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19 de jan de 2016

INVERNO RUSSO

Foto Prosa Mágica. Proibido reprodução.
Autor:  Daphne Kalotay
Tradutor: Maria Alice Máximo
Editora:  Record
Número de páginas: 476
Ano de Lançamento: 2012
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Tenho uma grande paixão por balé clássico, com seus tutus,  arabesque, Fouetté, Pas de bourée e Dèboulès. Fui uma aluna aplicada nas aulas de dança e talvez por isso, até hoje, tudo que fala e inclui balé ocupe um lugar especial em meu coração.
Quando Inverno Russo chegou em minhas mãos, confesso que não criei nenhuma expectativa, primeiramente por que não sabia que se tratava de uma história que envolvia o balé e depois, por que me pareceu mais um livro de suspense. Foi então que me defrontei com uma grande surpresa.
Em primeiro lugar por que a protagonista, Nina Revskaya, é uma bailarina do Bolshoi que vive as agruras da existência em uma União Soviética Stalinista. Em segundo lugar, por que a autora usa o balé como fio condutor da trama, mas o verdadeiro pano de fundo é as atrocidades e o medo que os cidadãos viveram durante a implantação do socialismo. E terceiro, por que a trama nos traz para um presente, com dois personagens fascinantes Drew e Grigori. Mas, para compreender tudo isso, tenho que contar um pouco da história.
Inverno Russo de Daphne Kalotay inicia sua história com uma Nina já idosa e incapacitada, que está colocando suas jóias em leilão para arrecadar fundo para uma Fundação do Balé de Boston. É neste principio que você se depara com uma mulher seca e irritável, e conhece Drew, a fascinante e persistente funcionaria da casa de leilões.
Logo depois se apresenta Grigori Solodin, um professor de russo da Universidade de Boston, que possui um segredo no passado que pode desequilibrar Nina.
A trama se alterna entre o passado e o presente e tem como chave um conjunto de âmbar que esconde um segredo terrível.
Apesar de se tratar de eventos ficcionais, o pano de fundo da trama é bem embasado na triste e desumana história do stalinismo russo. A autora, de forma magistral, construiu um livro de forma a nos causar as mesmas sensações que os soviéticos sentiam naquele período, na época em que eles desconfiavam de todos e nunca estavam livres para se abrir, nem mesmo com as pessoas que mais amavam.
A autora nos mostra esta situação como se fosse uma doença, que vai se instalando nas pessoas e elas nem percebem. Uma doença que mina amizades, famílias e empodera o Estado como ser maior.
Não é o primeiro livro que leio sobre esta temática, mas é sem dúvida o mais completo em pesquisa histórica.
O que mais me espantou no livro é o fato de não ter sido Nina a minha personagem escolhida,  mesmo sendo ela a representante da temática balé. Mas foi Drew, a funcionária da casa de leilões e Grigori, o professor, que brilharam na trama.
Drew por ser uma mulher insegura, mas determinada. É ela que alimenta a força que move a trama. São as suas “agulhas” que tricotam o andar de Inverno Russo.
Já Grigori é alguém que busca suas origens. O homem que construiu em torno de si uma história que poderia não ser real. É alguém que possui um grande sentimento de perda e por isso se isola, e mesmo se isolando encontra na determinada Drew Brooks o calor que sempre buscou.
É um livro tenso, angustiante, difícil de prever. Ora você desconfia de uma pessoa, ora de outra, e em outros momentos você acredita que já não sabe mais nada e fica perdido em meio a tantos personagens e tantos vai-e-vem.
Foi uma leitura sensacional e apreciei cada momento. Sinto apenas que a história acaba, deixando margem para uma continuidade, não com Nina, mas nos deliciosos Drew e Grigori.

O que aconteceu com eles? O que acontecerá com o conjunto de Ambar? Só a autora pode nos contar.
Lago do Cisnes - Bolshoi.

2 comentários:

Camila disse...

Oi, Soraya.
Curiosamente passei com três primas e um primo que dançam balé e ouvi muito sobre o assunto. Eu nunca tive a menor vocação para dançar e queria morrer quando era obrigada a isso na escola! Meu negócio sempre foi jogar bola!!
Talvez por essa minha falta de proximidade com o tema, não me empolguei muito com o livro!! rs...
Beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Soraya Felix disse...

Oi Camila, Inverno Russo não é só balé. Mas precisa gostar um pouquinho para mergulhar na trama.
Bjs