Há quem questione o valor da poesia, mas “poetar” é um ato de amor. Quem escreve poesia suaviza o mundo, quem lê acalanta a vida.
Há também quem diga que não entende a
poesia. Oras Bolas! Poemas não são contas matemáticas ou teoremas físicos que
precisam ser compreendidos.
Poesia se sente com o coração, com a pele,
com a alma. Poesia é para tocar fundo, remexer, fazer chorar, rir, pensar ou
nos deixar no ar. Não importa o motivo. O importante da poesia é nos tirar do
lugar e nos levar a outros patamares.
O ser humano está demasiadamente focado em
compreender com a mente, raciocinar, esquadrinhar a vida. E neste contexto
perdemos o romantismo da lua, a suavidade do vento, o farfalhar das folhas que
balançam firmes nas copas das árvores.
Somente as crianças ainda sentem a poesia
de chapinhar a poça d´água quando a chuva se vai. Ou se perdem na folha que
flutua no ar, em plena resistência a gravidade. Crianças que olham o pássaro na
janela, enquanto na carteira escolar repousa uma tarefa maçante.
Fico pensando, quando perdemos esta
capacidade? Essa habilidade de fazer poesia no cotidiano, de se deixar levar
pelas palavras que se encadeiam e criam sonoridades e conexões; que trabalham
metáforas que nos sensibilizam a vida. Uma habilidade que nos tornava mais
humanos?
─ Para que serve a poesia? – Perguntam alguns.
─ Poesia é para abraçar a alma, para beijar
a nossa boca, para acariciar nosso cérebro e encantar nossos olhos.
Talvez, um dia, as pessoas passem a dizer
“você é um poema” ao invés de “eu te
amo”. Qual dos dois é mais forte?
─ Ambos são sinônimos.
Neste dia internacional da Língua
Portuguesa, tente amar nossos poetas, que são fartos de palavras dentro de suas
latas metáforas. Busque por eles como quem procura um remédio que irá te curar.
Encare esta receita de frente, um poema por dia.
Ah! Caso não encontre seu poeta ou o
poema, tudo bem. Faça uma bolha de sabão e fique olhando ela subir flutuando em
uma bola multicolorida que se integra com a paisagem e com o céu. Absorva a
leveza, tente fluir com ela. Só ai então você poderá ter a certeza que “fez uma
poesia”.
Que tal ser o poeta da própria vida?

Quem me fez descortinar, tirar o véu das palavras foi Manoel de Barros - viver fora da asa!
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