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6 de fev de 2017

O Perfume da Folha de Chá

Autor:  Dinah Jefferies
Tradutor: Alexandre Boide
Editora: Paralela
Número de páginas: 432
Ano de Lançamento: 2017
Avaliação do Prosa Mágica:  9,5


Se os lançamentos editoriais de 2017 forem na mesma qualidade de “O Perfume da Folha de Chá”, teremos um ano excepcionalmente bom para leitura.
O Perfume da Folha de Chá se passa no exótico Ceilão (Hoje Sri Lanka) e conta a história de Gwendolyn, uma jovem inglesa que se casa com um proprietário de uma grande fazenda de chá. O casamento parece paradisíaco, no entanto, a vida no Ceilão não é o que aparentava ser. Há uma eterna briga entre ingleses, cingaleses e tamils, o que desencadeia relações que a jovem não foi educada para compreender. Lá, uma armadilha do destino e o excesso de segredos, transformarão a vida de Gwendolyn após o nascimento de seus filhos. Desde então, a jovem que era aberta e sincera se vê obrigada a guardar um terrível segredo, algo que ela acredita que irá destruir sua vida.
Dinah consegue retratar muito bem uma época que não existe mais, tempos em que os ingleses se deslocavam para suas colônias com o objetivo de ganhar dinheiro, e junto levavam suas jovens esposas. Um tempo onde não havia internet, avião e qualquer noticia levaria semanas para chegar através de uma carta. O Perfume da Folha de Chá fala sobre a ascensão destas pessoas e também de sua vertiginosa queda com o crash da bolsa de Nova York. É um livro que aborda o preconceito inter-racial, a intolerância que permeia todos os povos e não é exclusividade do “homem ocidental”.
A autora é hábil em nos conduzir em um mundo totalmente diferente, com truques que nos iludem e nos deixam sofrer até o final. Há tempos eu não era tão iludida em um romance! E digo isso por que durante a leitura eu estava certa que o vilão era um personagem em específico, e quando cheguei ao final descobri que Dinah consegue nos enganar como um bom romancista de mistério.
Dinah também é muito boa para descrever cenas, talvez por que ela tenha nascido na Malasia. Tem horas que somos capazes de sentir o cheiro da chuva que cai na terra; das flores que desabrocham no jardim, ou da poeira que encobre os cômodos escondidos da casa.
Trata-se de um “novelão” à moda antiga, como há muito tempo eu não lia. Um livro para chorar, rir e torcer para que no final tudo dê certo para Gwen.

É fascinante, inteligente e aos moldes dos clássicos ingleses, talvez por isso tenha feito tanto sucesso por lá.


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