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7 de fev de 2013

O ser e seus significados

Foi assim que Fernando Adas definiu seu perfil de leitor, o livro como um amigo que você chama para conversar ao final de um dia inteiro de trabalho. Não poderia ser diferente.
Fernando Adas é um ser humano especial, refinado, cosmopolita e antenado com o mundo que o cerca. Formado em Marketing e Propaganda pela ESPM, atua Consultor de CRM da Fine Marketing. Já gerenciou projetos para empresas de porte, mantém um blog bem humorado e criativo sobre marketing e apresenta um programa sobre o mesmo tema na internet. Em resumo: Fernando faz de suas 24 horas no mínimo 48.
Foi um prazer entrevistá-lo já que Fernando além de ser um amigo de longa data, é um homem com diversos significados, com um campo repertorial enorme e impossível de ser contido em uma única entrevista. Vocês vão se apaixonar.
 
 
SF. Como é sua relação com a literatura?
FA. Em síntese, é uma relação tranquila  porém intensa, pautada por encontros diários de curta duração mas com boas trocas...
 
 
SF. Qual é o gênero literário de sua preferência? Quem você considera o expoente deste gênero?
FA. Por ser publicitário, valorizo textos curtos com elevado teor de informação. A capacidade de alguns autores dizerem muito em poucas linhas, me seduz.
Neste sentido, os contos e as crônicas são os meus gêneros preferidos e admiro a obra de Rubem Fonseca, Luis Fernando Veríssimo, Lygia Fagundes Telles. Martha Medeiros...
 
SF. Existe algum gênero literário que você nunca leria? Por quê?
FA. Não sei se rejeição viria de um gênero literário, mas sim de alguns autores. Devo confessar uma certa “má vontade” com os blockbusters e campeões de vendas...
Acho que a literatura deve ser degustada aos poucos pois seu sabor muda ao longo da relação que temos com o livro...
Não acredito na literatura que agrade a todos e dirija os leitores a um único caminho. Creio que o Jornalismo e a Publicidade cumprem esse papel.
 
SF. Você se lembra de qual foi o primeiro livro que leu na vida?
FA. O Homem Nu do Fernando Sabino e uma coletânea de contos conhecida como “Para gostar de ler”.
Agatha Christie também passou lá em casa, na minha adolescência...
 
SF. Houve algum livro em sua adolescência que marcou sua vida? Qual?
FA. Acho que algumas coisas de Jorge Amado mexiam com meus hormônios e esta era a minha principal referência como adolescente...
 
SF. Qual foi o papel da literatura em sua formação como ser humano e profissional?
FA. A literatura me ensinou a escrever com estilo. Na escola, aprendemos a redigir um texto, mas é a leitura que nos aprimora o manuseio das palavras, numa espécie de artesanato do texto.
 
SF. Quem são seus autores prediletos? Por quê?
FA. Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Luis Fernando Veríssimo.
Também me divirto muito com alguns publicitários ou jornalistas que encaram o desafio literários, tais como Martha Medeiros, Nelson Motta e Danuza Leão.
 
SF. O que te marca mais: A produção nacional ou internacional de literatura? Por quê?
FA. Gosto dos nacionais por refletirem a nossa realidade local e me darem um pouco mais de “conforto” cognitivo.
Raramente leio estrangeiros, a não ser nos textos mais técnicos na minha área de atuação.
 
SF. Você leu algum bestseller recentemente? Qual? Qual é sua opinião sobre ele?
FA. Não posso dizer que leio ou que li um deles. Mas best sellers ficam tão em evidência que somos tentados a “espiá-los” em trechos da internet ou resenhas.
Não tenho opinião particular sobre algum deles mas não me sinto atraído por literatura dirigida, aquela com pouca margem para interpretações variadas.
 
SF. Como você vê o panorama literário no Brasil? O que poderia ser melhorado?
FA. Sou pessimista em relação a este panorama que maximiza a literatura mais leve e lúdica.
Não significa que a literatura não deva ser divertida e prazerosa, mas sinto uma má vontade de leitores e, por consequência, de editores em investir em projetos mais autorais.
Vejo a literatura se aproximando do jornalismo, quando não da publicidade, o que não é bom pois traz ruídos nos papéis que cada ofício deve exercer.
Enquanto a Jornalismo e a Publicidade informam, a Literatura forma, desde que as mentes estejam abertas a isso, o que não vejo nesses tempos de internet e Google em que todos têm pressa.
 
SF. Você é um profissional de marketing, que argumentos usaria para convencer uma pessoa a adquirir o hábito da leitura?
FA. Acho que temos o hábito da leitura. O que nos falta é o hábito à boa leitura que, muitas vezes, também não se mostra tão acessível.
Creio que o trabalho deveria ser focado junto a editoras e livrarias, capazes de seduzir e motivar leitores a bons títulos.
O preço do livro também me parece pouco sedutor e as bibliotecas são pouco divulgadas.
Um plano de marketing capaz de motivar os leitores, passa necessariamente pela melhoria dos PDVs e da Propaganda de impacto ao consumidor.
 
SF. Caio Fernando Abreu tem um trecho que diz: “Você lê e sofre. Você lê e ri. Você lê e engasga. Você lê e tem arrepios. Você lê, e a sua vida vai se misturando no que está sendo lido.” Sua  experiência literária te leva a estas emoções? Como você vê este pensamento?
FA. Sem dúvida que sim. A Literatura me ensinou a pensar melhor, falar melhor e a escrever melhor. Minha visão de Mundo e das Pessoas se aprimorou através das análises das Capitus e dos Bentinhos que me acompanham há quase quarenta anos...


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