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7 de mai de 2012

Esquece tudo agora

“Ele escolheu o progresso da alma. O acúmulo de boas ações, a felicidade, o agora. Nem o assombrava o passado, nem o atormentava o futuro. Meditava.” Assim começa o conto O Homem Feliz, de Marcelo Maluf, um refresco em meio aos questionamentos atormentados que permeiam o livro.
Diante do leitor desfilam todos os tipos (ou quase) de seres humanos. Não os que estamos habituados a leitura, homens e mulheres semi perfeitos, que não falam e não fazem nada que não seja politicamente correto ou aceitável. No texto fluente e quase poético de Marcelo se desnudam mulheres mortas na calçada, ladrões, terroristas penitentes, monges e alguém que se lembra do único presente recebido de uma mulher chamada Abigail: Um pote de azeitonas pretas.
Um dos mais ingênuos e poéticos de todos os personagens é o homem que se gaba de cortar a mortadela muito fina, quase um tecido transparente. Irineu Velásquez é antes de tudo um alter ego dos escritores, um homem que usa a precisão de sua navalha para cortar palavras, suprimir ideias até que o essencial possa resplandecer-se. Ou talvez, quem sabe, Irineu seja apenas um preparador de textos detalhista em excesso que não consegue ser escritor. Sei lá.
Esquece Tudo Agora é um passeio impossível de ser feito em um único fôlego, sabe aquela ânsia que lemos um romance até o final, mesmo que os olhos pareçam carregados de chumbo? O texto de Marcelo Maluf é para ser lido aos poucos, em doses homeopáticas para que os efeitos de sua tessitura possam ser apreciados lentamente, assim como se deve beber um bom vinho.
É muito interessante a sensação de estranheza ao se deparar com os personagens, com os desfechos das histórias, não é algo que tenha encontrado em outro escritor. Falar das mazelas humanas não é algo fácil de fazer. Só para se ter uma ideia, já tentei ler o aclamado Acqua Troffana, da escritora brasileira Patricia Mello e até hoje, as primeiras cinco páginas são suficientes para que eu feche o livro e decida não continuar a leitura.
Já em Marcelo Maluf, as “mesmas” mazelas são tratadas de forma absolutamente humana, poética e por que não dizer, piedosa ou até surrealista como o conto do pote de azeitonas.
É um livro que vale a leitura de cada página, de cada palavra. Vale cada reflexão, sofrimento e estranhamento diante desta passarela imaginária na qual desfilam seus personagens.
O Homem Feliz? Com certeza sabe que a humanidade se compõe exatamente disso: A diversidade.
Eu recomendo o livro e a felicidade.

2 comentários:

Marcelo Maluf disse...

Olá querida, fiquei mesmo muito emocionado com suas reflexões sobre o meu Esquece Tudo Agora. Gracias pela generosidade das palavras! Abraço enorme. Marcelo

Marcelo Maluf disse...

Gracias, querida, pela leitura e reflexões generosas a respeito do meu Esquece Tudo Agora. Leitura de entrelinhas, de revelação. Abraço enorme!
Marcelo