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15 de jul de 2016

Por que o passado não é melhor que o presente?


Boas leituras nos causam impressões fortes, muitas vezes o sentimento que fica se resume na frase “eu queria viver naquele tempo”. O que a primeira vista parece interessante, principalmente se você acabou de ler Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Estar no passado, cercada de gente bem vestida e educada, com a possibilidade de encontrar um Mr Darcy e viver em Pemberley, aquele casarão cercado de lagos e parques parece ser uma visão do paraíso, mas não se engane, o final do século XVIII e o inicio do XIX não foi a beleza que os livros pintam.
Revolução Industrial, miséria, fome, falta de um sistema educacional concreto, segregação da mulher na educação, seu uso como mercadoria de troca no momento do casamento, e outras mazelas assolaram o mundo tão sonhado por muitos leitores.
Uma jovem sem dote de valor não se casaria nunca com um nobre, mesmo que o amor suplantasse tudo. Ela seria renegada por ele em prol de bens “maiores”, ou o nobre perderia sua fortuna por não manter as tradições da família.
Temos a sorte de viver no presente. Por mais que ainda haja diferenças, eu, você amiga e todas as mulheres de países livres saem a rua sem que sejamos mal faladas. Podemos casar com quem quisermos, se separar a hora que convier, viver com homem, com mulher, sozinhas e toda a sorte de pequenas liberdades que fazem uma diferença enorme em nossas vidas.
É claro que pagamos um preço por isso. A nossa saúde se deteriorou diante do estresse e cumprimos uma jornada dupla de trabalho. E não é só isso, perdeu-se o romantismo, a gentileza, e olhando atentamente as ruas percebo que se perdeu a noção de ética e valores.
Quando penso na beleza de cada livro que leio, percebo que eles estão povoados das heroínas que todas as mulheres desejaram e desejam ser. Na maioria das vezes elas são corajosas, fortes e destemidas e lutam de uma forma sobre-humana para atingir seus ideais. É lindo, mas irreal.
Ainda bem que hoje, algumas autoras nos apresentam suas heroínas como seres frágeis, repletas de dúvidas, falhas e “ataques de bobeira". São mais humanas, mais próximas de nós.
Quanto a todas as personagens do passado, elas podem e devem habitar nosso imaginário. Livros são assim, você pode voltar ao passado sem enfrentar os horrores da época. É como ler Shakespeare sem o adicional mal cheiro de esgoto da época em que ele viveu.

Sonhe amiga, mas faça isso nos livros. Viva o presente aproveitando a liberdade que conquistamos e lutando para um mundo cada vez mais igual, que respeita as diferenças e o outro.

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