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26 de mai de 2017

A Árvore dos Anjos

Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 496
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Eu acredito que todas as coisas mágicas aconteçam na época de Natal. O mundo e as pessoas parecem estar mais conectados com o bem, com o amor e com a vontade de tolerar o próximo. É como se um portal de luz se abrisse e todos transitassem entre dois mundos diferenciados.
A Árvore dos Anjos, de Lucinda Riley, é um destes portais que se abrem quando você começa a ler. Escrito no inicio da carreira da escritora e agora relançado, ele nos envolve com sua trama mágica que mistura amor, alegrias, tristezas, mistérios e um toque de terror.
Greta, a protagonista da trama, inicia o livro sem memória, sem saber qual foi o seu passado. Ao lado do encantador David, ela se dirige para o solar Marchmont, uma deslumbrante residência rural no País de Gales. É lá que Greta, após um passeio inocente, começa a destravar as portas de seu passado, que iremos saborear ao longo das páginas deste livro.
Greta se lembra da filha, e começa a descobrir o quanto Cheska é uma mulher fascinante e desequilibrada, que de certa forma, manipula os fios da trama de A Árvore dos Anjos.
É um livro que nos alerta o peso que as decisões têm em nossas vidas. O quanto o passado se reflete no futuro de forma a moldá-lo com seus braços de ferro. Durante toda a trama você se pergunta se o que acontece com Greta é total responsabilidade dela, ao mesmo tempo em que percebe que a personagem não tinha opção. Quem de nós não teria feito o mesmo?
Já Cheska no leva a pensar em quanto ainda estamos envolvidos com a beleza exterior, e por isso nos deixamos manipular por ela. O quanto atrás de um rosto de anjo pode morar um demônio das trevas. É profundo, questionador e ao mesmo tempo repleto de esperanças.
A Árvore dos Anjos tem um texto impecável, fluido em seu vai-e-vem temporal, característica forte da autora. Eu particularmente adoro tudo o que ela escreve.
Este livro de Lucinda Riley é para ser lido por quem gosta de refletir sobre a vida e sobre como mudá-la para melhor, mas também pode ser lido por quem quer apenas se distrair.
Neste período sabático em que fiquei afastada do blog por motivos familiares, período em que não conseguia ler nenhum livro, pois nenhum deles prendia a minha atenção, já que em minha vida pessoal eu estava vivendo algo mais intenso que um romance de ficção, foi um verdadeiro prêmio voltar a ler pelas mãos desta hábil escritora. E, confesso, só tenho agradecer a Lucinda Riley. Ler sobre as perdas, neste momento em que perdi minha mãe, aqueceu meu coração repleto de saudades.

Obrigada Lucinda Riley!

Monmouthshire, no País de Gales. Local se localiza o Solar Marchmont.

22 de mai de 2017

11 anos de Prosa Mágica


É maio, e com ele vem à lembrança da criação do Prosa Mágica, que faz este mês 11 anos de existência, uma parte deles vivida aqui no blogspot.
Obrigada a todos os meus leitores pela fidelidade ao site.
Muitos livros virão este ano, e em breve uma explicação pela minha longa ausência no blog.

Abraços a todos.

13 de fev de 2017

Armadilha

Autor:  Melanie Raabe
Tradutor: Karina Janini
Editora: Jangada
Número de páginas: 304
Ano de Lançamento: 2016
Avaliação do Prosa Mágica:  7,0


Thriller Psicológico não é o tipo de livro que está na minha lista de “os mais queridos”, mas Armadilha de Melanie Raabe, Editora Jangada superou minhas expectativas.
Trata-se da história de uma renomada escritora que vive reclusa, devido a sua síndrome do pânico, causada pelo assassinato de sua  irmã há 12 anos. Na época, Linda viu o assassino, mas ele nunca foi encontrado. Agora, por uma armadilha qualquer do destino, Linda vê o autor da morte de sua irmã na TV. Ele é um conhecido repórter internacional. Decidida a desmascarar o assassino, Linda planeja uma armadilha, na qual ela estará sozinha para enfrentar o repórter.
O livro é brilhante em abordar como a mente do ser humano é traiçoeira, e talvez inimiga de nosso bem estar. Linda sofre de síndrome do pânico, e no entanto é capaz de escrever um livro que conta a morte de sua irmã e conceder uma entrevista ao assassino, o  levando direto a sua casa. Sem proteção e ajuda de ninguém.
A trama nos lembra aqueles filmes de suspense, cujo longo corredor dá em uma porta, e você fica tenso e atento, pois atrás daquela porta existe algo aterrador. No entanto, já passado do meio da trajetória, algo sai do teto e nos faz o coração sair pela boca, como se estivéssemos lá, dentro da trama.
O livro é interessante por que trabalha dois momentos, nos apresentando um livro dentro de um livro. O momento atual, cuja protagonista é Linda, a escritora, e o outro que se apresenta nos trechos do livro “Irmãs de Sangue”, escrito por Linda para fisgar o assassino.
Não se trata de um livro fácil, cuja leitura vai nos aliviar dos problemas cotidianos. Armadilha é para deixar tenso, perplexos, com vontade de buscar manuais de psicologia para compreender a mente dos personagens.

É sem dúvida um ótimo exemplo de literatura alemã.

