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5 de out de 2013

As Luzes de Setembro

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Eliana Aguiar
Trilogia da Névoa Vol III
Editora: Suma de Letras
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 232
Avaliação Prosa Mágica: 10

- O que faz um autor grandioso?
Tenho certeza que esta pergunta permanecerá sem resposta por muitos séculos, por que escrever é um ato tão interior, tão único, que qualquer tentativa de pontuá-lo com teorias seria frágil e injusto. No entanto, ao me deparar com o texto de Carlos Ruiz Zafón, fica muito difícil não defini-lo como o tal “autor grandioso”.
O nome de Zafón me chegava aos ouvidos através do livro A Sombra do Vento, que nunca li, e não havia me interessado. Algo nele me lembrava do desastrado “A menina que roubava livros”, uma das leituras que classifiquei como péssima, e isso me afastou de A Sombra. Só que nos últimos tempos uma amiga vem falando constantemente dele e decidi dar um crédito ao autor. Quem bom! Pois a leitura de Zafón me levou a terras da linguagem que eu sequer havia imaginado. E não é só isso, tomei consciência da injustiça em compará-lo com o terrível A Menina que roubava livros.
Comecei a ler Zafón por seus livros mais antigos, e As Luzes de Setembro, escrito em 1995. É o terceiro da Trilogia da Névoa, que na verdade pode ser lida em qualquer ordem pois cada livro aborda uma história diferente.
No verão de 1937, a viúva Simone Sauvelle, atolada em dividas feita pelo falecido marido, decide abandonar Paris e mudar-se com seus filhos Irene e Dorian para uma cidade no litoral da Normandia. Lá, ela começa a trabalhar como governanta de Lazarus Jann, uma fabricante de brinquedos que mora em uma mansão com a esposa doente. Apesar de tratar a viúva e seus filhos de uma forma Cortez, Lazarus esconde um segredo, que começa a vir à tona com a morte de Hannah, que trabalhava na casa, e com a investigação que seu primo e pescador Ismael começa a empreender.
Ismael e Irene se apaixonam, e aquele verão na Baia Azul e suas aventuras os acompanharão pelo resto de suas vidas.
Pela sinopse já dá para perceber que o livro é diferente. Não é tão juvenil quanto sua classificação tenta pregar, mas tem “um quê” de juventude, mesclada ao mistério e terror, com um fundo se surrealidade.
Na trama há uma sombra, um ser maligno que persegue e mata. Ao final da obra você percebe que o autor apresentou de uma forma metafórica a maldade que rondava o mundo naquela ocasião, as vésperas da II Guerra Mundial.
O livro é fascinante, profundo, cativante, envolvente. Você quer chegar ao final para saber o que vai acontecer. É impossível largá-lo.
Carlos Ruiz Zafón escreve as cenas de maneira fílmica, com um ritmo ascendente nas cenas de ações que de uma forma comparativa, poderíamos associar aos filmes de Indiana Jones. Veja bem, estou falando em ritmo, cadência e não conteúdo.
Também há um referencia forte do Fausto de Marlowe, só que neste caso o homem foi substituído por uma criança indefesa, maltratada e faminta que ingenuamente promete seu coração em troca de proteção. Só que esta pessoa, apesar de ajudá-la rouba sua sombra, que passará a persegui-lo quando Lazarus se apaixona e entrega seu coração a uma mulher.
O que é incrível em Zafón é a forma como descreve as cenas, na maioria das vezes com uma intensidade poética e metafórica tão grande, que causa estranheza diante das cena de terror.
O autor nasceu em 1964, o que me espanta. A forma como ele introduz a sombra que correu o mundo no pré-guerra, a sombra de um Hitler assassino, que em um primeiro momento se fez de salvador e depois colocou suas garras a mostra (no livro representado, a meu ver, por Daniel Hoffmann), é de quem viveu na época do ocorrido.
Mas, é como  disse, Zafón é um gênio nas metáforas, e pode ser que esta tenha sido a minha interpretação da trama e que você, leitor, encontre outras facetas que não consegui enxergar.

Eu recomendo a leitura deste livro, para jovens de 15 a 100 anos. Em cada fase da vida recairá um presente: - Aos adolescentes e jovens, a aventura e romance, para os adultos, as recordações e as metáforas. Se ele é um gênio? Só a história da literatura dirá, mas o que é um rótulo diante da grandeza deste texto?

Outros livros do autor:
A Sombra do Vento 
O Príncipe da Névoa (Trilogia da Névoa)
O Palácio da Meia Noite  (Trilogia da Névoa)
O Prisioneiro do Céu

5 comentários:

Roberta disse...

Mutio bacana, a resenha. Fiquei com muita vontade de ler!!!! bjs

Roberta disse...

Resenha muito bacana! Fiquei com muita vontade de ler este livro.

Soraya Felix disse...

Oi Roberta, o livro é muito bom mesmo, uma surpresa.
Obrigada por participar do blog. bjs

Max Moreno disse...

O livro já esta na minha estante "lacrado". ão vejo a hora de lê-lo ;)

Bjs

Max Moreno disse...

O livro já está na minha estante "lacrado" ;)
Espero lê-lo em breve.

Bjs