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15 de jan de 2018

A Irmã da Pérola

Autor:  Lucinda Riley
Série: As Sete Irmãs – Livro 4
Tradutor: Viviane Diniz
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 528
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Eu creio que todas as vezes que leio um livro da autora Lucinda Riley fico em um dilema para escrever a resenha. As histórias são tão fascinantes, tão bem escritas, que tenho a sensação de estar escrevendo sobre a vida de alguém que existe de carne e osso, como se fosse uma fofoca. E é claro que desta vez não foi diferente.
Ceci é uma personagem marcante, de gênio difícil, confusa, possessiva, complexada e ao mesmo tempo completamente cativante. Um grande paradoxo.
Ela é a quarta irmã da série “As sete irmãs”. De certa forma, Ceci é quase gêmea de Estrela (A irmã da Sombra), que de repente se vê sozinha, sem Estrela para ampará-la e decide ir em busca de suas origens usando referências deixadas por seu falecido pai – Pá-Salt. Neste mergulho ao passado, ela passa pela Tailândia e conhece o misterioso Ace, um homem interessante que vai ajudá-la no inicio de sua busca e também será amparado por ela.
Broome - Austrália (*)
Depois Ceci (Celeno) vai à Austrália, seu país de origem, e lá conhece a história de Kity, sua ancestral, uma corajosa mulher que enfrentou todas as agruras de uma Austrália primitiva para manter o império de seu filho e seu grande amor, que não pode ser desfrutado a maior parte de sua vida.
De todas as irmãs apresentadas até agora, Ceci é a mais “vazia” e talvez por isso sua história nos encante, por que é nela que podemos ver a transformação se operando em seu ser, a cada página, a cada novo encontro. A Ceci que você conheceu em “A Irmã da Sombra” não será a mesma em “A Irmã da Pérola”.
O trabalho de pesquisa de Lucinda Riley é fantástico. Ela realmente mergulha fundo nas turbulentas águas que inundam a colonização e o fortalecimento da Austrália como nação.
Tailândia - Krabi (*)
Quando surgiu o primeiro livro “As Sete Irmãs” fiquei perplexa em imaginar que a escritora ficaria imersa em uma mesma temática por sete anos.  Parecia uma tarefa complexa demais e difícil. No entanto, o resultado é esplêndido, por que cada livro é uma pessoa completamente diferente, um ser humano com conexões e individualidades únicas.
Agora só nos resta esperar o próximo livro, que tratará Tiggy, a quinta irmã, da qual recebemos uma pequena “degustação” no final de “A Irmã da Pérola”, e da qual estou literalmente desesperada para ler.
Contando os dias para o novo livro. Que ele nos brinde ainda em 2018.

Livros da Série:


(*) IMPORTANTE: A imagens de Broome e Krabi foram retiradas da internet. Não estavam com o nome do autor. Por favor, se você sabe ou é autor destas fotos me informar para que possa dar os devidos créditos a imagem.

9 de jan de 2018

Origem

Autor:  Dan Brown
Tradutor: Alves Calado
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 432
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  9


Começar o ano publicando uma resenha como esta é um privilégio, não só por que considero Dan Brown um gênio da literatura – essa é minha opinião – como as reflexões que este livro nos proporciona são absolutamente construtivas.
Existe mesmo um Deus ou ele é criação do intelecto humano? De onde viemos? Para onde vamos? Se levarmos em conta a teoria de Charles Darwin, para onde a humanidade está evoluindo? São estas questões que perturbaram e ainda incomodam religiosos e filósofos, que movem a trama de Origem.
Alias, o nome Origem nos remete a denominação pela qual os acadêmicos conhecem a grande obra de Charles Darwin “A Origem das Espécies” e que parece ser a base desta história.
Dam Brown está cada vez mais hábil em nos envolver. É quase impossível descobrir a informação antes do tempo, ele apenas nos dará este alívio no final do livro. Você terá que ler até o fim para saber quem matou Edward.
A discussão entre ciência e religião é muito antiga e já levou muitos homens e mulheres geniais para a fogueira. No entanto, em Origem ela tomará uma proporção diferente. E, o mais importante, a história tem uma lógica e coerência  impressionante com os fatos,  não uma mera ficção sem base.
Quando você “ouve” os argumentos e finalmente descobre qual é a grande descoberta de Edward, fica perplexo, por que ele está certo, absolutamente coberto de razão. É só sair para as ruas e perceber que tudo o que ele diz é factível.
Não se trata de distopia – confesso estar cansada deste gênero literário - nem tão pouco ficção cientifica. Dan Brown assume o papel de seu personagem, e torna-se o futurólogo que antevê o futuro que nos espera. É emocionante!
Gostei das referências, que vai de Hall, o computador de “2001 uma Odisséia no Espaço” a obra de Isaac Asimov. As citações de frases do grande primeiro ministro Inglês Winston Churchill também são marcantes, inteligentes e contundentes como analise do mundo atual.
No entanto – e eu adorei isso – mesmo com tantas cenas de ação, Origem é muito mais um livro filosófico, reflexivo, antenado com conceitos modernos do disruptivo, conectivo e tecnofuturismo. É uma leitura que empolga, emociona e por que não dizer, nos modifica ao final.

