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22 de jul de 2019

Assassinato no Expresso do Oriente




Autor:  Agatha Christie
Tradutor: Archibaldo Figueira
Editora: Harper Collins
Número de páginas: 200
Ano de Lançamento Brasil: 2019 (Esta Edição)
Avaliação do Prosa Mágica: 10
                       

Agatha Christie é considerada a rainha do crime, publicou 79 romances e livros de contos e 12 peças de teatro. E, para espamto de muitos, também enveredou pelos romances românticos, e publicou 6 com o pseudônimo de Mary Westmacott.
Confesso aos leitores, que nunca tinha lido nada da autora, e depois de finalizar esta leitura estou me perguntando o porquê. A obra de Agatha Christie é uma escola para escritores. Mas, vamos ao livro.
O Assassinato no Expresso do Oriente é uma obra prima do mistério. Você não consegue descobrir o assassino sozinho, a autora não nos permite este privilégio. O autor dos crimes é revelado quase na última página, e você fica sabendo junto com os personagens da trama.
Não vou falar muito da história, por que ela é bem conhecida, já que a trama foi parar nas telas do cinema.
O que nos surpreende no livro de Agatha Christie é a capacidade de nos trazer elementos da cultura inglesa, sempre permeados por um pouco de fantasia e de ironias. Não é raro ver no “Assassinato no Expresso do Oriente” frases irônicas sobre detalhes da vida inglesa, que nos faz rir e dá uma leveza a obra. A autora brinca com sua cultura sem ser ofensiva.
O livro também apresenta um aspecto interessante, representado claramente pele divisão que existe no trem – a separação por classes. E também os estereótipos do italiano bruto, o americano falador, a francesa refinada, o russo soberbo, o inglês que não se mistura com outros etc. É delicioso ver a autora apresentar um a um dos personagens quando o detetive inicia suas investigações, e como as máscaras de cada um deles caem aos pouco, quando se mergulha mais a fundo em suas personalidades.
Agatha Christie - Imagem da WEB
Não considerei o livro como fruto de uma “cultura de massa” como muitos autores que pesquisei na internet descreveram. Por que cultura de massa não é simplesmente algo que todos gostam e consomem, mais é produto com baixo repertório, e isso significa pouca informação. E, pelo menos neste livro, Agatha Christie não  chega nem perto de um baixo repertório, muito pelo contrário, finalizamos o livro recheados de novas informações, que precisam ser decodificadas, por que não são dadas de graça para o leitor.
Enfim, Agatha Christie é para todos os gostos, e assim como eu, se você nunca leu nada da autora, “Assassinato no Expresso do Oriente” é o melhor inicio.

8 de jul de 2019

A Carta Secreta


Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 480
Ano de Lançamento Brasil: 2019
Avaliação do Prosa Mágica: 10
                       

