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30 de mar de 2015

Austenlândia

Autor: Shannon Hale
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Record
Número de páginas: 240
Ano de Lançamento: 2014
Avaliação do Prosa Mágica:  8


Em primeiro lugar quero me desculpar com os leitores pela longa ausência em publicar resenhas. Assuntos absolutamente pessoais me afastaram dos livros e consequentemente, passei um mês longe de minha grande paixão.
De volta, com força total, começo minhas resenhas com um livro leve, despretensioso, mas ambíguo na avaliação e analise.
Não é segredo para os meus leitores a minha paixão pela obra de Jane Austen, e isso se refletiu em meu trabalho como escritora. É por isso que me sinto muito a vontade em falar que Shannon Hale é, com toda a certeza, uma admiradora e conhecedora da obra de Austen. No entanto, é claro, há o distanciamento de mentalidade entre o que ela compreende de Jane e o que a autora realmente foi.
No entanto, isso não elimina a importância de Austenlândia. O livro é uma fantasia elevada ao quadrado, que pode e deve ser analisada do ponto de vista psicológico. E tentarei fazer isso.

Cena do filme Austenlândia
A trama nos conta a vida de Jane (Personagem), uma mulher de 33 anos apaixonada pela obra de Jane Austen e com uma fixação pelo Sr. Darcy (Convenhamos, quem não desejou encontrar um senhor Darcy que atire a primeira pedra). A fixação é tanta que ela parece não conseguir separar a fantasia da ficção e seus romances acabam caindo em finais traumáticos. Uma tia de Jane deixa como herança uma estada de 21 dias em um lugar chamado Pembrook Park, uma espécie de colônia de férias onde as mulheres vão viver suas fantasias “Austenianas”. Lá, as mulheres e homens se vestem e se comportam como se o tempo houvesse voltado para trás.
Quando Jane chega lá se sente completamente fora de sua realidade e demora em se acostumar com a farsa. Lá, atores são contratados para proporcionar uma experiência realmente verdadeira para aquelas mulheres que pagam fortunas por semanas de flertes e casos escondidos. Na verdade é constrangedor pensar na situação, por que as mulheres que vão a Pembrook Park parecem mal amadas e perdidas na vida.
Jane é diferente, é claro, e isso nos proporciona o choque de realidade entre o que foi a vida na época da autora e o que é possível fazer em dias de internet, liberdade feminina e 50 Tons de Cinza.
Não vejo problema em brincar com temas que abordem Jane Austen, mas é bom lembrar as leitoras que não a conhecem, que a escritora tem um papel fundamental como “retratista” fiel da vida e da sociedade na época em que viveu.
Não se pode comparar as regras sociais daquela época com o que pensamos hoje. É preciso um mergulho nos entornos que cercam a obra de Austen. Portanto, se você está esperando por reverências a autora, nem leia Austenlândia.
Este livro foi feito para divertir, e quem sabe questionar a fantasia maluca que muitas leitoras alimentam quando se fixam em algum personagem interessante e casadoiro.
Eu gostei de Austenlândia por que li sem nenhuma pretensão. Li por pura distração e a Jane da trama me fez mergulhar em outra dimensão. Agora, eu posso dizer que gostei do final. Foi criativo, e por que não dizer que, talvez se Austen fosse viva, ela daria o mesmo fim a sua homônima.
Só para que você não se assuste, o livro é juvenil. Shannon Hale não perdeu a mão para escrever livros adolescentes, e Austenlândia está longe de ser um livro para adultos. Mesmo assim vale a leitura.
O que ficou do livro? – Jane e o final delicioso e romântico. Bem água com açúcar para um domingo chuvoso como o que passou.


Um comentário:

Anônimo disse...

Já tem algum tempo, que também por falta de tempo, que é o que parece que tenho mais, não tenho visitado seu blog, mas ele esta lindo. Parabéns, você caprichou e além das suas publicações que são sempre uma aula de bom gosto e sensibilidade, esta com uma apresentação moderna e motivante.
Parabéns, continuo sendo seu fã incondicional.
Luis Antonio