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Mostrando postagens de junho, 2026

Em São Paulo bate um coração apressado

“Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruzo a Ipiranga com a avenida São João...” Caetano estava repleto de razão ao cantar em verso e sentimentos esta cidade tão heterogênea e diversa que é São Paulo. No entanto, parte dos moradores de São Paulo não conhece bem as belezas escondidas que a cidade oferece. A correria do trabalho, dos afazeres tira o olhar atento ao que está por fora. Mas eu posso dizer “ah, se todas fossem igual a você. Ah! Que coisa mais bela, repleta de graça, recheada de múltiplos caminhos. Hoje, por aqui, descreverei um só. Nada substitui um passeio, quase sensorial de caminhar do Largo do Arouche e atravessar lentamente a Praça da República apreciando o lago, o jardim e aquele ar de antiguidade que hoje já é uma raridade no Brasil. É preciso certa cautela, sem dúvida,   mas vale a pena, principalmente se for um sábado ou domingo. Caminhar sem pressa, apenas ir sem destino. Depois seguimos, pode ser pela 24 de maio ou pela Barão de Itapetini...

A importância da literatura na minha vida

por Cloris Peres Surgiu por ocasião da escolha da minha profissão, eu mal tinha terminado o ensino médio, já me perguntava – qual seria a profissão que eu abraçaria no futuro? Um dilema na vida de todo estudante, que se sente indeciso para escolher um bom curso de nível superior, e no futuro se tornar um profissional qualificado na sua área de atuação.   Me recordo de ter optado por comunicação social, porque sempre fui muito curiosa, e também porque era uma forma de me manter informada dos fatos ocorridos na minha cidade e no mundo, fosse ouvindo noticiário, ou lendo um jornal diário. Exerci a profissão de repórter durante anos, diga-se de passagem, eu amava o que fazia, sabia a diferença entre informar e opinar, aprendi a ouvir, a checar, a cortar o que não cabia no espaço da página, o jornalismo sempre foi meu ofício. Mais tarde, senti necessidade de me tornar uma profissional mais qualificada, enveredei na área da publicidade e propaganda. A criação e a divulgação das...

Ouse ser diferente

Tem uma hora na vida das pessoas que elas precisam parar e refletir sobre si mesmas, o que fazem e onde desejam ir. São momentos de reflexão profundos, angustiantes e cheio de perguntas e na maioria das vezes, vazio de respostas imediatas e fáceis. Nestes momentos muitas vezes descobrimos que precisamos de um desafio bem grande, para fazer o marco entre o que éramos e o que queremos ser. É nessas horas que as pessoas se determinam a fazer coisas que irão mudar suas vidas como trocar radicalmente de profissão, correr a São Silvestre, escalar o Himalaia, atravessar o Canal da Mancha, mudar de país, largar o emprego, fazer um curso de gastronomia, sei lá, coisas que nos transformam radicalmente. É muito importante este processo. A determinação de vencer que adquirimos ao adotar um projeto desafiador promove transformações profundas em nosso ser. Ele nos tira do espaço estruturado finito que nos encontramos para nos relacionar com outros espaços, que despertará outros pensamentos, outr...

Convidados Prosa Mágica

Há tempos queria reiniciar uma série de publicações que contava com a colaboração de outros autores, jornalistas e pessoas comuns que estão conectadas com a literatura. Finalmente esse dia chegou. Inicio esta série com Ivan Hegen, que nos leva a refletir sobre a conexão entre a arte e as palavras. Algo que me encanta e que está presente na vida de muitos escritores. Espero que vocês gostem da série. Entre o cavalete e o pergaminho Ivan Hegen* Quando falamos mais de um idioma, percebemos com mais nitidez a arbitrariedade da relação entre significado e significante. Ao deslizar de uma língua para outra, constatamos a fragilidade com que tentamos, através das palavras, corresponder à realidade. A distância entre idiomas evidencia que não há jamais encaixe perfeito entre o referente e suas convenções linguísticas. Tal percepção pode ser ainda mais aguçada na mente de criadores que manejam duas expressões artísticas, ...

Adeus, China

Se você gosta de ler já deve ter ouvido falar no conceito de biblioteca de Umberto Eco. Aquela história que uma biblioteca pessoal deve ter muito mais livros não lidos, que os já lidos. A minha não chega a isso, mas tenho alguns exemplares que ainda não foram lidos, dentre eles estava “Adeus, China”. Estava lá, quietinho na estante. Nem tinha sido uma escolha minha no momento da compra. Dentro dele repousava um marcador novinho, de uma livraria que não mais existe: a Cultura. Semana passada estava sem nada para ler, olhei minha estante e pensei ─ Por que não? Peguei o livro e não parei mais de ler. Sensacional. O autor Li Cunxin é um bailarino de origem chinesa, que conta sua trajetória de vida que saiu da extrema pobreza em uma vila em Qingdao e viveu um sonho (não planejado) de ser um dos maiores e mais respeitados bailarinos de sua época. O texto fluido, as histórias que nos emocionam, a garra e a coragem dele nos leva a uma viagem na qual o final da trama é o que menos inte...

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