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7 de mar de 2011

Razão e Sensibilidade

Jane Austen é um ícone da literatura inglesa, de tal grandeza talvez só comparada a William Shakespeare. Praticamente sem a descrição de um único beijo ou abraço mais ousado, as cenas de amor são marcantes, extremamente fortes e eternas.
Ela nasceu em Steventon, Inglaterra no final do século XVIII e morreu no início do século XIX, em uma vida curta, simples e repleta de engenhosidade. Não se sabe muita coisa sobre ela, o que não é estranho, já que a mulher, na época, tinha um papel muito secundário na sociedade, funcionando muitas vezes como uma “bolsa de valores”: quanto mais alto o dote, mais alto o padrão de marido que encontraria.
Jane Austen foi uma destas figuras que transgrediu os padrões através de sua arte. Sua engenhosidade só foi reconhecida no século XX, quando se percebeu que ela tinha sido a precursora do romance feminino.
Seus livros são de fácil leitura, ao contrário do que muitos dizem. Mas, não se engane. Os textos são bem elaborados, repletos de metáforas e mensagens nas entrelinhas, como convém a uma escritora de sua grandeza.
Razão e Sensiblidade é considerado um dos melhores romances escritos por ela e a trama trata do casamento da protagonista, e todos os dissabores, alegrias e intrigas ocorrem em torno deste assunto. No caso de Razão e Sensibilidade a história vai um pouco além.
As irmãs Dashwood perdem o pai, e como a lei na época garantia a herança aos filhos homens, todo o dinheiro vai para o meio irmão, que se compromete a ajudá-las, mas induzido pela esposa, submete-as a um dote muito pequeno e se vêem obrigadas a mudar de uma casa confortável para um chalé modesto em outra cidade.
A irmã mais velha, Elionor, é racional, comedida, mas apaixona-se por Edward, irmão de sua “cunhada”. A irmã Marianne é apaixonada, vivaz e espontânea acima do normal para a sociedade daquela época.
Toda a trama é construída encima dos preconceitos da sociedade e dos casamentos que deveriam ser feitos por interesse. Marianne é abandonada, Elionor se sente traída e ambas traçam um caminho que, a primeira vista parece sem solução.
É claro que ao final o amor vence e ambas as irmãos serão felizes com seus escolhidos. Jane Austen consegue fazer uma crítica severa a sociedade inglesa. Lá, a mulher servia de mercadoria, ou melhor, uma espécie de bolsa de valores. As que possuíam dotes maiores conseguiam casamentos melhores; as que não possuíam posses estavam fadadas a casamentos ruins.
Além disso, Austen põe em questão o amor e até onde as pessoas vão para realizá-los, em um contraponto interessante dinheiro/amor. No caso do livro Razão e Sensibilidade há uma lição de moral por trás da trama, quando Marianne é rejeitada por um nobre que se recusou a abandonar suas posses por ela e ao Coronel Brandon, detentor de muitas posses que se casa com Marianne por amor.
Quem viu a versão em filme percebe muito bem este “castigo” ao personagem que preferiu o dinheiro, quando ele observa, ao longe, o feliz casamento de Marianne com o Cel. Brandon.
Já que falei no filme, a versão de 1995, com direção de Ang Lee e com os atores Alan Rickman, Kate Winslet, Emma Thompson, Hugh Grant é fantástica. O filme respeita o ritmo do livro, com interpretações acima de qualquer suspeita. Vale como complemento a leitura.
O livro e consequentemente o filme é algo para se ler e reler, mas recomendo paciência e observação na hora da compra do exemplar. A edição bilíngue é muito ruim. Então, se puder leia em inglês ou faça uma busca na internet por outras edições em português. Há algumas opções interessantes.
A essencialidade da leitura de Austen está nos detalhes, na delicadeza dos diálogos, no amor que geralmente envolve e liga as mulheres na trama. Ler Jane Austen é uma viagem no tempo.

Foto: Filme

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