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1 de set de 2009

Crônica do Tempo

Era uma vez um Bardo, muito velho mais talentoso. Andava de vila em vila para cantar e recitar as estórias que acumulou ao longo de sua vida. A mais pedida era a crônica do tempo, que nunca para e cobra suas dividas com a loucura. Assim ele dizia:

Em um tempo muito distante, no qual as florestas ainda era verdejantes, havia pássaros que não vemos mais hoje e as pessoas pareciam ter tempo demais existia um menino chamado Tom. Ele, com seu cabelo dourado na altura dos ombros vivia a deitar-se debaixo das árvores e ver o dia passar.

Seus pais sempre diziam: - Tom, vá buscar água! Menino vê se faz alguma coisa. Mas não adiantava, Tom estava sempre lá, a olhar o dia passar sem fazer absolutamente nada.

Na verdade, Tom nem estudava, afinal ele pensava: - para que, poderia fazer amanhã. E assim ele seguia sua vida.

Neste ponto da estória, o Bardo geralmente enfatizava pois ai estava a mensagem da vida do menino Tom.

Então, um belo dia de sol, em meio as árvores, Tom saiu passear e mais uma vez, passar o dia sem nada fazer. Sua mãe muito zelosa disse a ele para pegar água, mas o menino fez que nem ouvia e foi-se embora pensando: - mamãe querida e amada, deixa a água para depois, a vida é bela e devemos viver cada minuto, amanhã eu faço isto para você.

Mas, o que Tom não sabia era que a vida que por vezes sorria não era tão amiga assim. Também não dizia para as pessoas que fizessem hoje, pois amanhã não teriam chance de fazer. Pois é, Tom chegou em casa naquele finalzinho de tarde e descobriu com dor no coração, um grito sufocado na garganta que sua mãe, querida, havia morrido naquela manhã ao buscar a água no poço que havia pedido a Tom.

Naquele dia, depois da tragédia que se anunciou, Tom aprendeu uma lição. Não deixar para amanhã as tarefas de hoje, pois muitas vezes não teremos a oportunidade de realizá-las e o peso e a dor de não termos feito, ou falado o quanto amamos alguém, carregaremos para o resto de nossa vida.

Sempre que contava esta estória, o Bardo cujo nome ninguém conhecia, dizia triste e saudoso:

- O tempo é uma convenção. Vivemos em um planeta, universo, cujo tempo se conta cronologicamente através da observação das trajetórias dos astros. Esquecemos, no entanto, que viajamos no tempo através de nossos pensamentos, lugar alias em que ele não tem começo nem fim. Também o tempo determina que a vida seja efêmera e que, aqui na terra, passemos apenas uma pequena parte da vida. Se não aproveitarmos cada momento para amar e organizarmos nossas vidas, seremos meros passageiros adormecidos da nave terra.

Assim dizendo, o Bardo se retirava e buscava outra aldeia, sem perda de tempo, mas muito triste porque um dia deixou de atender a um simples pedido de sua mãe.



Vale a pena ler sobre o assunto tempo no texto de Rafael Tonon.
A ilustração foi tirada do site Nitro Dungeun:

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