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26 de out de 2009

A triste notícia de Mestre e Doutores Garis

O Rio de Janeiro abriu concurso para garis. Mas o que seria uma ótima oportunidade para trabalhadores que não tem formação profissional, que estudaram só até a quarta-série, demonstrou ser o retrato de um país doente, cujo estudo e conhecimento é tratado como supermercado e dados estatísticos; um lugar onde mestres e doutores (no verdadeiro sentido da palavra (1) ) são apenas e exclusivamente títulos.
Quem se inscreveu em peso foram exatamente estas pessoas – mestres e doutores – que deveriam pertencer aos quadros universitários e tecnológicos do país, e eles estão lá, se candidatando a uma vaga de gari.
Todo trabalho é digno, toda profissão que é executada com honestidade e dedicação merece nossos aplausos. A profissão de Gari é absolutamente digna. Sem eles, estaríamos imerso em uma sujeira sem fim, e inumeráveis doenças. O caso é que, varrer ruas não é o lugar de mestres e doutores.
Em face do acontecido eu pergunto: se mestres e doutores estão se candidatando a varrer ruas, quem está nas universidades fazendo aulas, garis? A pergunta é válida na medida em que, no Brasil, diploma universitário é carteira de trabalho. É ridículo!
Será que não está na hora de fazer mudanças drásticas no sistema de ensino? Será que o presidente Lula não entende que, não basta criar as terríveis cotas de vagas, as bolsas etc., para as universidades? Quantidade de pessoas nas universidades não é sinônimo de melhoria de ensino, muito pelo contrário.
Dizer que aumentou em x% o número de alunos não significa melhoria na educação, significa complexo de grandeza.
O que aconteceu com os nossos cursos superiores em dois anos? Morreram. Quem matou? A ignorância do mercado de trabalho que não aceita este diploma como de curso superior, e que em pouco tempo pedirá pós-graduação e fluência em duas línguas para contratar faxineiras.
Eu trabalhei em um curso de dois anos para alunos de Criação e Produção Publicitária e pude comprovar a qualidade e a perfeição técnica que cada um deles atingia ao final do curso. Na prática, eles estavam mais aptos ao mercado de trabalho que alunos de cursos de quatro anos, por que a teoria era dada aliada a uma prática exaustiva da profissão.
Então eu pergunto. Se o Brasil é craque em seguir modelos internacionais em diversas áreas, por que é que continuamos a ser “tupiniquins” em educação? Por que não implantamos o sistema inglês de Educação?
A resposta é muito clara: irá dar trabalho, exigirá mais de todos, principalmente do governo, e irá mexer com muita gente como os Conglomerados de Universidades Supermercados, Cursinhos, Empresas que vivem de criar exames, Conselhos de Classes que não admitem nível técnico em suas áreas, etc, etc, etc. É a mesmice. Na verdade é melhor a ignorância. O futuro, pouco importa, afinal quando ele chegar boa parte dos que hoje comandam o país já terão partido desta para melhor, ou para pior, quem saberá?

(1) Doutor, no verdadeiro sentido da palavra é aquela pessoa que faz o doutorado, ou seja, realiza estudo, pesquisa para atingir a um grau de conhecimento superior. No Brasil há uma desvalorização, pois qualquer um é chamado de doutor. Advogado não é doutor, assim como professor não é tio.

Um comentário:

Doutor Satille disse...

Os desta geração não terão mais do que isso: Concursos de garis e coisa e tal, pois são já filhos da irresponsabilidade, do fôda-se, fica assim mesmo... São filhos também do analfabetismo crônico, pai da falta de perspectivas imposta por gente sem compromisso com a nação.