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Elogio da Loucura


Em tempos controversos como o atual, falar de loucura parece muito óbvio. Tão comum que você deve estar se perguntando: - Por que eu deveria ler Elogio da Loucura, do filosofo e teólogo holandês Erasmo de Rotterdam, que escreveu este texto por volta de 1511?

Posso te dar inúmeras razões, mas vamos personificar a própria “Loucura” e imaginar que ela resolvesse subir em um palco e, de peito aberto, começasse a falar sobre nós, humanos. Sem papas na língua, ela diria o que pensa de reis, religiosos, acadêmicos, políticos e até das pequenas vaidades do dia a dia. O resultado? Um texto que parece ter sido escrito ontem, apesar de ter mais de 500 anos.

Elogio da Loucura não é um tratado chato de filosofia. Pelo contrário: é uma sátira bem-humorada, que usa ironia fina para mostrar como a vida seria impossível sem um pouco de... insensatez. Erasmo dá voz à “Loucura” para expor hipocrisias e, ao mesmo tempo, nos fazer rir das contradições humanas.

O interessante é que o livro não cai nem no raso nem no complicado demais. Ele brinca com nossas certezas, provoca, mas nunca fecha questão. Você pode ler como uma crítica social, como um retrato divertido do Renascimento ou simplesmente como uma conversa espirituosa que ainda faz sentido em plena era digital.

Se você já se pegou pensando que o mundo anda meio sem noção — mas não queria ouvir isso de forma amarga — esse é o livro certo. Erasmo mostra que a “loucura” não é apenas um defeito, mas, muitas vezes, a faísca que move a vida.

Somente fique atento a forma. Por ser um livro escrito há mais de 500 anos, ele se utiliza de vocabulário extremamente formal, parágrafos muito longos e a ausência de capítulos. Você precisa se planejar, dispor de um tempo maior para não ter que parar no meio de um discurso dessa “Loucura” muito louca.

No entanto, não se engane, Elogio da Loucura é aquele tipo de leitura que faz rir, refletir e, no fim, deixar uma pulga atrás da orelha. É bem antigo, mas soa incrivelmente atual.


Autor: Erasmo de Rotterdam

Tradutor: Paulo M. de Oliveira

Ano de publicação: 2023 (esta edição)

Editora: EDIPRO

Gênero: Filosofia

Páginas: 160

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