É um livro que estou torcendo para ver nas telas do cinema.

8 de jan de 2018

Fim do período Sabático


Queridos leitores, Feliz Ano Novo. Vocês merecem uma satisfação pelo período mais que sabático sem nenhuma publicação aqui no blog. E foram longos cinco meses sem nenhuma notícia, sem nenhuma resenha.
Como todos sabem, perdi minha mãe para um câncer horrível de estomago. Um inimigo terrível e fatal, que sem nenhuma piedade maltrata, destrói e avilta o ser humano. Minha mãe foi mais que uma guerreira, mas o câncer foi mais forte e a venceu.
E, ao contrário do que pensava, agi como todo o personagem das centenas de livro que já li, me fechei no meu mundo. Fui deixando de fazer as coisas que mais gostava, e como ler estava no topo de minhas preferências, foi a primeira coisa que ficou de lado.
No entanto, por mais incrível que isso possa parecer, em meio a toda esta crise decidi que publicaria meu livro chamado TEMPO, que há muitos anos adormecia em um arquivo do computador. Trata-se de uma história de perdas, mas de coragem para vencer inimigos terríveis. Então, publicar Tempo foi, de certa forma, uma homenagem a minha mãe, por sua coragem em resistir até o último segundo de sua vida.
Coincidência ou não, a minha personagem também era órfã, e minha mãe Iraci, também perdeu a dela da mesma forma que ela se foi.
Não vou me alongar muito nisso. O que eu quero dizer é que estou de volta e pretendo escrever muito sobre os livros que li, sobre algumas séries que assisti, e quem sabe, publicarei textos inéditos de minha autoria. Mas, vamos “passo a passo”, como dizia o escrito encontrado em um caverna na trama de Kate Mosse – Labirinto.
Então, fica aqui o meu carinho de escrever novamente para vocês e a saudades de receber todos os e-mails que sempre vieram falando de meus posts.
Assim, vamos construir um caminho de bons livros. Amanhã vocês terão Origem, de Dan Brown; na próxima semana A Irmã da Pérola, de Lucinda Riley e depois  O Tempo entre Costuras, de María Dueñas.


Boa leitura!

20 de jul de 2017

O Hobbit

Autor:  J.R.R. Tolkien
Tradutor: Lenita Maria Rimoli Esteves
Editora: Martins Fontes
Número de páginas: 304
Avaliação do Prosa Mágica:  10


“O mundo está dividido entre aqueles que já leram “O Hobbit” e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram.” Disse o The Sunday Times. Impossível não concordar com ele.

