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23 de abr de 2013

As Violetas de Março


A Violeta-da-madeira (viola paradoxa) é uma flor que nasce sozinha, selvagem e que sobrevive as ervas daninhas, pois floresce entre elas. Assim é As Violetas de Março, de Sarah Jio, um livro que nos encanta exatamente por que nos aponta a beleza que há nas mais difíceis e penosas situações.
A trama deste livro pode ser observada de vários pontos de vista, mas a história de Emily Wilson, uma escritora de sucesso que renega sua escrita é a parte que mais me tocou. Ela nos mostra o como a trajetória solitária de um escritor é recheada de percalços, de dúvidas e que muitas vezes a escrita pode nos causar feridas ou saná-las.
Na verdade, as duas tramas se entrelaçam e você tem a sensação que ao final de tudo Emily fechará seu notebook tendo colocado um ponto final na história que acabou de contar. Às vezes você tem a impressão que Emily é Esther.
Então você percebe que As Violetas de Março é um mergulho psicológico onde a grande questão é o como lidamos com nossos sentimentos, com nossos medos e fantasmas. Além disso, Sarah Jio nos confronta com o peso que o passado pode exercer nos rumos de um presente em construção e nos leva a uma viagem interior, através do processo de cura das feridas que este mesmo passado causou.
Bainbridge Island
A ambientação da história é perfeita. Bainbridge Island é o local ideal para se encontrar um diário perdido, para se esconder segredos, para se começar um novo amor. Fica impossível imaginar tudo isso acontecendo em Nova York, por exemplo.
Fiquei com vontade de conhecer mais sobre a tia de Emily, Bee, uma das protagonistas do passado que tanto atormenta a escritora. Henry também é um personagem forte, mas Jack é alguém que eu gostaria que Sarah Jio tivesse escrito mais sobre ele. Ele aparenta ter segredos que não foram revelados no livro.
Viola Paradoxa
Em 14 de março Jack leva Emily para o local que seu avô costumava levar as garotas e acabam protagonizando uma das mais belas cenas que vi na literatura recente, por que carrega poesia, sentimento, delicadeza e ardor de um amor verdadeiro. Um alívio para quem já está saturado de cenas de sexo bizarro introduzidas pela publicação de Cinquenta Tons. Emily e Jack nos lembram os grandes romances do passado.
Outro detalhe importante a ser lembrado é a convivência que há entre os personagens mais velhos e os jovens, recheadas de respeito, amor e cumplicidade.
Enfim, As Violetas de Março é um livro para ler e reler; para quem gosta de romance e suspense; para quem ama coisas do passado mas adora viver o presente; e para os escritores, que na maioria das vezes se sentem sozinhos nesta jornada sem fim ao universo dos sonhos dos sonhos.
Balsa que os personagens atravessam para ir a Seattle.

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