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21 de jan de 2019

Onde a Cena acontece – Diário do Dragão


Quando criei minha trilogia Literatura & Champanhe o foco dos cenários era, com certeza, a cidade de São Paulo. Jane – a protagonista – vivia aqui, e boa parte do que vive se divide entre lugares na Lapa, Santana, Serra da Cantareira, Paulista e Jaraguá.
Cada um dos livros é baseado em uma cidade. O primeiro fica totalmente em São Paulo, com uma escapada para Campos do Jordão; o segundo se passa em Nova York e o último volta para São Paulo e Campos do Jordão.
Uma questão importante sobre o Diário do Dragão é a respeito da escolha de um dos cenários de conclusão trama - o Pico do Jaraguá. Ponto – o ponto mais alto da cidade de São Paulo (Há 1135 metros de altitude), localizado a oeste da Serra da Cantareira, em meio ao verde do Parque Estadual do Jaraguá.
A visão de lá é deslumbrante, por que você pode ver toda São Paulo de lá, com seu verde e mar de concreto. Além disso, o próprio Pico do Jaraguá pode ser avistado de quase todos os pontos da cidade.
Há uma antena bem no alto, e ao lado dela há uma longa escadaria que leva ao topo, permitido aos visitantes. Esta escadaria me inspirou a escrever a cena marcante que envolve Jane, Antonio e Victória. Infelizmente eu não posso comentar mais nada sob pena de fazer spoiler.
O Cenário é deslumbrante, e aconselho viajantes e moradores da cidade a frequentar mais o local, colocar a imaginação para funcionar e quem sabe, aproveitar a sombra de uma árvore para finalizar a leitura de meu livro.
Longa Escadaria ©Soraya Felix

Vista da Cidade do alto do Pico do Jaraguá ©Soraya Felix
Embaixo da Torre - Aqui acontece uma parte da história ©Soraya Felix

Embaixo da Torre - Aqui acontece uma parte da história  Foto:Soraya Felix

Área do Pico até onde carros sobem - Aqui acontece muito da ação do livro.  Foto: Soraya Felix
OBS: Fotos Pessoais - Não podem ser publicadas sem autorização

17 de jan de 2019

O Rei Artur




Autor:  Rosalind Kerven

Ilustrações: Tudor Humphries
Tradutor: Hildegard Feist
Editora: Companhia das Letrinhas
Número de páginas: 64
Ano de Lançamento Brasil: 2000



Mais uma surpresinha no Prosa Mágica. Sou fã de literatura infantil e infanto-juvenil, no entanto nunca publiquei nada aqui no blog. Então, este ano, decidi publicar resenhas dos livros que considero perfeitos, um verdadeiro convite para formar o novo leitor.
Vamos começar com uma história que amo em todas as formas possíveis, pois além de ser um clássico e ponto de partida para  muitas das melhores histórias atuais, também pode ser encontrado em uma edição linda, super ilustrada, e com recursos de “saiba mais”, na forma de notas curtas ao longo do livro.
O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, de Rosalind Kerven, em edição pela Companhia das Letrinhas, traz a história de Arthur e seus companheiros – Merlin, Lancelot, Genevieve, Morgana, Mordred etc – contada de uma forma adaptada para crianças e adolescentes. O livro foi dividido em capítulos que apresentam as principais partes desta lenda como a Távola Redonda, Excalibur, Os Cavaleiros, O santo graal, a morte de Arthur com texto de fácil leitura. Cada um dos diversos capítulos conta uma parte da história ricamente ilustrada, sempre trazendo notas aprofundando temas de interesse. A parte final do livro traz toda uma explicação sobre a dúvida que paira a respeito da existência de Arthur, onde seria Camelot e outras lendas de extremo interesse.
Para quem nunca ouviu falar desta história: Uther Pendragon, rei de Camelot, casou-se com Igraine e tiveram um único filho – Arthur – que foi deixado aos cuidados de Merlin, um mago muito poderoso. Quando Uther morreu, Merlin levou Arthur para requisitar o trono, mas extremamente ardiloso, plantou uma espada em uma pedra onde estava escrito que quem tirasse a espada dali seria o verdadeiro rei. Arthur tira a espada e construiu um reino de prosperidade e igualdade. No entanto, a inveja e a maldade sempre perseguem o bem, e Morgana e seu filho Mordred, que também era um cavaleiro de Camelot, tramam para matar Arthur. E, após anos e anos de lutas, feitiços, finalmente Arthur é ferido e levado pela dama do Lago.
É uma história muito bonita, que envolve não só lutas e feitiços, mas uma metáfora interessante do desenvolvimento da Inglaterra.
É um livro ideal para começar a introduzir a história do Reino Unido nestes tempos em que o assunto em pauta é se o Brexit sai ou não sai.
E vale a dica: o livro não é só para crianças (acima dos 10 anos), mas para todo adulto que ama esta história.
Boa leitura.

