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30 de ago de 2019

A Filha do Reich

Autor:  Paulo Stucchi
Editora: Jangada
Número de páginas: 416
Ano de Lançamento: 2019
Avaliação do Prosa Mágica:  10
                       
Vamos começar esta resenha com a sinopse:

“Ao receber a notícia da morte de seu pai Olaf, um ex-soldado alemão refugiado no Brasil , Hugo Seemann viaja à Serra Gaúcha para cuidar do funeral. Contudo, o que parecia ser uma mera formalidade de despedida a um pai que nunca conhecera de verdade, torna-se uma jornada ao passado e aos horrores da Alemanha nazista. Durante o funeral, Hugo recebe a visita da jovem Valesca Proença, que lhe mostra uma carta enviada por Olaf à sua mãe, contendo estranhas revelações que contradizem tudo o que achavam que sabiam a respeito de seus respectivos pais. Buscando desvendar esses antigos segredos há muito enterrados, eles partem para Colônia, onde descobrirão suas origens e o passado sombrio de Olaf. Uma trama envolvendo amizades, traição, morte, amor e milagres que uma obscura organização surgida na época do Terceiro Reich fará de tudo para manter em segredo, na intenção de encobrir a verdadeira identidade sobre uma criança conhecida somente como... A Filha do Reich.”

As hábeis mãos de um escritor podem transformar um assunto árido em algo empolgante, recheado de emoções fortes e sinceras. Paulo Stucchi consegue isso e muito mais em seu livro A Filha do Reich, publicado pela editora Jangada.
Paulo colocou a história e a visão de um soldado nazista nos olhos de personagem dos dias de hoje, Hugo, um publicitário que começa a descobrir sob o passado do pai apenas depois de sua morte. E, esta forma de narrar os fatos humaniza a história.
Não estamos acostumados a pensar nos nazistas como seres humanos. Na maior parte do tempo nos referimos a eles como monstros (e realmente foram), no entanto nos esquecemos de que houve pessoas dentre eles que foram obrigados a fazer aquelas barbaridades, e que em alguns casos, tentaram salvar inocentes daquele holocausto inimaginável. Oscar Schindler foi um deles.
A Filha do Reich é repleta destas surpresas, destes pontos de vistas inusitados, de uma ambientação perfeita nos detalhes, de personagens bem delineados que não são idolatrados em nenhum momento, mas apresentados como seres humanos.
Encantei-me com a escrita fluente, com o toque de thriller empregado pelo autor, que nos prende da primeira a última linha sem que consigamos respirar.  
É nítido que Paulo Stucchi fez uma pesquisa detalhada para escrever o livro, e talvez seja exatamente isso que nos deixa encantado e perplexo com os detalhes.
É uma leitura que eu recomendo em todos os sentidos, mas o principal deles é a reflexão. Os fatos reais deste livro não podem acontecer nunca mais, e para isso precisamos nos lembrar constantemente de onde o “ser humano” pode chegar quando troca sua humanidade pelo poder.
Paulo Stucchi está de parabéns pela sua criatividade e habilidade em nos fazer refletir sobre isso.

Um comentário:

Paulo Stucchi disse...

Obrigado pelas palavras, Soraya! Saudações!