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26 de jul de 2012

Augusto dos Anjos

Hoje apresentarei Augusto dos Anjos, o poeta pelo qual meu pai era apaixonado e do qual tenho uma edição que pertenceu a ele da Editora Nova Aguilar, de 1994.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no dia 20 de abril de 1884 e morreu em 12 de dezembro de 1914. Poeta simbolista, com traços marcantes do expressionismo, sua poesia nos apresenta uma imagética deveras assustadora e em determinado ponto cruel.
Suas referências quase sempre falam da desintegração, da morte, da finitude do ser. Em sua obra, Augusto dos Anjos pareceu vaticinar seu próprio destino: - Uma vida curta e ceifada pela pneumonia aos 30 anos de idade.
Transcrevo uma das poesias mais conhecidas e representativas da obra do autor.


"Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!"

 Ilustração: Augusto dos Anjos, por FTF, do blog Elfi Kürten Fenske

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