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24 de mai de 2015

Colorindo a Vida


Ao longo dos séculos, muitos escritores se dedicaram também a arte do desenho e da pintura. Fazia parte da boa educação das melhores famílias. Em Orgulho e Preconceito a jovem Elizabeth Bennet é questionada pela tia de Mr Darcy sobre suas habilidades em desenhar. E esta falta em sua educação é mal vista pela mulher preconceituosa.
Alice, por Lewis Caroll
Grandes nomes como J.R.R Tolkien, Lewis Caroll, Willian Blake, Antoine de Saint-Exupéry, Edgar Alan Poe dentre outros, ou desenhavam nas horas de lazer ou ilustraram algumas de suas obras.
E, não são apenas escritores, mas os naturalistas, os ingleses em especial, precisavam retratar o fruto de suas pesquisas e a única forma era desenhando.
Não se sabe como,  mas desenhar perdeu seu poder e seu encanto em algum lugar no século XX. Hoje, a habilidade do desenho não é mais uma exigência de boa educação e esta arte passou a habitar apenas o mundo infantil.
JRRTolkien

Só que de repente parece que o mundo está descobrindo o prazer de colorir, e isso me dá esperanças que o desenho volte ao seu status original. O lançamento do livro adulto de colorir “O Jardim Secreto, de Johanna Basford” criou uma febre no mundo todo e desembarcou no Brasil em dezembro de 2014. – Eu comprei o meu assim que chegou a livraria.
Não creio que colorir seja apenas relaxante, mas uma forma indireta de dizer que precisamos um pouco mais que a tecnologia. Que estamos cansados de ver as cores pelo monitor do computador, do tablet, do celular, e que precisamos urgentemente usar nossas mãos para algo diferente da digitação e da movimentação de mouse e tela.
Todo trabalho manual nos proporciona prazer, um prazer simples e real. Talvez as pessoas precisem sentir novamente esta sensação em meio a virtualidade do mundo atual.
Há muitos títulos hoje no mercado, Floresta Encantada, Fantasia Celta, Mandalas Mágicas, Gatos (A ser lançado), A Árvore da Vida (A ser lançado) e o Jardim Secreto, só para citar alguns.
Vou falar apenas de 3 livros que tenho aqui em casa e pude experimentar o prazer da pintura.

O primeiro a ser lançado foi O Jardim Secreto, de Johanna Basford, da Editora Sextante.
O livro é um primor de desenhos. Todos muito detalhados e complexos. Nele, você participa de uma busca por elementos secretos através de suas páginas. É quase uma caçada ao tesouro. Belíssimo.

No entanto, apesar da beleza o livro tem alguns problemas técnicos. Um deles é o fato de muitos desenhos estarem colocados em páginas duplas. Seria lindo se a lombada não dificultasse a pintura, mas dificulta e muito. Além disso, o papel, que é dá cor correta para pintura com lápis de cor, não tem a qualidade necessária para quem gosta de caprichar um pouco mais. Tente fazer fundo nos desenhos e o resultado será no mínimo frustrante. O papel não tem a homogeneidade necessária para isso. Mas, tirando estes dois detalhes, é simplesmente delicioso passear por suas idéias.


Outro livro interessante é o Fantasia Celta, da Editora Alaúde, com ilustrações de Michel Solliec.
A idéia do livro é bem interessante.  Ele se baseia em elementos da arte visual Celta e fundamenta-se no Livro de Kells (século IX). Repleto de entrelaçados, volutas e imagens que nos remetem aos vitrais antigos, Fantasia Celta é simplesmente lindo.
A produção é impecável. Usa papel couchê fosco branco, evitando reflexos na hora de pintar, as folhas são brancas (Eu prefiro as de cor mate). O papel é de qualidade, facilitando trabalhos mais caprichados.
Fantasia Celta é um convite a um mergulho no passado. Gosto muito da cultura celta, principalmente por ser a fonte de muitas das histórias e mitos que adoramos até hoje. Só isso faz dele uma tentação.





Agora, no quesito perfeição encontra-se, A Árvore da Vida, de Christina Rose, da Editora Pensamento, a ser lançado em breve.
Testei o livro este final de semana e fiquei encantada. Em primeiro lugar por que os desenhos ocupam uma única página e no verso tem uma mensagem.
Pagina interna de a Árvore da Vida.
Cada folha tem uma linha de recorte, que você poderá destacar do livro e emoldurar. Um charme. Além disso, o papel usado é impecável. Fiz questão de testar o micro e o macro no livro e fiquei feliz com o resultado em ambos. O papel usado é homogêneo e não interfere na pintura de fundos e grandes áreas. Uma delicia quando você começa a exigir mais do que está fazendo.
Agora, falando da temática, ela é encantadora. Pássaros, árvores, troncos, caracóis, animais míticos e outros elementos que nos fazem sonhar enquanto pintamos.
De todos os três livros, sem dúvida o que mais gostei é a Árvore da Vida. Ele reuni qualidade, magia e uma beleza que me conquistou.
Página de abertuta de Árvore da Vida

E, como não poderia deixar de falar, qual é o lápis de cor que você está usando?
Algumas pessoas dizem que não faz diferença, mas faz sim. É claro que a febre dos livros de colorir fizeram aparecer muitas marcas de lápis que antes, ou habitavam os estabelecimentos da periferia da cidade, ou da rua 25 de março, aqui em São Paulo.
Eu continuo fiel ao Faber Castell aquarelado. Possui uma maciez maior, já que o pigmento do lápis foi feito para se dar aquele efeito de aquarela ao final do desenho, esses lápis são perfeitos para a pintura, pois deslizam fácil e proporcionam um resultado final de qualidade. Há outras marcas, e testei algumas e não gostei. O Maped comum não é bom. O lápis precisa ser apertado com força na página para que sua cor fique mais forte e vibrante. Comprei um outro, avulso, chamado Ecole Real que parece ser feito de cera e cera com um pouco de pigmento.
Então, se você vai começar a pintar agora, compre um lápis que irá te dar um efeito melhor, pois isso te proporcionará maior prazer. E, se como eu, você também se apaixonar. Prepara-se para ir em busca, não só de novos livros, mas de lápis avulso com cores diferenciadas.


Você já coloriu hoje?


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