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8 de jul de 2014

O Anel do Magnífico


Autor: Agustin Bernaldo Palatchi
Tradutor: Gilson Cesar Cardoso de Sousa
Editora: Jangada
Título Original: La Alianza del Converso
Ano de Lançamento: 2010
Ano de Lançamento Brasil: 2013
Número de páginas: 464
Ficção Espanhola
Avaliação do Prosa Mágica: 8



Para os alquimistas e para os estudiosos desta ciência antiga, o opus nigrum é o processo de banir as sombras interiores dando espaço para a luz. Agustin Bernaldo Palatchi faz de O Anel do Magnífico (Editora Jangada) este processo através das palavras.
Sombra e luz se equilibram em uma frágil, porém instigante trama que ora nos obscurece a vista, ora nos banha de luz com sua criatividade.
É estranho e surreal, apesar de ser verdadeiro – um paradoxo, eu sei – é tão real que a trama é fruto de uma pesquisa histórica de cinco anos. E haja coração para suportar os altos e baixos que fazem parte da trajetória da humanidade.
Ambientada no final do século XV e inicio do século XVI, na resplandecente Florença dos Médicis, patronos das artes e da cultura, O Anel do Magnífico costura a história fictícia de Mauricio Coloma que se descobre descendente de judeus quando o pai, condenado a morte lhe revela sua conversão e um segredo, uma joia valiosíssima que o filho deverá pegar e fugir o quanto antes para Florença. Lá a joia deverá ser oferecida a Lorenzo de Médici e transformada em dinheiro para que o jovem possa reconstruir sua vida.
Em Florença, Mauricio acaba encontrando muito mais do que foi buscar. Lorenzo acaba protegendo o jovem e o ajudando a construir seu futuro. Lá ele conhece Lorena, o grande amor de sua vida, mas também se defrontará com o preconceito, a peste, a dor da injustiça e um passado longínquo que parece ter amaldiçoado toda a sua família.
Agustin nos dá o prazer de viver com personagens como Leonardo Da Vinci, Picco della Mirandola, Marsilio Ficino, Cristóvão Colombo, Girolamo Savonarola, Abraão Abulafi dentro outras figuras históricas que nos proporcionam uma outra forma do prazer de ler.
Também somos levados a conhecer os desmandos da Igreja Católica com padres ora interesseiros, ora obsessivamente moralistas, que não só rotulam o ser humano como pecadores incorrigíveis, como relega a mulher a um papel quase animal de procriadora e destinada única e exclusivamente ao oficio de educar sua cria.
Lorenzo de Médici: Autoria: Girolamo Macchietti 
Também nos apresenta a fanáticos como os “homens da Inquisição” e uma sociedade secreta denominada “Os Resplandecentes”, que apesar de ter como membros muitos padres, são adeptos de Satanás.
Mais uma vez a ficção nos mostra a triste perseguição aos judeus, perseguição esta que se perde no tempo, sempre fazendo uso de desculpas sem cabimento para suas atrocidades.
Agustin conseguiu costurar os muitos personagens e fazer conexões que transpõe as barreiras do tempo e vão se iniciar na época dos Cátaros, que alias, os capítulos que tratam desta parte são encantadores.
É eletrizante, é de nos deixar sem fôlego e muitas vezes furiosos com a hipocrisia social que perdura até hoje.
Particularmente gostei da Lorena, por que é através dos olhos dela que vemos as mudanças sociais em Florença, é através da exigências com as mulheres que vamos percebendo o cerco que se fecha em torno delas e que irá durar até quase a penúltima década do século XX.
Muitas vezes o autor nos confunde tanto que fica difícil distinguir o que é história real ou ficcional.
Não é um livro para se ler correndo. A trama tem que ser absorvida aos poucos, mesmo por que há muitas discussões filosóficas que devem ser compreendidas para que a leitura dos fatos faça sentido.
O processo do Opus Nigrum só acaba no final, quando seus principais personagens conseguem arrancar as máscaras da ilusão e enxergar a realidade. Quando o último recanto de sombra de cada um é banido,  a luz pode entrar e banhar as linhas finais.
Intrigada com o título brasileiro, já que no original o título é algo como  “O anel do convertido” acabei me deparando com a resposta em uma pesquisa sobre Lorenzo de Médici. Na época ele era conhecido como “Lorenzo il Magnífico” e o título em português acabou enfatizando mais a posse do anel pela figura história que pela família de Mauricio.
Eu adorei o livro e recomendo a leitura. Só como curiosidade, considero Agustin uma mistura de Marcello Simoni (O mercador de livros malditos) e Kate Mosse (Labirinto). Por um lado pela imensa capacidade de nos trazer o que há de mais obscuro na história e no caráter humano, e do outro pela imensa capacidade em costurar muitos personagens e interligá-los de forma inteligente e inequívoca.


Livros do Autor:
La Guerra Invisible – 2005
El Gran Engaño


Sugestão de Guia para Clube de Leitura

1. Como você vê o dilema de Mauricio quando se descobre um judeu convertido ao catolicismo?
2. Qual é o significado da esmeralda do anel?
3. Qual é o papel de Lorenzo de Médici na vida de Mauricio?
4. O que vc conhece dos Médicis de Florença?
5. Lorena é uma mulher avançada para a época. Quais são os tópicos que foram analisados sob o ponto de vista exclusivamente feminino através do olhar da personagem?
6. Como a revelação Flávia muda a perspectiva que avaliamos a personagem Lorena, sua filha?


Links:



Book trailer


Um comentário:

Camila disse...

Oi, Soraya.
Estou ficando bem impressionada com os títulos que a Jangada vem publicando. No início não coloquei muita fé neles, mas vejo que os últimos livros que eles lançaram são muito bons!
beijos
Camis - Leitora Compulsiva