14 de jan de 2019

Minha doce livraria Cultura

Primeiramente quero alertar que não estou sendo paga para escrever sobre as livrarias. Decidi por minha conta e risco escrever sobre minhas grandes paixões, e começo por uma das livrarias que tem um significado muito forte em minha vida.
A Livraria Cultura sempre foi referência. Qualquer livro que eu não encontrasse em outro lugar, com certeza eu conseguiria lá. Era só ligar na Paulista e encomendar. Assim foi com Basarab Nicolesco e seu Manifesto da Transdisciplinaridade, Os Miseráveis, de Victor Hugo (Edição Portuguesa) dentre outros. Estou falando dos anos 90, época em que tínhamos muitas livrarias pequenas, na qual sentar-se em uma delas e ler era quase inconcebível e os grandes conglomerados não estavam presentes.
Com o passar dos anos, a Livraria Cultura começou abrir suas portas em outros lugares. Lembro-me de passar horas no Shopping Villa Lobos tomando café e me encantando com a quantidade de opções de leitura.
No entanto, a minha grande paixão nasceu em dezembro de 2008, no Shopping Bourbon aqui em São Paulo. Com a proximidade de minha casa, a minha frequência era maior. Durante muito tempo meu grupo de inglês se reunia lá, para tomar um lanche e treinar a língua da rainha. Eu sempre me antecipava e buscava novas publicações. Muitas das minhas paixões literárias nasceram deste garimpo que fazia toda segunda-feira.
No entanto, foi em 2011 que a livraria se tornou um marco especial para mim. Foi lá que surgiu o primeiro esboço de minha trilogia Literatura & Champanhe. Em meio a todos aqueles livros que pareciam (E ainda parecem) dialogar conosco, que as ideias sobre a trama começaram a tomar forma. Jane e Robert são netos da livraria, e lá viveram uma parte de suas aventuras, já que utilizava o café para escrever o romance.
Era o lugar ideal para que Jane e Robert tomassem forma. A energia de uma livraria, especialmente daquela, tem a força de nos impulsionar a escrita (ou leitura). Se existe algo de sólido nas entrelinhas de Literatura & Champanhe, Sombra da Meia Noite e Diário do Dragão, são as mesas, cadeiras, estantes, livros que murmuravam e me convidavam a viver outras vidas.
Livros lançados, a Cultura continuou fazendo parte de minha vida. Vivi histórias sobrenaturais, enredos alegres, dias tristes, encontros românticos, momentos de decisão...todos eles tendo como cenário a Livraria Cultura e como coadjuvantes os atendentes, sempre tão solícitos de lá.
Eu fico pensando quantas pessoas têm histórias para contar sobre livrarias, quantas delas vivenciaram momentos alegres nestes pequenos templos de cultura e prazer. É por isso que decide escrever sobre esses lugares, que fazem parte de minha vida desde sempre. Talvez por esse motivo eu hesite em deixar que me entreguem o livro em casa. Prefiro adentrar por entre as estantes, mesmo que o meu destino seja a seção de livros encomendados.
É por isso que eu não quero que morram as livrarias. Dá uma tristeza enorme quando uma delas fecha. É como se uma alma partisse e levasse com ela todo o conhecimento que poderia ter compartilhado. É como se seres vivos  fossem encaixotados e despachados para um depósito escuro e frio a espera que outra unidade ou loja os solicitasse. Livrarias mortas são vidas em suspensão.
Vou tentar contar algumas histórias que me aconteceram em minhas livrarias queridas, inclusive as que já morreram. A Cultura tem muitas, mas vou me limitar por aqui.
Eu gostaria de ouvir a sua história. Qual é a sua livraria predileta? Aconteceu alguma coisa interessante lá? Vamos declarar nosso amor incondicional a elas.