Na prática quem me apresentou a obra de Tolkien foi o cinema, em uma experiência não muito agradável. A primeira vez que ouvi falar de O Senhor dos Anéis foi no lançamento do filme aqui no Brasil. A história me pareceu interessante e fui assistir logo que saiu. No entanto, confesso que não hora não gostei. O excesso de Orcs e outros bichos brigando, gritando foi uma experiência mais incomoda que agradável. No entanto, tempos depois, recebo de presente de minha tia o exemplar com a obra completa, e depois de um longo período olhando para aquelas mil e poucas páginas, começo a ler. Foi ai que a magia do autor explodiu em mil facetas. Um encantamento que me fez completar a leitura em 10 dias. Foi outra experiência, e confesso que fiquei ansiosamente esperando para assistir os três filmes. Quando acabou me senti órfã.
Passou-se um tempo, exemplares de O Hobbit brotavam nas livrarias. Um mais bonito que o outro. O filme estava chegando, e a editora aproveitou para relançar o livro. Sorte nossa como leitor. Como leitora compulsiva, comprei O Hobbit e ele habitou minha estante, por algum tempo, sem que eu lesse uma única página.
Recentemente, impulsionada pela leitura de Bewoulf (na tradução de Tolkien) finalmente O Hobbit saiu da estante para que me apaixonasse mais ainda pela obra do autor.
O Hobbit, para quem não conhece, é a história de Bilbo Bolseiro quando jovem. Até então, ele era alguém calmo cuja única aventura era fumar seu cachimbo e fazer bolinhas de fumaça. É quando entra em sua vida o mago Gandalf e os anões da companhia de Thorin que irão levar Bilbo a uma expedição repleta de aventuras e perigos, para um encontro com o dragão Smaug que roubou o tesouro dos anões e o guarda com avidez na Montanha Solitária.
Um enredo simples, mas que nas mãos de Tolkien se transformaram em uma obra prima.
Se me permitem, vou comparar o livro com o filme, consciente de que se tratam de duas matrizes de linguagem diferentes, e portanto são duas obras distintas que se complementam em alguns pontos.
Vou colocar meu foco principal em Bilbo, que no livro é bem mais discreto e profundo. Um herói que não se enxerga como um deles. Alguém que está mais focado no interior de cada um, na simplicidade do cotidiano como estar em casa, usufruir de um jantar saboroso, fumar seu cachimbo e olhar para seu lar limpo e organizado. Bilbo demonstra muitas vezes que conhece os sentimentos humanos muito mais que os Elfos, seres longevos; o mago, integrado com a natureza; e os anões, preocupados apenas com o material.
Nesta parte Tolkien é certeiro quando os divide em três classes distintas: - Elfos, que se consideram os melhores. Podem não ser os mais ricos, mas possuem “títulos” e são corajosos e sábios. – Anões, trabalhadores ávidos e grosseiros cuja única preocupação é os bens materiais; - Mago, cuja conexão com o mundo se dá apenas pela espiritualidade.
Bilbo se destaca destas três classificações, por que é um pouco de cada uma delas. É materialista, por que gosta de suas refeições, seu lenço limpo e sua cama aconchegante; É mago, por que possui em seu intimo uma conexão quase perfeita com o que realmente interessa na vida – o espiritual se refletindo na natureza e a compaixão pelo próximo; e é Elfo por que possui a coragem e a sabedoria de seres que já viveram por eras.
O Bilbo do livro não é exatamente o mesmo Bilbo do filme. No livro ele é bem mais real, plausível, próximo de cada um de nós. O filme destacou mais a aventura e deixou suas reflexões de lado. No entanto, esta visão complementa a leitura, mas não se basta sozinha.
O Hobbit nos prepara para O Senhor dos Anéis e, portanto, se você nunca teve a coragem de ler as mais de mil páginas, comece pelo Hobbit. Com certeza, o desafio de leitura será bem mais leve.
Em resumo, há muito que falar sobre O Hobbit, mas isto ficará para uma segunda resenha que virá mais tarde.

Aconselho a leitura e depois o filme. Com certeza uma experiência inesquecível.

26 de mai de 2017

A Árvore dos Anjos

Autor:  Lucinda Riley
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 496
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Eu acredito que todas as coisas mágicas aconteçam na época de Natal. O mundo e as pessoas parecem estar mais conectados com o bem, com o amor e com a vontade de tolerar o próximo. É como se um portal de luz se abrisse e todos transitassem entre dois mundos diferenciados.
A Árvore dos Anjos, de Lucinda Riley, é um destes portais que se abrem quando você começa a ler. Escrito no inicio da carreira da escritora e agora relançado, ele nos envolve com sua trama mágica que mistura amor, alegrias, tristezas, mistérios e um toque de terror.
Greta, a protagonista da trama, inicia o livro sem memória, sem saber qual foi o seu passado. Ao lado do encantador David, ela se dirige para o solar Marchmont, uma deslumbrante residência rural no País de Gales. É lá que Greta, após um passeio inocente, começa a destravar as portas de seu passado, que iremos saborear ao longo das páginas deste livro.
Greta se lembra da filha, e começa a descobrir o quanto Cheska é uma mulher fascinante e desequilibrada, que de certa forma, manipula os fios da trama de A Árvore dos Anjos.
É um livro que nos alerta o peso que as decisões têm em nossas vidas. O quanto o passado se reflete no futuro de forma a moldá-lo com seus braços de ferro. Durante toda a trama você se pergunta se o que acontece com Greta é total responsabilidade dela, ao mesmo tempo em que percebe que a personagem não tinha opção. Quem de nós não teria feito o mesmo?
Já Cheska no leva a pensar em quanto ainda estamos envolvidos com a beleza exterior, e por isso nos deixamos manipular por ela. O quanto atrás de um rosto de anjo pode morar um demônio das trevas. É profundo, questionador e ao mesmo tempo repleto de esperanças.
A Árvore dos Anjos tem um texto impecável, fluido em seu vai-e-vem temporal, característica forte da autora. Eu particularmente adoro tudo o que ela escreve.
Este livro de Lucinda Riley é para ser lido por quem gosta de refletir sobre a vida e sobre como mudá-la para melhor, mas também pode ser lido por quem quer apenas se distrair.
Neste período sabático em que fiquei afastada do blog por motivos familiares, período em que não conseguia ler nenhum livro, pois nenhum deles prendia a minha atenção, já que em minha vida pessoal eu estava vivendo algo mais intenso que um romance de ficção, foi um verdadeiro prêmio voltar a ler pelas mãos desta hábil escritora. E, confesso, só tenho agradecer a Lucinda Riley. Ler sobre as perdas, neste momento em que perdi minha mãe, aqueceu meu coração repleto de saudades.

Obrigada Lucinda Riley!

Monmouthshire, no País de Gales. Local se localiza o Solar Marchmont.