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6 de ago de 2013

O Aprendiz de Assassino

Autor: Robin Hobb

Tradutor: Orlando Moreira

Editora: Leya Brasil

Ano de Lançamento: 2013

Número de páginas: 416

Avaliação Prosa Mágica: 8


Pode até parecer imaginação de escritora, mas é verdade. Boa parte dos livros que leio tem uma história por trás para contar, e esse não seria diferente. Inscrevi-me em um evento da Editora Leya Brasil há algum tempo, e para minha surpresa fui escolhida como participante, e eles me mandaram este livro para ler. Se eu pensar friamente, ele não teria sido uma escolha que faria deliberadamente na livraria, mas como sempre, as surpresas são sempre boas.
O Aprendiz de Assassino foi escrito pela conhecida autora de livros de fantasia chamada Robin Hobb. Isso mesmo, algo muito parecido a Hobin Hood, não só no nome, mas na legendária presença e ação deste herói da cultura Britânica.
O Aprendiz de Assassino não é o que o nome prega, não em sua essência, mas uma espécie de lenda que conta a história de um menino bastardo que vive em um reino muito estranho cujas pessoas levam o nome de suas virtudes, ou defeitos.
O que você pensaria se fosse uma criança que foi abandonada na porta de um castelo, filho bastardo do príncipe herdeiro, criado nos estábulos por um homem bom, mas severo, “descoberto” pelo rei aos 10 anos, atirado de repente em uma vida de estudos, que incluem as técnicas das ervas e dos assassinatos em nome do rei, e que de repente se vê as voltas com o ensinamento de uma técnica chamada Talento, um dom que o faz se comunicar com outras pessoas por pensamento, confundir a mente e mudar o rumo de tudo? E se o professor desta técnica usasse seus poderes para destituí-lo da vontade de aprender, por puro ódio e maldade? E se você descobrisse que o irmão do príncipe herdeiro tramou para matá-lo, mas você se encontra no último instante de sua própria vida?
É isso que o livro conta, através do diário deste “assassino”, são essas as emoções, as tramas que FitzCavalaria irá narrar, mesclando lendas e verdades sobre os Seis Ducados, o Rei Sagaz, Cavalaria, Veracidade, Majestoso, Bronco, Bobo e Galeno.
Os nomes são estranhos e confesso que dificulta a leitura. Apesar do aviso no final do livro, que explica o porquê de traduzir os nomes próprios e os topônimos, eu preferia que eles tivessem sidos mantidos no original. São nomes que na nossa língua parecem infantis.
A partir da metade do livro mais ou menos, a trama pega um ritmo alucinante, e você quer chegar ao final para saber o que acontecerá.
A autora tem um poder de descrição de lugares que muitas vezes nos faz enxergar como se estivéssemos dentro da cabeça dela, como se fossemos portadores do talento que ela tanto fala.
Por incrível para parece, o livro fala do senso de moral. Não estranhem. Mesmo falando de assassinos profissionais, treinados para matar a mando do rei, tanto Breu, o professor de assassinos, como Bronco e Veracidade, são pessoas que trabalham na cabeça do menino Fitz o sentido do que é correto ou moralmente errado.
Mais estranho ainda é que nosso aprendiz não comete nenhum assassinato condenável. O único que lhe foi designado ele rejeita, usando o aprendizado que teve com Breu, que o orientou em como tomar decisões em momentos difíceis e definir o que é certo ou errado.
Eu gostei muito de ler esta história. É o primeiro livro de uma trilogia e agora fiquei curiosa para saber o que vai acontecer.
Alguns personagens assumem um papel importante e de destaque quando o livro já passou da metade. Veracidade é um deles. No inicio você imagina que ele não terá nenhum contato com Fitz, mas o tempo vai passando e você percebe que ele é o único a gostar realmente do menino. O nome demonstra seu caráter.
Outro fato interessante é que no inicio você imagina que O Aprendiz de Assassino é um livro adulto, mas ao longo da trama você percebe que um adolescente pode ler tranquilamente. Mas é claro que estou falando de adolescente que gostam de livros mais elaborados.
Robin Hobb trouxe-me a lembrança dos livros de Charles Dickens, especialmente no livro David Copperfield. O que os diferencia os dois é a magia contida na trama, mas a carga emocional em apresentar um garoto rejeitado, órfão de pelo menos um dos pais, é algo que emociona.
Se você não for um leitor habitual de fantasia é possível que goste muito deste livro. Ele não nos remete a nada que tem sido publicado ultimamente. É diferente, por isso encanta. Tem o charme e a profundidade dos grandes autores clássicos de literatura inglesa, com a leveza que um livro pede nos dias de hoje.



Só como curiosidade. Participei do debate sobre este livro na semana passada, que ocorreu na editora Leya. Fiquei impressionada com a repercussão do livro e as considerações dos participantes. Um dos temas mais controversos foi a capa, que para a maioria é muito ruim, apesar de ter uma forte ligação com a história. O encontro foi divertido, e nos proporcionou uma oportunidade de conhecer a editora por dentro. É emocionante ver o que está por traz de cada página que trazemos para a casa. Fomos presenteados com alguns mimos, entre eles marcadores de página e um belíssimo big botton. Parabéns a Leya pelo evento que possibilita aos leitores falarem sobre suas opiniões e visões sobre o que leem e o que compram.




Foto tirada pela Tatiany Leite - Editora Leya

Foto tirada pela Tatiany Leite - Editora Leya



Literatura Relacionada

David Copperfield – Charles Dickens

2 comentários:

Nando Moraes disse...

A capa não eh "muito ruim" nada, é linda, cor muito bonita, que parece as vezes azul, as vezes prata, as vezes cinza chumbo.

Não sabem apreciar uma boa capa clara e leve.. limpa. Não aqueles muitos de ilustrações pesadas.

Incrível que a maioria tenha achado ruim.

Camila disse...

Oi, Soraya.
A gente conversou sobre esse livro naquele dia em que nos encontramos e fiquei curiosa.
Ainda não sei se vou me animar a ler, mas a dica está anotada.
beijos
Camis - Leitora Compulsiva