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12 de dez de 2013

A Christimas Carol *

De todos os clássicos da literatura, Um Cântico de Natal, do britânico Charles Dickens é um de meus favoritos, “tão favorito” que emprestei essa paixão a minha personagem Jane, em A Sombra da Meia Noite.
A Christimas Carol foi publicado em 19 de dezembro de 1843, há exatos 170 anos e sua atualidade é de tirar o fôlego. Charles Dickens escreveu essa história para ganhar dinheiro, pois precisava saldar dividas, algo comum e corriqueiro naqueles tempos em que os pobres e remediados ingleses eram realmente um classe de pessoas necessitadas. O fato é que nem ele poderia prever que este Conto de Natal seria uma dos maiores clássicos de todos os tempos vendendo seis mil exemplares no lançamento.
A história é simples, mas reveladora. Ebenezer Scrooge é um homem muito avarento que não tolera o Natal. É proprietário de um escritório em Londres e tem como empregado um homem pobre em dinheiro, mas com a alma feliz, mesmo tendo um filho com deficiência nas pernas.
Na véspera de Natal ele recebe a visita de seu ex-sócio Jacob Marley, morto há sete anos. Marley é um espírito sem paz, pois viveu de maneira errada durante sua existência, mas veio alertar seu amigo Scrooge para que ele se modificasse e pudesse ter uma morte melhor. Para isso ele deveria aguardar a visita de três espíritos.
Fantasma de Marley
Quando o primeiro espírito chega, Scrooge se depara com um fantasma com uma luz saindo de sua cabeça e um apagador de velas embaixo do braço. Trata-se do espírito dos Natais Passados, que leva nosso avarento ao início de sua adolescência e vida adulta quando Scrooge ainda amava o Natal. Ele se surpreende com a enxurrada de lembranças e se entristece, por isso enfia o chapéu na cabeça do espírito tentando apagar a luz.
O segundo espírito é o do Natal Presente, um gigante sorridente com uma coroa de azevinho e uma tocha nas mãos. Ele leva Scrooge para uma visita a comemoração natalina de seu funcionário, e mostra a alegria que existe naquela pobre casa. A tocha que o espírito carregava serve para dar um sabor especial aquela ceia. Ao final da jornada, o espírito mostra duas crianças terríveis que vivem sob seu manto: - a ignorância e a miséria, e pede aos homens que tenham muito cuidado com elas.
Terceiro Espirito
O terceiro espírito é o do Natal Futuro, e está envolto em um traje negro que oculta seu rosto deixando apenas sua mão aparente. Este espírito é silencioso, mas mostra a morte de Scrooge, uma morte solitária e sem amigos.
O Natal amanhece e junto dele um novo Scrooge, que passa a amar o espírito de Natal e a distribuir generosidades e ajudar ao próximo. Ele se torna um “segundo pai” para Tim, o menino com problema nas pernas e dizem que no mundo, nunca ninguém celebrou o Natal com tanta intensidade como Scrooge depois daquele dia.
Charles Dickens consegue nos passar uma imagem da sociedade do inicio da era Vitoriana, uma sociedade em expansão e recheada de pobreza e dor. A vontade de reformular a sociedade, sem no entanto se deixar parecer revolucionário é característica marcante de toda a obra deste autor.
Além disso, a história é repleta de sutilizas, críticas sociais e uma mensagem de amor e esperança em dias melhores.
Segundo Espirito
Esse conto já foi adaptado inúmeras vezes para filmes, desenhos animados. Até a série britânica Doctor Who levou ao ar em 25 de dezembro de 2010 um especial com esta temática.
É uma ótima opção de leitura para essa época natalina, e um presente sem erros. Para quem gosta de ler e sabe inglês há opção lindas, ilustradas e baratas. Para quem só lê em português as opções não são muito boas, mas servem para introduzir o universo da trama. Há também as opções de filmes e desenhos, para todas as idades e gostos.
Obra Original em Inglês
A Christmas Carol é um livro que nos faz repensar o verdadeiro sentido de Natal, e rejeitar o consumismo exagerado que se abateu sobre as pessoas nos últimos anos. É mais ou menos como se o espírito do Natal Passado viesse nos visitar.
Se você já leu, releia e depois me conte a experiência.

* Mantive o nome em inglês no título por que fica mais fácil encontrar as inúmeras traduções para o português, cada uma delas como um título diferente.

Um comentário:

Roberta disse...

Eu reli recentemente e também indico. É sempre bom relembrar o nosso compromisso com a generosidade e a compreensão.
Resenha muito bacana!!

bjs