Na década de 70 uma campanha publicitária balançou o Brasil, ela pedia para que as pessoas se mexessem. Era um convite ao exercício físico. O país, aos poucos, foi se conscientizando da necessidade de sair do sedentarismo e usufruir dos benefícios que a atividade física proporciona.
Hoje, mais do que nunca, precisamos retomar
a campanha, mas desta vez o “mexer-se” fica por conta do cérebro.
Até a década de 2010, mais ou menos, o QI
das pessoas vinha em pleno crescimento. O cérebro era estimulado por uma série
de fatores que passavam pela saúde, pelo crescimento das oportunidades de
estudo e também pela interação que tinham com familiares e amigos. Nosso
cérebro tinha exercício diário para se desenvolver.
Então veio o smartphone e uma determinada
rede social, e aos poucos outras tomaram conta do nosso dia a dia. Trocamos a
leitura de algumas páginas, por um rolar incessante da tela do celular. Lemos
qualquer coisa em qualquer perfil, e nos esquecemos de ler as sessões de
opiniões dos grandes jornais. Encontramos a família, os amigos, e interagimos
apenas com nosso celular.
Isto trouxe uma decadência de nosso
cognitivo. O músculo cerebral foi atrofiando, e hoje, qualquer leitura mais
complexa causa uma espécie de distensão muscular cerebral, causa “dor”.
Deixamos de criar, de pensar para nos deixar levar pela “onda social”.
Estamos vivendo a era da Inteligência Artificial.
E sob diversos aspectos isso é muito bom. Trabalhos braçais, aqueles que
exigiam esforço físico prejudicial à saúde podem ser feitos pelas maquinas e a
nós restará o que?
─ O pensar.
─ Estamos cultivando o pensar?
─ Não. Perdemos nosso tempo pedindo que a
IA crie memes, que nos dê respostas que nos mesmos encontraríamos com um
pequeno esforço. Deixamos de escrever para que a máquina faça isso por nós;
deixamos de pensar na medida em que nos deixamos envolver pela “maquina” que
roda as redes sociais, que usa do algoritmo para distribuir apenas o que
interessa.
Hoje, nossos dedos estão trabalhando mais
que nosso cérebro. Encontramos uma espécie de “animal máquina” que está nos
subjugando.
Precisamos criar uma revolução que deverá
irá iniciar por nos mesmos, por mudanças de hábitos e atitudes. Transformações
que vão nos fazer dar dois passos para trás e depois nos levar a um salto
maior.
Exercitar nosso cérebro é necessário e
urgente. Devolver nossa autonomia, nossa capacidade de criar, de errar, de
corrigir, de nos relacionar.
Algumas coisas simples podem ser feitas.
Vou sugerir algumas delas:
1 – Use seu celular como telefone fixo –
Coloque na tomada de forma que você precise se deslocar caso necessite dele. Em
momentos de tédio, isso fará com que pense duas vezes antes de se levantar do
lugar e ir atrás de um alivio no aparelho.
2 – Caminhe – Na caminhada sem objetivo,
naquela caminhada que você sai pelo mero prazer de andar, de observar o
ambiente, de detectar as árvores, os pássaros, você relaxa a mente e
proporciona alguns momentos de meditação, mesmo que não saiba que está fazendo
isso. Não é a toa que grandes escritores não só se utilizam desta técnica, como
também colocam seus personagens caminhando.
3 – Leia todos os dias – Cinco minutos, uma
hora, não importa. Crie o hábito de fazer isso dentro da sua agenda diária. No
inicio será difícil, mas com o passar do tempo você estará buscando cada vez mais literaturas
complexas. (Faça isso longe do celular)
4 – Permita-se não fazer nada. Sabe aqueles
momentos em que você deita no sofá e fica olhando para o teto? Faça isso.
Silencie sua mente. De uma folga para ela.
5 – Se puder escreva. Conte o que fez
durante o dia, faça um poema, escreva uma receita de bolo que você faz de
cabeça. Coloque ideias no papel. Isso ajuda a organizar a mente. E lembrando
que o “escrever a mão” desenvolve o cérebro.
6 – E por ultimo, faça algo diferente todo
mês. Se proponha ao inusitado. Uma oficina de cerâmica, conhecer um pouco de
uma língua totalmente estranha, visitar museus se isso não for um hábito, conhecer
um restaurante novo, etc. O importante é se desafiar.
A mente é como aquelas capas de chuva de
plástico que guardamos na bolsa quando novas. Uma vez aberta, ela cresce,
parece não caber mais no espaço que ocupa. Já percebeu isso?
Então essa é minha proposta. Saia da sua
rotina, retire do seu vocabulário as palavras limitantes (Não tenho tempo; não
tenho capacidade; isso não tem serventia; não sou preguiçoso etc.)
Pense nisso, faça, ouse. Comece com um
único item da lista, o que for mais fácil para você e depois veja o resultado.
Um final de semana fitness para você.
Farmando
aura! Claro.
Imagem
criada com auxílio do ChatGPT (OpenAI). (Aqui uma das funções interessantes de se
usar IA)

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