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19 de fev de 2016

Seres Incríveis

Autor:  Trace Chevalier
Tradutor: Beatriz Horta
Editora:  Bertrand
Número de páginas: 352
Ano de Lançamento: 2014
Avaliação do Prosa Mágica:  8  *


Quando visitei o Museu de História Natural em Londres fiquei encantada, não só com a sua monumental arquitetura, mas com a quantidade de fósseis ali existentes (Sem contar todo o restante que é absolutamente instigante). Infelizmente eu não conhecia a história de Mary Anning, uma mulher com talento, que corajosamente venceu os preconceitos de sua época sendo uma caçadora de fosseis.
Não se espantem com minhas palavras, mas estou levando em consideração que em pleno século XIX, uma época em que as mulheres exerciam um papel secundário na vida, pois eram relegadas a mera decoração, não me levou a supor que uma dessas corajosas mulheres pudesse exercer uma profissão tão rude e ao mesmo tempo tão brilhante para as descobertas da humanidade.
Por que estou dizendo tudo isso? – Por que essa é a trama de Seres Incríveis. Trace Chevalier retrata Mary e as irmãs Philpot, pessoas que existiram e fizeram a diferença na história da humanidade. É claro que ela introduz uma boa dose de fantasia, que cobre as lacunas que um bom livro didático não nos conta.
As irmãs Philpot são feias por natureza, mas carregam em si características únicas, coisas que para essa época espantava o bom casamento. Elizabeth é a mais liberal, a mais estudiosa e será uma grande colecionadora e caçadora de fósseis de peixes.
Mary Anning é a filha de um marceneiro e caçador de fósseis. Filha de operário, pertencente à classe pobre, Mary se mostra desde o principio um talento sem igual para caçar fósseis.
Mary e Elizabeth se encontram e se tornam amigas. É sobre este encontro, sobre suas dúvidas, tristezas, sentimentos que Chevalie nos fala. É com delicadeza que ela nos conduz em uma trama tranqüila, sem muitos desvarios, sem excesso de ação. Apenas com o suficiente para nos localizar dentro do cenário social do século XIX. O livro só começa a acontecer quando já estamos quase no final, no momento em que Mary já está crescida e a relação entre ela e Elizabeth começa a ficar tensa. Mas isso não é um defeito, trata-se de uma estratégia para nos prender.
Seres Incríveis é um livro didático, pois nos explica não só os primeiros achados que levou Charles Darwin a escrever a teoria das espécies, mas como são esses fósseis e uma série de procedimentos que nem imaginaríamos existir naquela época e nos leva mais além. O livro nos traz um retrato fiel da sociedade inglesa. De sua separação de classes, do domínio do sagrado e do papel do feminino em cada um dos segmentos sociais abordados.
Tem o lado econômico também, coisas que você só pensa quando se depara com um livro assim. Famílias que viviam com 150 libras ao ano e eram consideradas abastadas; 40 libras era uma pequena  fortuna e fatos do gênero me fazem perguntar qual era o custo de vida na época? O que era riqueza ou pobreza? Tempos em que para uma jovem se casar, a família precisa ter dinheiro.
Tem horas que é muito bom ler algo assim, um livro que nos proporciona momentos de tranqüilidade para começamos a observar outras formas de olhar o tempo e refletir sobre a humanidade.

 
Achado de Mary Anning. Pàgina da brochura do Museu de História Natural de Londres.

Resumo da biografia de Mary Anning

Mary Anning nasceu em 1799 em Lyme Regis, situado na margem sul da Grã-Bretanha, e morreu em 1847. Tinha uma família muito pobre e o pai vivia de fazer móveis e caçar fósseis. Com a morte do pai, a menina Mary assumiu a função de procurar os fósseis.
É creditado a Mary a primeira descoberta de um ichthosaur. No entanto, a maioria de suas descobertas acabaram em museus sem que o nome dela sequer fosse citado. Hoje pode-se se encontrar alguns de seus achados no Museu de História Natural em Londres.
Mary Anning foi sem dúvida, a primeira mulher a pesquisar e apresentar ao mundo, o que depois foi concretizado com o livro de Charles Darwin: - a evolução das espécies.

*A avaliação do livro levou nota 8 não pela trama, mas pela péssima revisão do texto. Há erros demais, letras faltando e uma impressão ruim, repleta de falhas.


Fonte da Biografia: Universidade de Berkeley


2 comentários:

Camila disse...

Menina, como assim??
Eu estava toda empolgada lendo a sua resenha e já queria comprar o livro...
Mas sério que ele tem problemas de revisão?! Que chato!!!
Essas coisas me desanimam, sabia?!
Fora isso, a história me cativou!
beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Soraya Felix disse...

Isso mesmo Camila. Erros de mais e impressão ruim. Mas confesso.... Não dá para deixar de ler. O livro é tão bom que se sobrepõe a irritação.
Bjs