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4 de mar de 2013

A morte súbida de uma trama


Em Morte Subita, novo romance de JK Rowling, a autora definitivamente fechou as páginas de suas histórias para a magia. Na verdade, não há magia e nem charme neste novo livro e sim um desfile de pessoas egoistas, mesquinhas, esnobes e recheadas de preconceito, cujas vidas não interessariam a ninguém se não fosse contada pela autora de Harry Potter.
Infelizmente, o mundo real não tem o mesmo charme do fantástico, e JK Rowling não conseguiu brilhar neste livro que possui uma trama maçante, deprimente e exige um esforço extraordinário para se chegar ao final.
A história ocorre na bela cidade de Pagford e narra as consequencias da morte de Barry Fairbrother, um conselheiro importante, com força política e invejado por um grupo opositor.
O livro tem de todos os elementos que o tornam vulgar: estupro, suicidio, drogas, sexo, descrições grotescas e cenas improvaveis de violência domestica. É um livro para adultos, sem dúvida, um livro para quem sabe compreender este submundo, este lado sombrio que deixaria até o Lord Voldemore assustado.
A fraqueza humana  é tratada de forma tão esmiuçada que você, em determinadas partes, têm a sensação de estar assistindo a um telejornal B feito única e exclusivamente para se valer do sensacionalismo.
O ping pong entre as histórias de seus diversos personagens irrita, confunde e deixa muito a dever em maestria. Você fica com a impressão que a autora escreveu cada parte separada e foi encaixando sem a preocupação de uma coerência e coesão entre os pedaços.
Ao ler o livro tive a sensação de estar diante de um Big Brother literário, de estar observando a vida das pessoas através de cameras selecionadas. É como se a autora quisesse destruir qualquer imagem que o ser humano possa ter de bondade, companheirismo. Não há o bem e o mal, mas um “ninho” de pessoas cuja única vontade é fofocar.
A história só passa a ter algum interesse quando as duas facções começam a mostrar suas garras. Quando a ala preconceituoso, que quer varrer os desvalidos dos arredores, que deseja acabar com a única clinica para viciados se debate com a ala do falecido, que deseja de alguma forma promover o bem comum.
Não estou dizendo que escrever sobre a vida real, sobre personagens do cotidiano é algo ruim ou indigno. Victor Hugo fez isso, Franz Kafka e outros grandes autores desfilaram sua galeria de personagens de forma brilhante. JK.Rowling não consegue fazer isso. O livro precisa de esforço para ser percorrido, precisa de persistência.
O que mais incomoda no livro é a falta de profundidade que os personagens foram delineados. Você termina o livro sem os conhecer de verdade, sentindo a falta de “um algo mais”, um pouco de verdade neles.
Enfim, Morte Súbita foi decepcionante e está muito longe do talento que a autora nos apresentou ao escrever os sete livros da saga Harry Potter.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei muito da sua analise. Pena que a divulgação dos blogs sejam muito limitadas, mas sua analise deveria ser publicada na seção de literatura de qualquer grande jornal ou revista de circulação nacional.
Parabéns,
Luis