6 de fev de 2017

O Perfume da Folha de Chá

Autor:  Dinah Jefferies
Tradutor: Alexandre Boide
Editora: Paralela
Número de páginas: 432
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  9,5


Se os lançamentos editoriais de 2017 forem na mesma qualidade de “O Perfume da Folha de Chá”, teremos um ano excepcionalmente bom para leitura.
O Perfume da Folha de Chá se passa no exótico Ceilão (Hoje Sri Lanka) e conta a história de Gwendolyn, uma jovem inglesa que se casa com um proprietário de uma grande fazenda de chá. O casamento parece paradisíaco, no entanto, a vida no Ceilão não é o que aparentava ser. Há uma eterna briga entre ingleses, cingaleses e tamils, o que desencadeia relações que a jovem não foi educada para compreender. Lá, uma armadilha do destino e o excesso de segredos, transformarão a vida de Gwendolyn após o nascimento de seus filhos. Desde então, a jovem que era aberta e sincera se vê obrigada a guardar um terrível segredo, algo que ela acredita que irá destruir sua vida.
Dinah consegue retratar muito bem uma época que não existe mais, tempos em que os ingleses se deslocavam para suas colônias com o objetivo de ganhar dinheiro, e junto levavam suas jovens esposas. Um tempo onde não havia internet, avião e qualquer noticia levaria semanas para chegar através de uma carta. O Perfume da Folha de Chá fala sobre a ascensão destas pessoas e também de sua vertiginosa queda com o crash da bolsa de Nova York. É um livro que aborda o preconceito inter-racial, a intolerância que permeia todos os povos e não é exclusividade do “homem ocidental”.
A autora é hábil em nos conduzir em um mundo totalmente diferente, com truques que nos iludem e nos deixam sofrer até o final. Há tempos eu não era tão iludida em um romance! E digo isso por que durante a leitura eu estava certa que o vilão era um personagem em específico, e quando cheguei ao final descobri que Dinah consegue nos enganar como um bom romancista de mistério.
Dinah também é muito boa para descrever cenas, talvez por que ela tenha nascido na Malasia. Tem horas que somos capazes de sentir o cheiro da chuva que cai na terra; das flores que desabrocham no jardim, ou da poeira que encobre os cômodos escondidos da casa.
Trata-se de um “novelão” à moda antiga, como há muito tempo eu não lia. Um livro para chorar, rir e torcer para que no final tudo dê certo para Gwen.

É fascinante, inteligente e aos moldes dos clássicos ingleses, talvez por isso tenha feito tanto sucesso por lá.


27 de jan de 2017

A Noite do Mi’raj

Autor:  Zoë Ferraris
Tradutor: Vera Whately e Cláudia Mello Belhassof
Editora:  Record
Número de páginas: 350
Ano de Lançamento: 2009
Avaliação do Prosa Mágica:  8


Existem histórias que nos deixam perplexos, não por sua criatividade ou estilo literário, mas pelo fundo de realidade que seus personagens contêm. “A Noite do Mi’raj” é um desses livros.
A trama nos mostra uma Arábia Saudita vista por trás dos véus e burcas das mulheres.  Uma vida sem “vida”, um eterno arrastar do tempo cercado de hipocrisia e falsa moral.
Nouf é a filha de 16 anos de uma rica família, que desaparece pouco antes de seu casamento arranjado. Seu irmão Othman contrata Nayier, um amigo que abraçou a cultura beduína, para que tentasse encontrar Nouf. No entanto, após um pequeno período, a garota é encontrada morta no deserto e Nayier conhece  Katya, noiva de Othman, que trabalha em uma espécie de IML. Juntos, eles percorreram os bastidores de uma cidade onde as mulheres não têm direitos, e vão desvendando o que se esconde por trás da morte de Nouf.
A trama nos mostra um Nayier que parte de princípios rígidos aprendidos em sua religião, e que vai se modificando ao conhecer a verdadeira realidade da vida das mulheres daquele país.  Tem uma passagem interessante na qual Katya exemplifica o drama daquelas mulheres:

“- Imagine se você não pudesse ir ao deserto – disse ela – Não pudesse nem mesmo sair de casa sem a permissão de alguém. Teria dinheiro e tudo mais, porem, se quisesse fazer alguma coisa, não lhe dariam permissão. A única coisa que poderia fazer era casar e ter filhos.” (pág. 249)

É um livro contraditório, que nos apresenta um mundo estranho. Um lugar onde as mulheres podem se vestir com joias, comprar roupas de marca, andar de jetsky, mas não podem exibir nada do que possuem, não podem conversar com outras pessoas, e nem mesmo ter a liberdade de sonhar com uma vida melhor.
Por que existe sim uma diferença bem clara entre o que prega a religião e a política dos países onde a maioria religiosa são os mulçumanos. Por mais que uma família seja liberal, suas esposas e filhas ao sair na rua estarão expostas as leis do país e a ignorância daqueles que não compreendem e não contextualizam as palavras da religião. Zöe Ferraris foi extramente feliz e engenhosa ao colocar este tema no livro.

“A Noite do Mi’raj” não é um livro genial, nem poderia ser. Não dá para se deliciar com uma história que fala sobre as injustiças e a degradação que as mulheres são submetidas por pura ignorância. No entanto, a autora no proporciona uma reflexão, e um eterno questionar: - O que podemos fazer para que esta situação mude? – Confesso que ainda não encontrei uma resposta, mas com certeza ela não poderá ser impregnada de intolerância e preconceito.