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16 de set de 2014

O Último Homem Bom

Autor: A.J.Kazinsky
Tradutor: Cristina Cupertino
Editora: Tordesilhas
Ano de Lançamento: 2010
Ano da Tradução: 2012
Número de páginas: 480
Avaliação do Prosa Mágica: 7


Pela primeira vez na história de minhas leituras eu gosto da trama e acho horrível o texto. Parece brincadeira, mas eu fiquei imaginando esta história nas mãos de outro escritor como Dan Brown.
A.J.Kazinski
O Último Homem Bom, de A.J.Kazinski, que por sinal não é uma pessoa, mas duas – os dinamarqueses Anders Rønnow Klarlind e Jacob Weinreich, se passa em duas cidades: - Veneza e Copenhague. A trama trata do mito judaico dos 36 homens justos que foram colocados na Terra para “proteger” a humanidade.
Na trama, o policial Niels Bentzon, alertado pelo também policial de Veneza, Tommaso di Barbara, começa a investigar uma série de assassinatos misteriosos que estão acontecendo ao redor do mundo com pessoas que, aparentemente, eram boas. Nesta busca Niels encontra a astrofísica Hannah Lund, que com sua genialidade o ajuda a desvendar parte da conexão que existe entre as mortes.
Subvertendo a ordem do gênero policial, Niels empreende uma caçada as pessoas boas, o que torna a obra eletrizante.
Sob certo aspecto o livro é uma decepção. Apesar do final surpreendente, ele não convence, não é verossímil, mesmo se você o comparar com literatura fantástica.
Na verdade a sensação é que os autores tentaram criar um novo gênero de romance que começa no policial e termina no fantástico, mas a tentativa ficou muito fraca e acaba incomodando muito mais que agradando.
A ideia da trama é genial. Homens e mulheres justos estão sendo mortos ao redor do mundo. Segundo o Talmude, essas pessoas são a sustentabilidade da Terra. Se todas morressem o mundo viraria um caos, ou então o próprio Deus deixaria de existir. Todos esses seres justos morrem com uma marca nas costas, que a primeira vista parece uma tatuagem e depois deixa a policia e médicos intrigados.
Pois bem, o que você espera de um storyline desses? – Um motivo convincente para essas mortes, não é? – Então, com certeza você vai se decepcionar, pois a conclusão da trama se não é fraca, é ingênua demais.
Só que existe um outro lado, uma outra forma de interpretar a trama que nos leva as raias da loucura, que nos faz enveredar no submundo da mente humana, na sociedade dinamarquesa e sob este ponto de vista você chega a conclusão de que os personagens sobrem problemas mentais gravíssimos e que toma a trama do livro é uma mentira.
Niels é um bom personagem e Hannah também. A construção deles está muito bem feita, assim como o rabino e o pastor, que são duas pessoas muito interessantes, mas o restante carece de realidade.
Sinagoga da trama
Eu li até o fim, por que é impossível não ler. Se você começar vai querer saber “quem está matando essas pessoas e por quê?”, mas o texto dos autores é difícil, não porque se trata de uma obra prima, mas por que é confuso, desconexo e detalhista em excesso.
Até a página 60 é possível relevar tudo isso, já que os autores montam o texto como se fossem recortes de jornal ou trechos de um inquérito policial, mas depois disso há passagens que se você deixar de ler não fará diferença nenhuma na compreensão da trama.
Outro detalhe irritante é que você consegue descobrir quem é o último homem bom lá pela página 150 e antes disso, o autor mata o principal suspeito.
Em minha opinião falta coerência, falta conexão e falta um final que realmente convença e nos compense a irritação da leitura.
Se você, como eu, gosta de uma história interessante, eu aconselho a leitura. No entanto, comece a ler O Último Homem Bom sabendo que o texto se arrasta ao longo das 480 páginas.

Se vale a pena a leitura? – Bom, só você pode me dizer, por que ainda não consegui responder a essa pergunta.

2 comentários:

vendedor de ilusão disse...

Olá Soraya!
Vim agradecer tua gentil visita e, digo de passagem: gostei muito do teu blog, tanto que já o sigo! Lendo aqui e ali, fiquei mais feliz ainda, quando soube que és uma autora como eu, de modo que, se não parecer a ti audácia minha, quero, se permitires é claro, um dia desses divulgar as tuas obras. O que me dizes? Entre em contato.
Abraço.

Camila disse...

Que pena, Soraya.
É muito chato quando a gente se decepciona com um livro. Eu ainda não conhecia o livro, mas depois da sua resenha não tenho a menor vontade de ler! rs...
beijos
Camis - Leitora Compulsiva