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Inelutável Modalidade do Visível


Começo o ano com poesia. Que venham os bons ventos, os bons poemas, nuvens passageiras e abraços amigos. Nada  é mais intenso que ler um bom poema.

Recebi no ano passado um exemplar digital do livro Inelutável Modalidade do Visível, de Arnaldo Rocha Filho que mescla texto e fotos de uma cidade Ouro Preto que vai além, que se esconde por entre prédios antigos, ladeiras íngremes e cheiro de história.

O título do livro “Inelutável Modalidade do Visível” é uma frase do escritor James Joyce em seu inenarrável Ulysses. A frase é algo como avaliarmos a natureza do ato de ver e ser visto.

O que é ver? O que olhamos no cotidiano, estamos realmente vendo? O que há por trás do que vemos? É só o objeto ou tem mais? Bem, eu iria muito longe por aqui se meu objetivo fosse outro, mas eu quero falar deste livro surpreendente.

O livro conta com fotos de Eduardo Tropia, ilustrações de Chiquitão e tradução poética de Adriana Iennaco de Castro. Os textos são frestas, pequenas aberturas de janelas pelas quais vislumbramos a Ouro Preto que apenas se desvenda para poucos. Aquela parte da cidade reservada apenas aos poetas.

Arnaldo dialoga com a música, a literatura, a arquitetura, a história. Tem um pouco de tudo nos poemas texto e nas poesias ilustrações/fotos de cada página.

Há momento em que você encontra com Gil Quando Gilberto Gil tocou e cantou à tarde quiçá Retiros Espirituais, sentado na ponte dos Contos na tarde cotidiana...”

Há momentos em que nos defrontamos com Gentileza (Lembra dele?) “Quando Gentileza surgiu naturalmente e nunca se soube se forasteiro ou santeiro em túnica (...)”

Você olha as fotos, lê os textos-poemas e se sente lá, nas mesas, na praça central e quase pode ver e tocar cada uma das pessoas citadas. É bem como diz o material de divulgação do livro:

“Com lirismo e precisão, o autor transforma o cotidiano em matéria poética e a experiência em memória. Inelutável Modalidade do Visível é, assim, um tributo à cidade e à condição humana — um exercício de olhar o mundo com espanto e gratidão, onde cada palavra é uma tentativa de tornar o invisível visível.”

Bem, da minha parte foi uma avalanche de memórias: tempos atrás, um feriado em julho, um ônibus de última hora, uma busca por pousada. República “Pulgatório”. E, na noite estrelada lá estava ele Luis Gonzaga, na praça central, ao som de Asa Branca.

Arnaldo Rocha Filho me fez reviver toda essa emoção.

Recomendo a leitura.

 

Título: Inelutável Modalidade do Visível

Autor: Arnaldo Rocha Filho

Editora: Studio Anta

Páginas: 204

 

Sobre o autor: Arnaldo Rocha Filho é engenheiro pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), jornalista e licenciado em Letras. Natural de Minas Gerais, atua profissionalmente na engenharia, mas encontrou na literatura o espaço para unir técnica e sensibilidade. Participou do Fórum das Letras de Ouro Preto e tem sua obra marcada pela observação atenta da vida, da memória e da paisagem mineira.  

 

Fotos Capa: Divulgação

Foto Ilustração: Print do livro (Ilustração Chiquitão)

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