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11 de jun de 2014

O Inverno das Fadas

Autor: Carolina Munhoz
Editora: Casa da Palavra- Fantasy 
Ano de Lançamento: 2012
Número de páginas: 304
Literatura Brasileira



Sempre que escrevo sobre literatura brasileira atual eu me surpreendo. Os quase desconhecidos autores são um prenúncio de uma literatura borbulhante, de uma trajetória em construção, de criatividade em ebulição como Wandria Coelho (Ritual do Espírito Maligno), Mari Scotti (Hibrida) e Petê Rissatti (Réquiem: Sonhos Proibidos). Tem os que já conseguem um lugar na mídia como Talita Rebouças (Fala Sério), André Vianco (A Noite Maldita, dentre outros), LeticiaWierzchowski (Sal, A Casa das Sete Mulheres), Eduardo Spohr (Apocalipse) dentre outros autores.
Todas as vezes que me deparo com um livro como O Inverno das Fadas, de Carolina Munhóz, eu me questiono o porquê desses autores serem tão geniais e ao mesmo tempo “desprezados” pelo leitor e pela crítica no Brasil. É uma questão quase sem resposta.
Carolina Munhoz me surpreendeu, principalmente depois que soube que havia uma crítica muito negativa a respeito da autora. Posso dizer que não concordo e acrescento que a autora é um talento em construção que em breve será descoberto pelos agentes literários internacionais (Se isso já não aconteceu e não estou sabendo no momento em que escrevo este post).
Montanhas da Cumbria-UK
O Inverno das Fadas é um livro repleto de magia, fruto de um trabalho de pesquisa apurado sobre as lendas da região da Cumbria, na Grã Bretanha, e sobre o povo Sídhes e sua ligação com os humanos. A trajetória da Leanan Sídhe Sophia, uma fada amante, que inspira artistas enquanto suga suas energias e acaba levando-os a loucura a morte é instigante, emocionante e cheia de surpresas.
No entanto, não podemos esperar que Sophia fosse uma Leanan Sídhe normal. Ela transgride a ordem de tudo. Suas diferenças começam com seu nascimento. Ela é fruto da desobediência da mãe uma Leanan Sidhe que se apaixonou por um Elfo. E, como a mãe, Sophia conhece o jovem e talentoso escritor William e acaba se apaixonando por ele. Ambos, a partir de então, passam a lutar contra suas naturezas, contra a morte Banshee e contra o que chamamos de destino.
A trama é criativa, diferente. Carolina consegue transformar a fórmula de casais impossíveis em algo delicioso de se ler, inusitado. Sophia é a anti-heroina. Uma mulher que traz em seu passado a morte de muitos artistas que a assombram em sua consciência, ao mesmo tempo em que ela é a amante que começa a descobrir o verdadeiro prazer de ser amada. O desenvolvimento de O Inverno das Fadas é surpreendente e o desfecho primoroso.
Carolina Munhóz cita algumas figuras conhecidas da mídia, nenhuma delas explicitamente. Seus nomes foram trocados, mas para quem ama ler e adora música, conseguirá identificá-los.
No entanto a autora ainda é uma escritora em inicio de carreira, seu texto ainda precisa da maturidade que só os anos de vida e de trabalho árduo conseguirão dar. Se você acompanha as biografias de autores verá que mesmo Carlos Ruiz Zafón, um gênio, só conseguiu escrever e lançar sua obra prima aos 37 anos (A Sombra do Vento), depois do amadurecimento pessoal e profissional e Carolina tinha apenas 24 anos quando lançou este livro. Veja bem, não estou dizendo que ambos são iguais, por que não são. Apenas comparo o que é inevitável no processo de amadurecimento da escrita:
- Tempo de trabalho, vivencia e amadurecimento pessoal que só virão com os anos de vida.
Existem erros como citar uma preferência por bolo de fubá em plena Cumbria, mas é algo muito pequeno se comparado com o todo da obra.
Outro ponto a ser ressaltado, e neste tópico ela se iguala em competência a J.K.Rowling, Eduardo Sphor e chega a lembrar R.R. Towlkien na capacidade de criar e descrever outros mundos, lugares que não existem a não ser em nossas imaginações. O binômio Reino das Fadas versus Reino dos Humanos é tão bem delineado que você que você fica com a sensação de estar vendo um filme.
Eu recomendo a leitura, principalmente aos leitores que amam fantasia. A trama é envolvente e a partir do sexto capítulo é impossível parar de ler. Carolina é tão boa quanto os autores internacionais neste gênero literário e isso eu não posso negar.

E, compreendo agora por que o autor Paulo Coelho citou a autora como um dos motivos de sua desistência de participar da Feira de Frankfurt, e polêmicas a parte sobre o “mago”, seu reconhecimento internacional e inegável e ser citado por ele é um privilégio que pode alavancar a carreira.

Livros da Autora:
A Fada
Feérica

6 comentários:

Mari Scotti disse...

Oi Soraya! Obrigada pelo carinho e por citar Híbrida <3 Sucesso! Beijo, Mari Scotti

Wândria disse...

Soraya, muito obrigada por ter citado meu livro!
Tenho fé de que um dia seremos todos devidamente reconhecidos! =)
Abraços.

Wândria disse...

Soraya, muito obrigada por ter citado meu livro!
Tenho fé de que um dia todos seremos devidamente reconhecidos! =)
Abraços

Camila disse...

Oi, Soraya.
Apesar dos seus elogios, continuo sem vontade de ler os livros da Carolina Munhoz, pelo simples fato de não gostar da atitude que ela tem em relação às críticas. Atualmente ela é autora da Rocco e já tem o seu trabalho devidamente reconhecido. Se é merecido ou não, isso eu não sei! hehehehe
Beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Soraya Felix disse...

Oi Camila, eu fico muito chateada quando descubro que um autor deixa o ego falar mais alto. Confesso que fiquei surpresa quando você me falou da primeira vez, mas fiz um tour e descobri que tem muito gente irritada com ela. Ainda bem que eu li o livro antes.
Bjs

Soraya Felix disse...

Wandria e Mari,
Adoro os livros de vocês e estou torcendo para que obtenham o sucesso merecido.
bjs