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22 de fev de 2012

Festa no Covil

Quando você pensa que já viu tudo em literatura, aparecem histórias como esta. Juan Pablo Villalobos nos surpreende com a temática que vai nos levar de uma história ingênua ao mundo do narcotráfico.
Qualquer semelhança com problemáticas brasileiras não terá sido mera coincidência, mas uma irmandade imoral e criminosa.
Por que digo isso? Por que o narcotráfico é uma problema que assola o Brasil, nossas crianças e consequentemente qualquer futuro que elas possam sonhar.
Em festa no Covil, romance de estréia do autor,  a vida de um poderoso chefe do narcotráfico, “El Rey” é narrada por seu filho, Yolcault.
O garoto não tem idade definida, mas é esperto e curioso. Trancado em um palácio, não sabe nada sobre seu pai e, a meu ver, da vida fora daqueles muros.
Seu passatempo é investigar tudo que está investido de uma aura de mistério. Além disso, coleciona chapéus e palavras difíceis, que procura no seu dicionário. Além disso, cultiva o sonho de completar seu minizoológico com um exemplar de um raríssimo hipopótamo anão da Libéria.
Problemas no México e revezes nos “negócios” do pai, leva Yolcault a um safári na África para capturar o objeto de seu sonho.
A grande questão do livro não é sobre a realização ou não de sonhos absurdos, mas a inconsistência de uma vida que não terá opções no futuro, a não ser assumir os negócios escusos do pai.
Narrado em primeira pessoa, o menino nos leva do riso ao constrangimento da vida no submundo. Você fica pensando quantos Yolcault existem nas favelas do Rio de Janeiro, e quantos “El Rey” estão por ai destruindo vidas.
O romance é pequeno em tamanho e grande em reflexão. Vale uma leitura atenta, despida de preconceitos. Por que o mundo não é feito apenas deste tipo de realidade, mas ela existe e deve ser pensada.

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