Pular para o conteúdo principal

Postagens

A história de como Brás Cubas foi parar no hit dos mais vendidos

Imagem: Courteney Henning Novak/TIK TOK Queridos leitores, eu confesso, fiquei muito espantada e surpresa com a repercussão do vídeo de Courtney Henning. “E agora, o que faço com o resto de minha vida?” Com esta frase ela define, mais do que qualquer coisa, o grande amor e empolgação que o livro de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas” provocou nela, a ponto de não querer ler o livro muito rápido para que ele não terminasse. “Porque vocês não me avisaram que o livro era tão bom?” Sim Courtney, porque a maioria de nós brasileiros desconhece a literatura rica que possui, talvez pelo fato de sermos obrigados a ler estas grandes obras em momentos que ainda não estamos preparados para isso, e talvez nem os professores. Quando você não ama verdadeiramente uma leitura não consegue falar dela de forma a entusiasmar o outro, a incentivar a leitura. Quando penso na quantidade enorme de blogs que temos, e no fato de nunca ter lido em nenhum deles (E nem no meu) algo sobre e
Postagens recentes

O Clube do Livro do Fim da Vida

Peço licença aos meus leitores para extrapolar nas minhas análises e fazer da resenha de O Clube do Livro do Fim da Vida, muito mais um bate papo que uma resenha propriamente dita. Penso em Will Schwalbe como uma pessoa privilegiada e ao mesmo tempo de uma sensibilidade incomum. Escrever um livro sobre a própria mãe lutando contra um câncer sem cura, falar de livros e literatura e transformar tudo isso em uma história que prenda o leitor, não é uma tarefa fácil. O que dizer de um livro que trata da verdade? Que fala de uma mulher genial. Que lutou e defendeu refugiados, pessoas frágeis e desprotegidas, e que ao mesmo tempo cuidava da família, gostava de arte, lia como uma devoradora enlouquecida e demonstrava uma força sem limites ao lutar contra uma doença cruel. Mary Ann é a personagem principal, mas Will é um condutor tão generoso e tão hábil que nos deixa penetrar em sua mente e processar todo o amadurecimento que é necessário para aceitar a morte próxima de um ente mais que

Pausa

Vez ou outra a pausa se faz. Seja por um momento, por algumas horas. Vem por um suspiro, uma coxinha, uma maritaca latindo no galho de Santa Barbara. A vida pede a pausa, o sossego, o momento a sós em um ato de intimidade, a sós consigo mesma, mesmo que cercada de uma multidão. A pausa existe na música, representada quase sempre por um suspiro, um suprimir de ar, às vezes longo, às vezes breve. A pausa da dança que salta com o instante que precede o respiro. É breve o momento que, após o port de bras belo e suave, as mãos relaxam para na sequência enfeitarem um giro. Pausa que soa como vírgulas. Ah! Quem dera o texto-vida repleto de vírgulas, de momentos de respiro, de alívio: E ela sentou (vírgula) pegou a xícara e sorveu o café (vírgula), olhou o papel amassado ao lado do pires (vírgula) e num respiro sorriu para os problemas. Xícara, papel, envelope de açúcar pela metade, índices de um momento que se foi, uma transgressão. Vida-texto que pede, clama pelos pontos, dois p

As primeiras palavras

Quando aos 13 anos, junto com uma amiga de escola, decidimos adaptar uma peça de Shakespeare, “Sonhos de uma noite de verão”, que eu mal conhecia, não imaginei que um dia me tornaria escritora. Lembro-me dos encontros, da escrita a mão e dos diálogos que acrescentávamos no texto do alto de nossa adolescência. Ainda vejo aquele texto mimeografado e os ensaios que fazíamos na garagem de casa. A peça nunca foi encenada em público. Eu já tinha ousado na escrita através de pequenos versinhos, de diários escondidos no caderno de educação física, textos que falavam das novelas que eu gostava, do garoto que tinha virado meu “primeiro amor não correspondido”. Tudo isso escondido, com vergonha que alguém lesse. Também na minha adolescência, ao lado da prima Adriana que vinha passar uns dias em casa nas férias, reescrevíamos capítulos da novela em voga “Escrava Isaura” e junto de algumas piadinhas bobas que meu irmão contava, encenávamos durante a noite para um pai e uma mãe pasmos com aque

Morte no Nilo

“Quando o sol brilha, não conseguimos ver a lua. Mas quando o sol se põe...ah, quando o sol se põe..” Seria Shakespeare se não fosse a grande autora de suspense Agatha Christie. Morte no Nilo é um grande romance de Agatha Christie, que diferentemente de outros livros da autora, inicia sem a morte de alguém. Nele você vai aos poucos conhecendo cada personagem, em suas virtudes e mesquinhez e de repente, você está imersa com Poirot em uma luxuosa viagem pelo Egito, cercada de belezas exóticas, tumbas e achados arqueológicos. É na viagem pelo Nilo que os assassinatos ocorrem. É na viagem que o detetive belga tem a oportunidade de avaliar os personagens e perceber que praticamente todos tem um motivo para assassinar a jovem, bela, rica e bondosa Linnet Ridgeway, cujo único ato do mal foi casar-se com o grande amor de sua melhor amiga. É uma trama psicológica, e por isso muito interessante. Você consegue acompanhar os subterrâneos da mente de muitos dos personagens, e compreender se

Para olhar estrelas

Eu era muito pequena quando meu pai me mostrou as estrelas. Quantos anos eu tinha? Quatro, cinco anos, sei lá, mas lembro-me como se fosse hoje.   Nós dois sentados em uma mureta, em frente a uma fábrica na rua onde morávamos no bairro do Limão. Foi um instante mágico ver todas aquelas luzinhas brilhantes, há uma distância tão grande que minhas mãozinhas não poderiam tocar que apenas meus olhos podiam alcançar de leve. A menina que olhava aquele bordado noturno não via as fadas, as bruxas, os deuses que a embalavam nas histórias de ninar, era uma garotinha que estava vendo pela primeira vez a ciência. Na força daquele momento a criança que existia em mim não compreendia a grandeza de tudo, pois como criança meu mundo   era os pais , o irmão bebe e ela mesma.   Aquele pequeno piscar de estrelas, pontuado pelo meu pai, trouxe mais que a pura poesia, a vida da garota que eu era seria para sempre marcada pela ciência. Papai, afeito a ciência, alguns anos depois em uma cozinha tod

Doce Amanhã

Muitas vezes a beleza está contida dentro do interior e precisa ser percorrida com cuidado, com o carinho de quem segura uma borboleta azul para soltá-la instantes depois. Neste livro o tema recorrente é a morte. Sayo sofre um terrível acidente que mata o namorado dela, Yoichi, e a deixa entre a vida e a morte. É quando a protagonista “viaja” para o mundo dos mortos e encontra seu avô e seu cão de estimação. Lá, diante de uma profusão de cores e boas energias, o avô da protagonista a leva de volta a sua vida material, pois   ainda não era o momento do desencarne dela. O que eu gostei muito neste livro é acompanhar a viagem interior da personagem. A saída dela da “morte”, o caminhar como uma morta-viva pelas ruas de Tóquio e Kioto e a redenção, o momento em que ela percebe que a vida se basta, que o importante é o que fazemos com a oportunidade que temos de viver o aqui e agora, o instante presente. O encontro dela com Ataru, um homem cuja mãe morta ainda habita este planeta. Te

Seguidores