O título causa espanto para você? Sem dúvida me causou também? Como assim? Comprar um poeta? Em um mundo cada vez mais orientado por números, metas, produtividade e resultados, a pergunta que atravessa Vamos Comprar um Poeta , do escritor português Afonso Cruz, causa um incômodo extremamente necessário: o que acontece quando tudo passa a ter preço, mas quase nada tem valor? Publicada em 2016, a obra se apresenta como uma fábula contemporânea, que pode ser lida em uma única tarde, mas que nos remete a profundas reflexões sobre arte, linguagem e humanidade. A narrativa nos conduz a um universo distópico assustadoramente próximo do nosso. Nesse mundo, tudo é mensurável e avaliado segundo sua utilidade econômica. Palavras são caras, sentimentos são desperdício e relações humanas passam pelo filtro da eficiência. Não há espaço para o supérfluo, para o inútil, para aquilo que não gera retorno imediato. É nesse contexto que uma família, a pedido da filha, decide comprar um poeta. O gest...
Dois mil e vinte e seis parece estar apressado. Janeiro se foi em um piscar de olhos. Bem na hora do “Feliz Ano Novo” você piscou e o primeiro de fevereiro já bateu na sua porta. Meu janeiro foi uma riqueza de leituras e descobertas. Comecei a pegar livros em uma biblioteca pública, algo que nunca havia feito. Em meus tempos escolares eu vivia em bibliotecas fazendo pesquisas, mas a leitura de um bom romance sempre foi algo que acontecia após uma ida a livraria. Aqui em São Paulo é muito fácil se associar a uma biblioteca. Basta procurar uma em seu bairro, levar documento com foto e comprovante de endereço e pronto, você pode pegar até quatro livros a cada quinze dias. Melhor ainda é que você pode pesquisar o catálogo pela internet e ir diretamente a biblioteca que tem o livro que você quer ler. Eu vou a Biblioteca Mario Schenberg, um primor de lugar com uma bibliotecária extremamente simpática e solicita. Agora, voltando as leituras que serão resenhas em fevereiro, vou começ...