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2 de mar de 2015

Híbrida

Autor: Mari Scotti
Editora: Novo Século
Selo: Novos Talentos
Número de páginas: 360
Ano de Lançamento: 2013
Avaliação do Prosa Mágica:  9,5


Mais uma autora que me deixa desesperada no final do livro. Eu não esperava por isso.
Híbrida, da escritora brasileira Mari Scotti é genial. Não é simplesmente um romance sobre vampiros, algo “água com açúcar” que “vai na onda” do sucesso de Crepúsculo. A trama é digna de uma autora que sabe o que faz. Sorte minha, pois é o segundo livro sobre vampiros escrito por uma brasileira que me deixa sem fôlego no último ano.
Hibrida é a história de Ellene, uma garota adotada por uma família de lobisomens e que cresceu acreditando que era uma loba também. Mas aos dezessete anos vê sua vida desmoronar.
Ellene também tem sonhos recorrentes com um homem que a assusta, mas ao mesmo tempo parece despertar nela sentimentos que vão além de sua compreensão.
Como pano de fundo há o grupo de vampiros e sua rainha seqüestrada há mais de 100 anos. Há Milosh, um vampiro apaixonado e fiel a sua rainha durante todo este tempo, mas que também sonha com uma menina de cabelos ruivos e conversa com ela através do pensamento e fica cada dia mais confuso com tudo isso.
A trama é complexa, por que te deixa sem pistas concretas para desvendar o segredo que se esconde por traz do desaparecimento da rainha.  Hibrida é uma mistura de romance adolescente, thriller, suspense e fantasia, tudo equilibrado na dose certa.
Eu fico muito feliz quando leio algo assim, um livro que emociona, que faz o leitor viver parte das cenas, que transforma o que é comum, “enlatado” em algo criativo.
Não há grandes delírios literários, não há excessos em Mari Scotti. A sensação que dá ao ler Hibrida é que a autora faz questão que a imaginação do leitor trabalhe e isso é delicioso.
Milosh é um caso a parte. Você tem vontade de conhecê-lo, de saber qual é o segredo que se esconde por trás daquela máscara de galã. O vampiro é um personagem muito humano e por isso difícil de entender. O amor que ele carrega por Elizabeth – a rainha desaparecida – é tão grande que Milosh parece um príncipe.
Heidi é alguém que se pode amar e odiar. Eu não gostei dela – não mesmo – Mari a apresenta como um personagem fugidio, alguém que se camufla e nunca  mostra quem realmente é.
Gostei do toque de feitiçaria na trama e dos poderes especiais dos vampiros. São bem mais consistentes que os dons de Alice e Edward em Crepúsculo.
Agora vou contar um fato terrível. Mari Scotti não tem dó do leitor, não mesmo. Ela montou um vai e vem maluco dos personagens. Ora você lê sobre Ellene, e seu coração vai acelerando até o ápice, então a autora muda de personagem e te deixa sem saber o que vai acontecer. Então você pacientemente acompanha a história do outro personagem que irá ficar sem final novamente. É fantástico... é enlouquecedor.
Com certeza a Novo Século tem que colocar uma tarja na capa do livro dizendo: “Proibido para pessoas cardíacas”. J
Enfim, Hibrida é leitura imperdível. Com certeza.
O que me deixa muito feliz é que a literatura brasileira vem cada dia melhorando. Cada dia mais autoras (Principalmente) escrevem histórias dignas da boa literatura britânica. Percebo também uma incoerência em tudo isso. As autoras que mais “fazem fama”, algumas até estão com seus livros vendendo em língua estrangeira, não são as melhores. As boas autoras, engajadas com um texto universal – sem regionalismos - estão espalhadas por sites de auto-publicação e algumas editoras “generosas” que aprenderam a olhar para o futuro. A Novo Século é uma delas.
Mari Scotti tem um futuro grandioso pela frente. A continuação de Hibrida sairá ainda este ano, e a segunda edição de Hibrida logo logo estará nas livrarias.
Estou aguardando com ansiedade.


Um comentário:

Mari Scotti disse...

So, obrigada pelo capricho na resenha e por tantos elogios! Você é uma querida e fiquei muito feliz em saber que gostou da trama.
Eu sou má, não posso negar, adoro deixar todos roendo as unhas de curiosidade, ansiedade, desespero e mais AUHAUH.
Beijão, sucesso!
Mari Scotti