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27 de ago de 2012

Cinquenta Tons de Cinza


(spoilers)

 

Eu não recomendo a leitura deste livro para menores de idade. A história e o conteúdo emocional são para adultos, e isso significa alguém com bem mais de 21 anos.
A quarta capa do livro diz o seguinte: “Romântica, libertadora e totalmente viciante, uma história que vai dominar você.”  Não acredite, pois de romântica ela não tem absolutamente nada, de libertadora muito menos.
A autora E L James, uma ex-executiva de TV e portanto conhecedora do que o público realmente deseja ver, ou ler, criou uma história que se transformou em um sucesso estrondoso em todo o mundo. Mas, o que ela tem realmente para merecer todo esse sucesso? Confesso que estou até agora me perguntando e não obtive uma resposta convincente.
- Será que é devido ao conteúdo altamente sexual, baseado no estilo de vida que adota o sexo como uma forma de jogo “dominador e submissa”?
- Será que é a semelhança absurda com boa parte da obra da Stephanie Meyer?
- Será que houve um esgotamento de temas sobrenaturais e o público agora descambou para o “erótico”?
Não sei, não consegui chegar a uma conclusão. Então, vamos analisar por partes.
O texto é muito bem escrito. A autora tem uma forma eletrizante de escrever, o tipo de construção de trama que prende e faz com que o leitor deseje ir até o fim. A linguagem é bem popular com utilização de palavrões, sem excesso, mas que pode chocar alguns leitores desavisados.
A trama é outro caso. As coisas acontecem em um ritmo lento, muitas vezes descritivo demais. A história só amadurece quando a personagem Anastasia vai para Georgia e Christian Grey vai atrás dela. Ai sim, você consegue mergulhar na cena, viajar com eles dentro de um planador – de longe o melhor capítulo do livro.
A autora usou muitos elementos da trama de Crepúsculo.  Anastasia é uma versão piorada de Bella, Christian é a dominação de Edward levada ao extremo. Além disso, Christian tem algumas das características do vampiro: - Excesso de presentes e preocupação com segurança; excessivo controle com a alimentação de Ana; carros suntuosos... Ainda bem que Grey não é vampiro, rs, ele faria um estrago na população feminina do planeta.
Ai avalia-se a história propriamente dita. É muito simples: Uma jovem, Anastasia Steele, conhece um homem enigmático, bonitão e rico, Christian Grey, e ambos demonstram interesse em algo mais. Só que a não tão ingênua, mas inexperiente Ana, não imaginava que Grey era adepto de um tipo de relação que ela desconhecia a existência. Ambos se apaixonam – isso fica claro no livro – mas a relação entre os dois é muito difícil. Grey é um homem problemático, com traumas da infância, e só sabe se relacionar sentindo-se “possuir” o objeto de seu desejo, e para isso não mede esforços. Ana, por seu lado, resolve tentar o estilo de vida de Grey e fica totalmente dividida. Por uma lado, sente um imenso amor e desejo por ele, por outro lado sente-se humilhada pela forma como eles se relacionam. E é esse dilema e as cenas picantes que permeiam Cinquenta Tons de Cinza.
E agora nós entramos em um “lugar” que excede os limites da literatura, que excede a análise de uma ficção como boa ou ruim.
- Será que, em um mundo como o de hoje, no qual a mulher ainda luta para atingir seu verdadeiro espaço; luta para ser tratada com respeito; um mundo em que alguns países ainda permitem que mulheres sejam espancadas até a morte; um mundo no qual a mulher, mesmo em países civilizados, ainda sofre violência de todos os sentidos; será que Cinquenta Tons de Cinza poderá acrescentar algo bom para contribuir em uma melhora deste panorama?
Veja bem, longe de eu acreditar que o livro tem a obrigação de trazer uma mensagem, de solucionar os problemas do mundo, de ser apenas “cabeça” como alguns pregam. Mas, quando você lê uma trama como Cinquenta Tons de Cinza, na qual uma mulher se submete a uma forma “pervertida” de sexo, no qual se deixa apanhar com chicote, ser espancada com correia e mesmo assim se mantém apaixonada por seu algoz, e algo no mínimo para ser discutido em um divã e desalentador, se levarmos em consideração o sucesso internacional do livro.
Não é um livro que recomendo a leitura, no entanto, se você adotar o mesmo critério que adoto para minhas, nunca confio na opinião alheia, mas se optar pela leitura se prepare para ficar irritado, bravo, nervoso, indignado e muitas vezes querer colocar fogo no livro. No entanto, há cenas impagáveis, e é por elas que vale a pena tentar uma leitura.
Então, é você quem decide.
 
Ah! O livro é uma trilogia e será lançado sequencialmente aqui no Brasil, ainda este ano.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Soraya! Faz algum tempo que não visito seu blog e confesso que adorei o tom da sua publicação. Creio que existe milhares de "tons de cinza" por ai, mas poucos admitem. Parabéns! Gostei muito e talvez nunca leia este livro, mas que voce despertou a curiosidade em na leitura dele, isso despertou.
Abs,
Luis Antonio