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18 de mai de 2010

A Morte da Ficção ou “The long short perpetual life of Fiction Books”?

A trama seria de um filme de terror. Abre-se Plano Geral de uma praça pública onde chameja uma fogueira. A câmera se aproxima e fecha em close. No foco um livro, já metade queimado no qual se pode ler “Os miser....”. Sadicamente, o diretor abre o foco e mostra centenas, senão milhares de livros sendo queimados. A sua volta pessoas pulam e dançam em uma cena dantesca. Qualquer semelhança com o enredo do livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, que foi transformado em filme por François Truffaut em 1966 não é mera coincidência.
Todas as vezes que leio entrevistas, ou trechos que se referem a pesquisas, como a que foi publicada no blog do tradutor Petê Rissati (texto brilhantemente escrito) eu literalmente lembro-me do filme citado no parágrafo anterior.
Tomei a liberdade de reproduzir a informação: “Uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura no meio universitário chegou a conclusões espantosas: trinta e seis por cento dos pesquisados nunca, repito, nunca haviam lido sequer um livro de ficção. Uma minoria lia um ou dois livros de ficção durante o ano. Um número grande lera apenas um livro a vida inteira. Estamos falando de universitários.”
Parece uma constatação normal, mas eu me pergunto: o que eles estão lendo? Livros didáticos? Gibis? Por que a leitura de ficção, hoje, em alguns meios é tida como menor enquanto o mercado mundial de livros deste gênero se amplia generosamente?
Como se não bastasse essa constatação, recentemente, tive a experiência com um grupo de adultos que se reune toda semana para estudar e literalmente abominaram quando foram solicitados a ler um romance, um livro de ficção e desenvolver uma resenha. Olhares diziam: - por que perder tempo lendo estas baboseiras?
Eu não sei o que acontece hoje, mas cresci lendo ficção. Meu pai incentivou com uma estante repleta de livros e com o exemplo. Meus professores incentivaram nos obrigando a ler, pelo menos um livro por bimestre e sem a xenofobia que existe hoje. Naquela época, da mesma forma que tinha a obrigação de ler Erico Veríssimo (O tempo e o Vento), tinha que ler Emily Bronte (Morro dos Ventos Uivantes). Eram tratados como clássicos essenciais para a formação do aluno. Ingleses, Franceses, Americanos, Brasileiros ...não importava, todos eram bons e literatura.
Seria um desserviço não falar sobre a importância na formação do ser humano que um livro pode proporcionar. A quantidade de novas informações, mesmo que em nível da fantasia, proporcionam ao cérebro muito mais conhecimento que horas de uma aula de português poderia nos dar. Mesmo porque, ler é uma aula de português pratica que ensina muito mais a escrever do que horas da monótona análise sintática.
O uso das palavras, das construções; as ideias, associações, podem alavancar uma mentalidade, transformar uma vida. Além disso, como dizem os poetas, os ficcionistas são antenas que captam o momento e transformam em fantasia. Muitas vezes você nem percebeu que o mundo está assim ou assado, mas o seu escritor favorito já colocou em um romance. Se isto não fosse verdade como se explicaria toda a obra de Julio Verne?
Então, deixando o tom sombrio, atolado de subentendidos, por que você não começa a ler ficção? Do que você gosta? Guerra? Vampiros? Amor? Aventura? Na livraria da esquina, na banca de jornal, no sebo, está cheio de emoções te esperando.
E, citando, sem ser literal, a fala de uma personagem que adoro: a única coisa que fiz bem foi ser uma leitura ávida e devoradora. Ninguém ganha uma medalha por isso.
Eu digo e repito. Nenhum poder sobrenatural, beleza, dinheiro sobrepuja a capacidade do ser humano de se deleitar com a leitura. Mas, se é para reclamar, então faço minhas as palavras de Bella Swan....continuarei sem as medalhas.

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