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4 de set de 2015

O LIVRO DA VIDA



Autor:  Deborah Harkness
Tradutor: Márcia Frazão
Editora:  Rocco
Número de páginas: 560
Ano de Lançamento: 2015 (Brasil) 2014 (USA)
Avaliação do Prosa Mágica:  10+


O terceiro e último nó laçado pela tecelã-escritora Deborah Harkness não se encerra apenas no que comumente chamamos de ficção fantástica, mas na forma como ela encaixa demônios, bruxas e vampiros na vida cotidiana.
Com o primeiro nó, a autora nos apresentou a trama. Diana, uma historiadora da ciência, que encontra na Biblioteca Bodleina um manuscrito perdido e enfeitiçado. A Descoberta das Bruxas iniciou o feitiço. Dizem pela web que a o livro perdido de Diana foi espelhado no livro do astrônomo do século 16, John Dee que a autora encontrou acidentalmente na mesma biblioteca.
Com o segundo nó (A Sombra da Noite), Deborah nos levou em uma viagem no tempo, na era Elisabetana, em uma Londres cercada de charme, personagens famosos e da lendária e misteriosa Escola da Noite.
O último nó do feitiço poderoso nos trouxe de volta ao século XXI, em uma viagem que triangula entre a Inglaterra, Estados Unidos e França, cujo último movimento se dá entre dois pontos eqüidistantes: - Veneza e Chelm (Polônia)
A autora amarrou os nós desta trama de uma forma tão contundente que o leitor se torna prisioneiro dela, completamente vencido por seus personagens tão reais, por seu ritmo ora alucinante, ora lento como os ponteiros de um relógio que não quer avançar.
O recheio dos três livros é a expertise de Deborah Harkness em história da ciência. Mas é em O Livro da Vida, que o conhecimento passa a ter mais importância, se transforma em palavras chaves para desvendar um mistério que revela o segredo existente por trás das quatro criaturas: - humanos, vampiros, demônios e bruxas.
Deborah Harkness - Foto da internet
Alguns personagens que ficaram nos dois primeiros livros voltam a cena e passam a preencher um espaço que não poderia ser destinado a outros, senão eles. Chris, o amigo cientista de Diana, que apareceu em apenas algumas páginas do livro 1, agora passa a ter mais vida, e a exercer um papel de importância na vida da bruxa.
Gallowglass – lembra do que eu falei sobre ele na resenha de a Sombra da Noite? – pois bem, ele voltou e participa de quase todos os episódios importantes de O Livro da Vida. Cada vez mais apaixonante, cada vez mais encantador. Ele é o protagonista de uma das cenas mais lindas da história, tal a delicadeza, tal a intensidade das emoções empregada nas palavras da autora. “Ele aconchegou a cabeça da tia debaixo do próprio queixo. Ela podia ser a leoa de Mathew, mas de vez em quando até mesmo os leões tinham que fechar os olhos para descansar.” (p. 300) Não é apenas um jogo de palavras bonitas, mas o inicio de algo que possui forma e sentido. E olhe que estou fazendo um esforço enorme para escrever sem cometer um spoiler.
Não preciso dizer que a Diana do primeiro livro retorna. Com mais força e amadurecimento. A pesquisadora renomada assume novamente seu papel de protagonista da sua história, e o seu ar de “desastrada” parece corar esta aura que a personagem possui.
Philippe está muito presente na trama, e sua presença não se dá apenas pelo seu fantasma. Algumas vezes você tem a sensação que é ele o tecelão, que é o pai de Mathew que trama toda a trajetória dos personagens.
A rainha Ysabeau, se revela e você passa a entendê-la, em seus desvarios de vampira mandona, em sua sensibilidade pela falta do amado, e em sua necessidade de proteger a família.
Marcus nos deixa atônitos. Seu frescor se une a um senso gigantesco de justiça. É na fala dele que vislumbramos a vontade de lutar contra a injustiça e o preconceito. Marcus de certa forma representa o mundo ideal, o mundo onde não existe divisão de raças.
Enfim, a conclusão da trilogia não é fechada no sentido literal da palavra. O livro tem um fim, sim, com toda a certeza, mas o texto nos leva a refletir sobre o preconceito racial, sobre as injustiças e sobre a sede absoluta de poder que leva a guerras e a atrocidades.
É o movimento definitivo para calar os que acreditam em uma separação entre ficção fantástica e reflexão da realidade.
Deborah Harkness fez isso com maestria e deixará saudades e um vácuo enorme, já que Diana, Sarah, Gallowglass, Miriam e Marcus ficarão congelados para sempre nos três volumes da trilogia.

É para ler e reler incansavelmente.
Livros importados: A Discovery of Witches - Edição inglesa comprada
na Blackwells. Shadow of Night, edição internacional./ The
Book of Life - Edição Americana capa dura.

Minha coleção de livros nacional..




2 comentários:

Camila disse...

Eu morro de vontade de ler essa série, mas minha verba de livros está zerada até o final do ano!! rs... Preciso dar um jeito de ganhar na megasena!! rs...
Beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Matheus Braga disse...

Olá, tudo bem?

Se eu pudesse apagar da minha memória essa trilogia, só para ter o prazer de ler novamente, eu faria sem pensar duas vezes. Adorei a forma como você fez referência aos livros através do nós de tecelã, isso é que é ser fã *__*. Outro dia postei no Instagram uma foto da minha coleção e A AUTORA COMPARTILHOU!!!!!! Eu fiquei andando de um lado para o outro aqui em casa sem saber o que fazer de tanta emoção. Questionei no post dela se ela tinha intenção de dar continuidade à saga, mas infelizmente não obtive resposta até o momento T_T. Se você gostou de Descoberta tanto quanto eu, eu recomendo então que leia O Nome do Vento, são universos distintos e abordagens diferentes, mas está no mesmo nível de excelência que All Souls.

Abraços,
Matheus Braga
Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/