Lucinda Riley tem um lugar especial em meu coração.  Cada romance, cada novo personagem sempre está repleto de emoção, de mensagens secretas que devem ser sentidas, e não analisadas.
A Carta Secreta é um romance diferente que me chamou a atenção pelo próprio fato de ter sofrido um “boicote” a ponto de ter sido tirado de circulação no ano 2000, por que a temática era sobre uma família real fictícia, e porque a família real Britânica, na data, sofria terrível rejeição pelo povo, por conta da morte da Princesa Diana. Assim, a própria Lucinda Riley sofreu na pele um pouco do que sua personagem passa.
 Anos depois, para nossa alegria, Lucinda traz o livro de volta, e podemos nos deliciar com este thriller.
Sir. James Harrison era um grande ator, que morre aos noventa e cinco anos e junto a ele um grande segredo vai para o tumulo. No entanto, existe uma carta cujo conteúdo poderá causar grande e irreparáveis danos. E então, um grupo de pessoas perigosas passa a perseguir e matar para destruir a carta.
No funeral, Joanna Haslam, uma jornalista, acaba se envolvendo na história quando vai fazer a cobertura do evento e encontra com uma senhora que lhe envia uma carta misteriosa e a partir daí, Joanna passa a buscar a verdade, e se envolver em um jogo de mentiras que colocará sua vida em risco.
“Vou lhe dar um aviso: vai ser perigoso, mas sinto que a senhorita é uma moça íntegra, e essa história precisa ser contada. Se eu não estiver mais aqui, fale com a Dama do Cavaleiro Branco. É tudo que posso lhe dizer por ora. Rezo para que venha a tempo”.
Joanna vai se aproximar da família de sir James, e é claro que varias relações importante irão surgir daí, e a história fica tensa, misteriosa e só se desvenda realmente no final do livro.
A Carta Secreta é uma livro muito diferente da forma como Lucinda Riley escreve, no entanto alguns temas são recorrentes como segredos do passado, casamentos e relações amorosas mal sucedidas.
Fiquei encantada com esta trama, e confesso que dá vontade de ler novamente para buscar detalhes, informações que sempre deixamos passar em uma primeira leitura.
É um livro que eu recomendo como leitura de férias.


2 de jul de 2019

PARIS É UMA FESTA


Autor:  Ernest Hemingway
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 236
Avaliação do Prosa Mágica: Divino
                       

“Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris, então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante.”

Por alguma razão que não sei explicar, amo a década de vinte do século passado. A informalidade “formal” que viviam os escritores, poetas, pintores e músicos. Uma década de efervescência cultural e profundas transformações do mundo, da arte e da forma como se pensava. Cada uma de suas obras parecem trazer um frescor do novo que se perpetua até os dias de hoje.
Paris é uma Festa, do escritor norte americano Ernest Hemingway é um diário desta vida. O autor nos fala de sua primeira fase em Paris, cuja pobreza financeira é evidente, mas com uma vida rica culturalmente e extremamente profícua em publicações.
Hemingway relata seus encontros com escritores como Miss Stein, Ezra Pound, Evan Shipman, Scott Fitzgerald dentre outros. Escritores de grande talento, que nos escritos do autor, se apresentam como pessoas comuns, quase iguais a qualquer um de nós.
Eu digo quase, por que a produção de obras de cada um deles dariam posts aqui para mais de anos.
Sem dúvida o encontro mais contundente foi com Scott Fitzgerald. A sensação que a leitura nos proporciona é que Ernest se transformou por inteiro ao se deparar com o estranho Scott.
Os relatos de Hemingway são vivazes, detalhistas, nos informam e ao mesmo tempo nos deixam curiosos para conhecermos mais, para que a pequena indiscrição do autor nos forneça tudo o que queremos saber.
Ler “Paris é uma festa” é quase um passeio por uma Paris que já não existe, cujos ecos históricos podem ser sentidos em suas ruas, cafés, praças, parques, construções e no rio Senna.
Ermest nos dá uma chave para compreender o porquê da década de 20 ter sido um dos momentos mais férteis do século passado.
Brindando com vinho tinto, branco ou champanhe, Paris é realmente uma festa que nos permite uma viagem, sem volta, a um joie de vivre que o século 21 nos tirou em meio a sua tecnologia e excesso de informação.
Jamais teremos a “elegance” desta época. Um brinde a Paris!

Mini Biografia
Ernest Miller Hemingway nasceu em 1899, em Oak Park, Illinois (EUA). Trabalhando como repórter, Hemingway alista-se no exército italiano em 1916 e é gravemente ferido na frente de batalha. Ao deixar o hospital, passa a trabalhar como correspondente em Paris.
Em 1954 ganhou o Nobel de Literatura. Em 1961,  Hemingway suicidou-se em sua casa de Ketchum, em Idaho.

