeiro rei. Arthur tira a espada e construiu um reino de prosperidade e igualdade. No entanto, a inveja e a maldade sempre perseguem o bem, e Morgana e seu filho Mordred, que também era um cavaleiro de Camelot, tramam para matar Arthur. E, após anos e anos de lutas, feitiços, finalmente Arthur é ferido e levado pela dama do Lago.
É uma história muito bonita, que envolve não só lutas e feitiços, mas uma metáfora interessante do desenvolvimento da Inglaterra.
É um livro ideal para começar a introduzir a história do Reino Unido nestes tempos em que o assunto em pauta é se o Brexit sai ou não sai.
E vale a dica: o livro não é só para crianças (acima dos 10 anos), mas para todo adulto que ama esta história.
Boa leitura.