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13 de ago de 2014

A Garota do Penhasco

Autor: Lucinda Riley
Tradutor: Henrique Amat Rego Monteiro
Editora: Novo Conceito
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 528
Avaliação do Prosa Mágica: 9

Lucinda Riley se transformou em minha leitura de cabeceira, isso não é segredo aqui. Desde a primeira vez que me deparei com um livro dela fiquei tão encantada que aguardar os próximos se tornou uma tortura angustiante. Felizmente depois de A Casa das Orquídeas logo veio A Luz através da Janela, A Garota do Penhasco, A Rosa da Meia Noite e o recém-lançado As sete irmãs.
Você deve estar se perguntando então, por que deixei para ler A Garota do Penhasco só agora?
- A resposta, querido leitor, é que talvez eu tenha deixado este livro para uma entressafra de traduções, e como ela não ocorreu, finalmente cedi ao encanto de ler este conto de fadas moderno.
A Garota do Penhasco é uma história fascinante de duas famílias irlandesas conectadas por um passado terrível e que a primeira vista parece cíclico. Grania Ryan, uma talentosa escultora, volta à casa de sua família na Irlanda para fugir de um grande desgosto que assolou sua vida. Lá, Grania conhece Aurora Lisle Devonshire, uma garotinha quase etérea, na borda de um penhasco em meio a uma tempestade. Esse encontro muda sua vida.
Grania descobre então que há um segredo envolvendo sua família e a família de Aurora e mesmo sendo advertida pela mãe a não se envolver com eles, Grania acaba apaixonada pela menina. Um tesouro de cartas antigas datadas de 1914 revelam um passado de sacrifícios, segredos e amor. A terrível I Guerra Mundial, o destino de uma criança abandonada aos cuidados de um Lord e o ballet, que parece estar no sangue daquela criança. E a menina Aurora parece ser um ponto chave que irá finalmente unir e sanar as dores dessas duas famílias.

A Garota do Penhasco é um lindo conto de fadas, mas não pense que vai encontrar o príncipe estereotipado, a princesa frágil e vilões cruéis. A trama é feita de seres humanos comuns que compartilham dores, amores, sonhos e renuncias, assim como possuem um lado obscuro e cruel dentro de si mesmas. A única criatura etérea é Aurora, a garota de 8 anos que nos conta a trama, e que acertadamente diz que se sente com 100 anos em uma das passagens do livro. Ela é adorável.
A escolha da narradora foi acertada. Por que Aurora parece estar acima de todos, como se fosse um anjo. E, através de uma visão inicial que parece totalmente infantil você consegue enxergar o amadurecimento da trama e dos personagens.
Lucinda Riley falou no blog Reflection of a Book Addict que Aurora é a primeira personagem que ela escreve que é puramente ela mesma. Isso é muito interessante, por que ela dá a entender na entrevista que passou por situações muito semelhantes a da personagem, e isso fica muito claro quando você perceber a força de sentimentos que a personagem nos oferece ao longo da trama.
A vida pode ser muito feia e cruel, e Lucinda Riley não nos poupa em nenhum minuto disso. Ninguém é totalmente feliz, todos possuem tristezas, duvidas e sentimentos que na maioria das vezes nos fazem duvidar da existência de algo maior que nós.
Grania, a escultora, é fascinante. Uma pessoa charmosa, mas enredada em sua própria trama de sentimentos, que ora demonstra uma capacidade de amor sem limites, em outras um orgulho que supera os limites da razão. Apesar de Aurora ser a narradora, é Grania o fio condutor da história.
Agora falando de bailarina para bailarina, Lucinda dá um tom de balé em A Garota do Penhasco. O livro parece dividido em sequências da dança com passos contínuos e cadenciados. Ora gira leve como um Fouetté bem feito, ora é alegre como echappés e changements, e ora percebe-se uma tristeza e introspecção ao flertar com um longo e generoso fondue.
Sinceramente, não tenho palavras adequadas para descrever o livro, de tão encantador, emocionante e profundo que é esta obra de Lucinda Riley. O que posso aconselhar é a leitura, não só de A Garota do Penhasco, mas dos outros livros. A autora é uma daquelas pessoas mágicas que tem a capacidade de nos elevar a outros planos, de nos tirar da terra e de nosso mundo, como se fizéssemos uma viagem virtual dentro da vida e corpo de outra pessoa.

Em A Garota do Penhasco você irá até a Irlanda, e falando sério, dá para sentir na pele os ventos gelados e o ar de maresia enquanto lê. É simplesmente genial.

2 comentários:

Camila disse...

Oi, Soraya.
Deixa eu perguntar uma coisa... Quando estivemos naquele evento com a Lucinda no Shopping Morumbi ela comentou que os livros foram lançados fora de ordem pela novo conceito. Por acaso esse é o livro que deveria ser lido depois de "A Casa das Orquídeas"?
beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Soraya Felix disse...

Oi Camila,
Na verdade este livro foi lançado antes de "A Casa das Orquídeas". Fora do Brasil ambos foram lançados em 2011.
Beijos