Há um ditado que diz “quem procura acha”, e foi o que aconteceu. Meses atrás do texto Doutor Fausto, de Christopher Marlowe me colocaram diante de uma adaptação muito boa. Não era a edição que eu queria, mas também, como poderia indicar a leitura de um texto se até nos sebos está quase impossível encontrá-lo?
A editora Difel possui uma coleção intitulada “O mais atual do Teatro Clássico” e o volume I traz duas peças de Marlowe: Doutor Fausto e “Dido, a rainha de Cartago.” Vou separar em dois posts por que cada uma destas peças merecem uma análise individualizada.
Alguns de vocês devem estar se perguntando: Quem foi Christopher Marlowe?
Quem assistiu ao filme “Shakespeare Apaixonado” deve se lembrar de um desafeto do autor que morre esfaqueado em uma briga na taverna. Este personagem é Christopher.
Marlowe nasceu em 1564, no mesmo ano de Shakespeare e é cercado de muitos mistérios e lendas. Diziam que ele era espião da Rainha Elizabeth II e delatava os delinquentes londrinos. Além disso, há histórias que afirmam ele ter pertencido a Escola da Noite, um misterioso grupo ligado a alquimia, a magia e a difundir os conceitos modernos de Galileu e Copérnico sobre a teoria do heliocentrismo. Afirmam também que ele recebeu de seu mestre o segredo da pedra filosofal. Mas tudo isso são histórias que não são confirmadas, ou talvez alguma sociedade secreta atual possa nos informar sobre isto.
O fato é que ele foi um dramaturgo brilhante e segundo alguns críticos, melhor que Shakespeare, sendo que este o superou apenas após a morte de Marlowe.
Doutor Fausto, ou como no português “A Trágica história do Doutor Fausto” foi a primeira versão para teatro da lenda alemã sobre o estudioso que vende sua alma ao diabo em troca de conhecimento e poder.
Na obra desfilam anjos, demônios e humanos que se encontram em profundo questionamento sobre o bem e o mal. Muito mais que isso, Fausto quebra o paradigma da criação do homem e sua natureza divina, quando joga sua eternidade fora para superar as limitações humanas.
Fausto desfruta de 24 anos de poder e satisfação até que o demônio volta para buscar sua alma e o despedaça em profunda alusão a divisão que o homem encontra dentro de si mesmo ao questionar e tentar superar seus limites.
Quem não daria a alma em troca de todo o conhecimento da Terra? É essa a questão discutida durante todo o texto e ao final você termina a leitura com a impressão que a resposta tem várias vertentes, assim como o mundo subatômico pertence à esfera de incerteza e do olhar do observador.
A tradução e adaptação de Luiz Antonio Aguiar está impecável. Não pense que encontrará um texto fácil pelo fato de ser uma adaptação. Aguiar conseguiu trazer esta tragédia para a linguagem atual sem perder o peso do original. Afinal, não dá para imaginar um Fausto fácil de ler como um gibi.
O outro texto “Dido, a Rainha de Cartago” será comentado em outro post.
Para saber mais sobre Marlowe e a Escola da Noite:
505 Grandes Escritores – Julian Patrick. Editora Sextante
The Secret History of the World, Jonathan Black. Editora Quercus
Acompanhe também a página da autora Deborah Harkness no facebook, que em seu próximo livro Sombras da Noite (Mesmo título do poeta contemporâneo de Marlowe, George Chapman, pertencente a Escola da Noite) algumas destas histórias como elemento de ligação da trama, conforme informação do site da autora.
Na internet há muita informação, as mais confiáveis estão em Inglês.









