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7 de abr de 2016

O Jardim Secreto de Eliza

Autor:  Kate Morton
Tradutor: Léa Viveiro de Castro
Editora:  Rocco
Número de páginas: 560
Ano de Lançamento: 2008
Avaliação do Prosa Mágica:  10


Quem dera a escrita fosse uma ciência exata, que pudéssemos fazer uma única analise objetiva e definitiva sobre uma obra! Digo isso por que vez ou outra me deparo com livros quase impossíveis de serem resenhados, tal é sua intensidade e força de texto. O Jardim Secreto de Eliza, de Kate Morton, se encaixa nesta categoria de textos.
Terminei a leitura com coração e alma suspensos por um fio invisível de magia. Eu queria que continuasse, e ao mesmo tempo, não queria saber nada mais. Por que O Jardim Secreto é um gigantesco conto de fadas, que termina com a princesa no “foram felizes para sempre.”
O livro é genial. Uma estória para adultos na qual você encontra a princesa, a bruxa má, o príncipe encantado, os sapos, as fadas madrinhas e os seres do bosque, que podem ser bons e maus, dependendo de como você encara a trama. Tudo isso, sem que você encontre uma unica referência sobre eles.
Era uma vez uma menina que foi chamada de Nell. Ela foi encontrada sozinha em um porto da Austrália aos quatro anos, portando uma única mala branca, com uma peça de roupa e um livro de conto de fadas. Esta menina cresceu, e adulta descobriu que seus pais não eram legítimos, e que ela havia sido abandonada e encontrada em um Porto. A partir de então, todo o castelo em que ela vivia se desmoronou. A menina só conseguiu descobrir alguma coisa do passado quando seu pai adotivo morreu, e ao receber a mala branca pode ir atrás de sua história e de todos os porquês que recheavam sua cabeça.
Pois bem, Nell casou, teve uma filha e esta lhe deu uma neta, Cassandra, que anos mais tarde, depois de uma “chuva de desgraças”, vai atrás do passado de sua avó e acaba se encontrando com ela mesma e se reconciliando com a vida.
Esta sinopse do livro é muito pouco perto da dimensão da trama que envolve amor incondicional, traições, mentiras e encontros. Uma trama cuja leitura nos leva a vivenciar cada segundo, como se ele fosse verdadeiro.
Para não dizer que não encontrei nenhum defeito no livro, eu encontrei. Kate Morton construiu um livro “costurado”, no qual ela sobrepõe três épocas diferentes que vai aos poucos desvendando a trama para o leitor. A forma é interessante, mas complexa e delicada de se fazer. Kate Morton erra no começo do livro, pois não deixa que o leitor se envolva com a trama e já troca de época. Você fica irritado, por que é confuso, por que não faz sentido e ao finalizar o livro percebi que realmente poderia ter sido melhor. Capítulos mais longos teriam resolvido o problema.
Mas nada disso impede a paixão que o livro evoca. Uma das características interessantes é a referência clara ao livro O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett. Você percebe isso no Jardim que Eliza constrói; na relação que ela tem com a prima Rose, e em outros detalhes que vale a pena você descobrir.
No Brasil o título ficou O Jardim Secreto de Eliza, talvez pela referência ao famoso livro infantil, ou por que mercadologicamente parece mais chamativo. No entanto, em inglês The Forgotten Garden, parece mais adequado ao tom da trama. Em uma tradução literal “O Jardim Esquecido”, parece refletir mais o tom da estória e o verdadeiro destino de Eliza, bem como o encontro de Cassandra com o passado da avó e com ela mesma.
Não se engane. Dá para prever o final. É só prestar muita atenção aos detalhes da trama e você começa a desvendar antes mesmo da personagem. Mas isto torna a leitura bem mais gostosa, pois como leitor você se torna parte ativa da trama. É uma sensação gostosa de ser o primeiro a descobrir o que realmente aconteceu com Nell.

Considero este livro de leitura obrigatória para quem gosta de um bom clássico. Ele ainda não pode ser considerado um deles, mas com certeza em um futuro entrará para a lista que já pertence autores como Austen, Rowling e outros grandes autores.

2 comentários:

Camila disse...

Oi, Soraya.
Quando comecei a ler sua resenha fiquei pensando em todas as vezes que sento para escrever uma resenha e simplesmente não sei o que dizer... Rs! É exatamente isso que acontece... Algumas histórias nos tocam tão profundamente que faltam palavras para explicá-las.
Pena que a narrativa te deixou meio irritada. Mas mesmo assim fiquei super curiosa!
Beijos
Camis - Leitora Compulsiva

Soraya Felix disse...

Oi Camila, se puder leia o livro. É delicioso. Quanto a crítica...Eu tenho o hábito de olhar os livros como escritora. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas, você sabe, depois de ler a quantidade de livros que lemos, a exigência aumenta demais.
Bjs