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20 de jul de 2015

Origem: Um segredo que pode ser a nossa destruição

Autor:  J.T.Bannan
Tradutor: Martha Argel e Humberto Moura Neto
Editora:  Jangada
Número de páginas: 344
Ano de Lançamento: 2012/2015(Brasil)
Avaliação do Prosa Mágica:  7
                             

Em primeiro lugar eu gostaria de esclarecer que vou contar sobre a trama muito mais que costumo fazer em minhas resenhas, o motivo para me estender é que sem este extra, eu não poderia fundamentar minhas considerações sobre “Origem, um segredo que pode ser a nossa destruição”, de J.T.Brannan.
A trama é muito interessante e criativa. Começa na Antártida, onde a pesquisadora da NASA e seu grupo de trabalho descobrem um corpo com mais de 40 mil anos. Não um corpo comum, mas um homem com aparência moderna. Depois disso, a cientista Evelyn Edwards não tem mais sossego em sua vida. Passa a ser caçada como um animal, e quase sucumbe por diversas vezes. Junto a Evelyn se une seu ex-marido Matt (um descendente indígena), que usa de suas habilidades de rastreador para mantê-los vivos em meio a esta perseguição sem fim.
A história começa então a referenciar autores como Erich Von Daniken, Isaac Azimov, Dan Brown dentre outros. A história tem base no famoso “Hangar 51”, suposto depósito de evidências de vida extraterrestre. Junto a isso há uma trama envolvendo uma organização que está construindo uma poderosíssima máquina com a ajuda dos extraterrestres que poderá destruir a humanidade. E, para completar, a cientista promove um ato que tem toda a aparência de redentor.
Infelizmente não posso contar mais sem cair nos spoilers, mas já dá para começar a falar sobre Origem. A idéia central da trama é sensacional e a mistura parece bem equilibrada na referência a obras geniais deste tipo de literatura. Misturar Ets, pesquisadores da NASA, o CERN e um grupo de indígenas norte-americano é algo novo, e isso traz, sem dúvida um refresco em tanta mesmisse que tenho visto.
A questão sobre ética na ciência, sobre o certo e errado é muito interessante, assim como as passagens que envolvem a questão antropológica e cientifica que estão na base da trama.
Evelyn é o estereótipo do que muita gente acredita que uma mulher pesquisadora pode ser em face das exigências profissionais: - sozinha por que colocou o trabalho acima de tudo. Masculinizada até certo ponto e “sem sentimento”.
Matt, seu ex-marido, é o homem sensível, que tem sua vida desmoronada pela mulher que o abandona, e por isso vai fazer trabalhos perigosos que de certa forma, destroem sua vida. Um personagem interessante, mas que não foi bem aproveitado pela autora.
Então chegamos a um impasse: A trama é boa, muito boa, mas o desenvolvimento dela é mediano. Há excessos de cena de perseguição, excessos de descrições nestas cenas, muitos excessos que poderiam ser cortados dando espaço para a parte cientifica que é o que realmente nos interessa.
A ênfase na Organização que está por traz da perseguição chega a irritar muitas vezes. Jacobs, o presidente da organização, foi mal explorado. Não dá para traçar seu verdadeiro caráter, pois a abordagem dele, apesar de massiva, foi muito superficial.
Origem é um livro genial – não tenho dúvidas disso. – mas precisaria ser reescrito para que a forma se adapte ao conteúdo.

Recomendo a leitura sim. – Isso não é uma contradição. – A temática nova que surgiu deste festival de referências é bem interessante, e no final o faz refletir sobre os limites da ciência.  

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