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25 de jun de 2012

A tradição e o charme dos Sebos

Em geral, Sebos são uma tradição para boa parte dos amantes da literatura. Se não for pelo prazer de encontrar um volume já esgotado nas livrarias, ou pela vantagem do preço reduzido, mergulhar em um sebo é antes de tudo uma viagem no tempo.
Quem nunca se viu diante de um livro com 50, 70 anos de idade, repleto de manchas e uma obscura dedicatória de alguém que nunca saberemos quem é para outro alguém que o acolheu por anos ou quem sabe décadas em sua estante. Teria gostado do conteúdo do livro? Teria dividido com seus amigos em conversas de bares, cafés? Haveria relegado o volume a um lugar obscuro da prateleira, esquecendo sua existência até que uma faxina o tenha transportado para um sebo?
Quais foram os sentimentos desta pessoa ao ler aquelas páginas? Teria chorado? Algumas daquelas manchas seria uma lágrima que escapou de seus olhos? Ou, aquela ferrugem larga no meio do livro seria uma flor recebida de um amante?
Se não fossem apenas essas perguntas, ainda caberia saber se o livro viajou para outras terras; se acalentou o coração de algum moribundo, se foi a alavanca para o inicio de uma revolução ou se simplesmente arrancou risos da alma de alguém? Não saberemos. Apenas podemos vislumbrar passando nossos dedos levemente por estas páginas, tentando absorver uma energia, átomos de tempos que não vivemos. Este é o charme e o mistério dos sebos.
Eles surgiram no século XVI, na Europa, com a função exclusiva de fornecer papiros e documentos para pesquisadores. Mas a profusão dos livros foi modificando este perfil e oferecendo cada vez mais raridades que não poderíamos desfrutar de outra forma.
A palavra sebo vem dos tempos em que se lia a luz de velas. Nesta época as velas eram feitas não de cera como hoje, mas de elementos gordurosos que quando aquecidos derretiam e sujavam tudo o que estivesse a volta, inclusive as páginas dos livros. Então, os locais onde se vendiam estes livros ensebados, eram chamados de Sebos. Alias é interessante saber que todos nós que compramos livros usados podemos ser chamados de sebosos e quem comercializa é o sebista.
Em São Paulo há uma infinidade de sebos, principalmente no Centro da Cidade. Um paraíso que poderia ser mais bem explorado. A maioria deles peca pelo excesso de poeira, ácaros e a falta de organização dos volumes, além de funcionários que não conhecem literatura e parecem apáticos ao tesouro que está a sua volta. Há dois muito bons, não só em organização, como em atendimento. Lá sim podemos desfrutar de uma busca, um mergulho no passado. Um deles é a Livraria Brandão, na rua Xavier de Toledo o outro fica no primeiro andar de um prédio da rua Sete de Abril, que infelizmente não me lembro  do nome.
Quem nunca visitou um Sebo deve fazê-lo imediatamente e sentir o prazer da busca e do encontro. Foi em um deles que fui apresentada a Pablo Neruda e muitos outros autores que ficam escondidos nas prateleiras das livrarias.
E se você acreditar em magia, feche os olhos ao pegar em um deles, sinta-se integrado ao livro (por favor não respire fundo se for alérgico) e talvez consiga vislumbrar imagens, objetos que são partes do passado. Se você não acredita em nada disso, então vá pelo único e inenarrável prazer de descobrir algo que não está na lista dos mais vendidos, ou em qualquer coluna de critica literária.

Referências das Fotos e endereços de Sebos: Blog da Retro
A maioria envia livros pelo correio. Deixei de fora os sebos virtuais por que eles apesar de práticos, deixam de fora o prazer da presença física na hora da escolha do livro.

Um comentário:

Elias Leal disse...

Amei sua postagem amiga! sempre que posso vou no centro e visito sebos! são nos sebos que encontramos livros importantes e bem baratos!
Soraya fiquei muito feliz por você publicar um livro, desejo sucesso na sua vida amiga! parabéns!!!