10 de jan de 2019

A Irmã da Lua


Autor:  Lucinda Riley
Série: As Sete Irmãs – Livro 5
Tradutor: Simone Reisner
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 592
Ano de Lançamento Brasil: 2018
Avaliação do Prosa Mágica: 10


Quando eu acreditava que Lucinda Riley não pudesse mais surpreender, eis que surge A Irmã da Lua. A quinta das irmãs D’Aplíèse é de longe, a mais leve e ao mesmo tempo mais confusa de todas. Tiggy é complexa, repleta de vida interior, espiritualizada e mágica.
Em sua busca pelo seu passado, Tiggy vai da Escócia a Granada, vivendo uma história cujos elos não poderiam ser mais dispares, e ao mesmo tempo reveladores de quem é essa personagem.
Tiggy trabalha com a natureza, e mesmo antes de partir em busca de seu passado, ela parece estar à procura de si mesma, de sua real identidade neste mundo. Nesta procura ela vai parar em uma propriedade nas Terras Altas, Kinnaird, e lá ela se depara com dilemas que envolvem não só sua vida profissional, como seus sentimentos.
É em Kinnaird que Tiggy conhece Chilly, um cigano, que a conduz no caminho de busca de suas origens em Sacromonte, Granada, banhada pelo talento de La Candela, uma cigana de personalidade forte e uma gigante no Flamenco.
E, não é só. Tiggy descobre sua vocação para a magia e a cura, herança de sua cultura cigana. E, quando esta busca acontece, você percebe uma Tiggy que vai desabrochando e se transformando na fortaleza que finaliza a trama.
E não é só o fato de Tiggy ser interessante que torna a história única. Lucinda começou a introduzir os primeiros nós que amarram a trama como um todo. Ally aparece na história; outro personagem citado no primeiro livro, surge também e tem um papel importante nesta trajetória da personagem.
Você percebe que a trajetória das Sete Irmãs está amadurecendo, se preparando para um grand finale, que ainda não conseguimos desvendar para onde nos levará.
Tem algo diferente na forma de Lucinda escrever, que extrapola a mera vontade de amadurecer. É algo premeditado, calculado milimetricamente para nos deixar loucos esperando por Electra, a sexta irmã.
Mas, também parece ter um toque pessoal, já que a autora revela em seus agradecimentos, que escreveu muito da história em um hospital, no qual passou boa parte do ano de 2017 internada. Experiências que transformam, que nos deixam mais perceptivos para o agora, para o imediato.
Em resumo, é um livro imperdível, mas que não deve ser lido em nenhuma hipótese sozinho. Ele só apresentará o grande sentido se for degustado após as outras quatro histórias, pois o que ele amarra depende de leitura prévia.
Mais uma vez parabéns a escritora Lucinda Riley, não só por seu talento, mas pela força e coragem de vivenciar esta trama em um momento que sua vida real também transbordava de drama. Mas, enfim, o que seria do escritor se não fosse sua passagem pela vida real?



Para saber mais sobre a série:

7 de jan de 2019

Dia do Leitor

Sacramental - Livro impresso mais antigo em língua portuguesa. Quase 530 anos de existência.

Um lindo dia para quem é leitor!!! Para quem ama a literatura como se ela fosse um parente mais que próximo. Um dia feliz para quem viaja sem sair do lugar, se apaixona por alguém que está no papel e para quem sabe que o sonho no livro se transforma em conhecimento na vida real, alto índice de empatia e acima de tudo uma vida menos estressada.
Eu acredito que algumas pessoas nasceram para serem leitoras, é genético. Nascemos com uma compulsão para a leitura e sem ela, é como se deixássemos de respirar. A maior parte, no entanto, vai se formando como leitor ao longo da vida. Os pais, a escola, um bom livro presenteado por uma amiga ou então um exemplar esquecido dentro de um trem de longas distâncias.
Ser leitor é se impressionar com a capa do livro, namorar as orelhas e depois, finalmente, se encantar com o conteúdo que tanto pode nos levar a uma vida de personagens fictícios, como pode nos levar a estudar o mundo, as pessoas e as coisas.
O importante para o leitor é a leitura, é aquele período em que nos desconectamos do mundo físico e habitamos outra dimensão. E ouso dizer que não importa o livro, por que cada um lê o que gosta, e cada um de nós possui singularidades que não nos permitem sermos iguais.
Ler é ser humano e principalmente, ser alguém mais completo, por que cada livro é um mundo diferente que habitamos.
Então, para você que é leitor, que hoje seja um dia repleto de livros e leituras.


O dia do leitor foi criado em homenagem a fundação do jornal “O Povo”, do Ceara, poeta e jornalista Demócrito Rocha, em 1928.  Um jornal conhecido por combater a corrupção e que possuía um suplemento que divulgava o movimento modernista literário cearense.