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11 de out de 2015

O Labirinto no Fim do Mundo


Autor:  Marcello Simoni
Tradutor: Gilson César Cardoso de Sousa
Editora:  Jangada
Número de páginas: 560
Ano de Lançamento: 2015 (Brasil) 2013 (Itália)
Avaliação do Prosa Mágica:  8


No primeiro livro foi o 'Ute Vetorum”, um livro raro capaz de evocar os anjos. Depois veio o “Turba philosophorum” um manuscrito atribuído a Pitágoras, e agora em O Labirinto no Fim do Mundo, Marcello Simoni nos apresenta outro desafio para Ignazio de Toledo, o mercador de relíquias.
Agora ele nos apresenta uma trilha de sangue que se inicia em Nápoles e segue até a Sicilia, uma trilha de assassinatos cometidos por um estranho cavaleiro negro munido de um artefato inusitado.
O inquisidor Konrad von Marburg, religioso da Santa Fé, e como todos os fanáticos, tenta por fim a este assassinatos atribuindo poderes demoníacos nas ações, e por estar no lugar errado e na hora errada, Ignazio de Toledo acaba sendo o principal suspeito.
Marburg concentra suas suspeitas inicialmente em Suger, um magister medicinae, que é expulso de sua cátedra por apoiar as idéias de Aristóteles. Depois, Marcello nos leva a uma viagem que vai ao encontro das guerras por poder, dos abusos cometidos contra judeus, e das curandeiras, consideradas bruxas.
Para provar sua inocência, Ignazio corre contra o tempo e nos apresenta um mercador mais velho, mais centrado e humano. Ele já não é mais o centro absoluto da trama, divide sua participação com outros personagens que dão o diferencial deste livro.
O Século XIII é conhecido por seus perigos, dentre eles a caça a hereges, ou seja, a todos que detinham o conhecimento e faziam uso de seu raciocínio para formular opiniões. Época em que ensinar Aristóteles, ou o simples fato de lê-lo, seria motivo para morte em uma fogueira.
Época em que a censura no ensino e o fanatismo religioso nos faz refletir sobre os perigos dos excessos, e nos faz observar o mundo de hoje com outros olhos,
Eu gostei muito do livro, exatamente pelo que descrevi acima: - sua capacidade de nos fazer pensar. Não é um livro para se ler de uma vez só. Você terá que degustar página a página, sem pressa. E, apesar da quantidade de cenas de ação ele é lento, necessariamente lento. O Labirinto no Fim do Mundo não poderia ser de outra forma.
Marcello mantém seu estilo de escrita. Capítulos curtos, takes cinematográficos e relatos históricos fidedignos. Uma escrita fluida que nos envolve na trama do começo ao fim.
Quando Labirinto acaba você quer mais; quer saber o que acontecerá com Ignazio, quer saber mais sobre o astrônomo Michele Scoto. Marcello nos deixa no suspense, uma sensação que só irá passar quando a continuação for lançada. Sábio na escrita e na manipulação de emoções.

Só lendo para compreender está confusa mistura de sentimentos. Eu recomendo.

Outros livros do autor:



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