1 de jul de 2019

Lá e de volta ao blog

Foto: Filme O Hobbit

Inspirada no Hobbit, de J.R.R.Tolkien, intitulo meu post de retorno. Parece mais uma brincadeira ficar tanto tempo longe do blog tendo tanto a falar. Mas como a jornada de Bilbo Bolseiro, muitas vezes a aventura nos tira de nosso conforto, nos põe em perigos, nos calcina com seu fogo e nos devolve totalmente transformados.
É desta forma que me sinto ao retomar o blog Prosa Mágica. Vinda de uma longa jornada que não passou nem de longe por Valfenda, mas que me manteve dentro das ruínas de Mordor por longos meses, cuja única luz me foi presenteada pelos livros que li.
Não se preocupem, queridos leitores, esta blogueira não foi atingida por nenhum pela espada de nenhum necromante, mas a mente foi obscurecida pelo massacre do cotidiano, que no final das contas me ensinou muito.
Li bem menos do que desejava, mas em sua maioria bons livros, cujas resenhas escritas tempos depois da leitura publicarei aqui. Ernest Hemingway, Lucinda Riley, Haruki Murakami, Agatha Christie, Adriano Calson dentre outros me fizeram companhia durante minha jornada.
Nas próximas semanas publicarei estas resenhas, com o compromisso de publicar o que está na lista de leituras como “A Amizade no Senhor dos Anéis”, “Silmarillion” etc.
Então, bem vindo de volta a minha Terra Média de leituras.

8 de mar de 2019

O Segredo de Helena

Prosa Mágica.

Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 464
Ano de Lançamento Brasil: 2018
Avaliação do Prosa Mágica: 9+
                       

O Segredo de Helena é um romance atípico de Lucinda Riley, por que a trama não é atrelada a fatos históricos, mas a vida corriqueira de personagens que se encontram em uma casa no Chipre, sabiamente chamada de Pandora.
O nome do livro também não é uma chave para desvendar a trama, nem tampouco o nome em inglês, The Olive Tree. Verdadeiramente estou me perguntando até agora por que escolheram este nome, mas não é isso que realmente nos interessa.
Helena é uma personagem muito humana, repleta de conflitos que vão se revelando ao longo da trama, como se ela fosse composta de camadas que escondem sua verdadeira face.
A trama toda começa quando Helena retorna a Pandora 24 anos após sua vida ter se modificado completamente. Na casa, tal qual o mito grego, Helena abre uma “caixa” que liberta todos os males que rondam a família que ele formou, e pessoas que a cercam
Não é um romance histórico, mas um drama psicológico, cujas cenas têm mais relação com o que se passa na cabeça dos personagens que nos cenários que eles habitam.
Lucinda se utilizou de um recurso que vi poucas vezes ser bem empregado. Em O Segredo de Helena, a autora faz uso de diversas vozes, tendo como guia Alex, filho da personagem, que vai dos 13 aos 23 anos, sob a perspectiva de seu diário, que amadurece no texto conforme o personagem também amadurece sua personalidade.
A autora usa de sua tradicional sensibilidade para tratar dos sentimentos e relações entre os personagens. E como sua marca pessoal, há casamentos desfeitos e amores perdidos.
Para quem está acostumado com o estilo Lucinda Riley o livro irá causar muita “estranheza”, no entanto a trama é tão boa que você se vê imerso na vida dos personagens e com uma vontade louca de ler tudo até o fim para saber onde a trama termina.
O que mais me encantou no livro foi que os personagens são tão comuns, tão cotidianos, pessoas que você poderia encontrar no supermercado, no cinema e que de repente começariam a contar seus dramas pessoas. Acho que a definição deste romance é esta: Uma conversa entre seres humanos que desabafam seus dramas.
Vale a leitura, e acreditem, quem já está acostumado ao estilo Lucinda Riley vai se beneficiar e se divertir muito mais, porque a “assinatura” como escritora está por toda a parte da trama, mas só consegue ver quem já leu todos os seus livros.
Chipre - Imagem do site VisitCyprus