A pergunta é muito simples, mas envolve momentos de angustia, de incerteza e de sofrimento. A ideia de escrever esta postagem veio exatamente da falta de ideia sobre o que escrever.
Já se
perguntou de onde vem à inspiração para os escritores e para as sessões de
opinião dos grandes jornais e blogs? Passou pela sua cabeça, em algum instante,
que aquele escritor amado possa ter sofrido de “falta de ideias” e parado a
escrita por um longo período?
Pois é,
isso acontece e muito. Clarice Lispector, por exemplo, passou um tempo sem
ideia nenhuma para escrever, e acabou dedicando o tempo a pintura de quadros
enquanto elas (as ideias) não voltavam.
É bem assim
mesmo. As ideias parecem partir muitas vezes em longas viagens, e precisamos
aguardar que elas retornem, de preferência com mais força e conhecimento.
Quando
escrevo ficção, tenho a sensação que os personagens sentam-se a mesa comigo e
vão contando sua história. Dão detalhes da vida, passagens engraçadas, fazem
reflexão sobre o ocorrido e muitas vezes passam por momentos de arrependimento
ou dúvida. Se isso não acontece, se esta sensação não se concretiza o texto não aparece.
─ Magia?
─ Não,
claro que não. Imagino que cada um de nós tem uma “chave” para acessar o mundo
das ideias. A minha é essa.
Também
tem o fato da escrita não ser algo que você senta e espera que aconteça. Ela
precisa de disciplina, de dedicação, de pesquisa. É ritualística:
Todos os
dias você se coloca diante da folha de papel ou da tela do computador. Disponibiliza-se
para isso. Prepara-se para que a escrita ocorra. Muitas vezes você olha para o
papel por duas horas, e uma única frase está grafada. Prepare-se, pois escrever é isso. É
aceitar que haverá bons e maus momentos.
É bem
diferente da escrita comercial, aquela que você é obrigado a escrever algo (Um
anúncio, um comercial, um texto de rádio, um título para outdoor). Na
publicidade não tem espera, é o tempo do cliente, dos interesses dele. E você
faz, mesmo que aquilo não te agrade.
O que eu
quero compartilhar com vocês (e sim, este texto foi escrito de uma forma
totalmente pessoal) é que há maneiras de se treinar a criatividade, mas nem ela
garante que você irá escrever seu livro de uma tacada só.
O
escritor é aquele ser que gosta de viver enclausurado em seu mundo. Uma sala
confortável, um computador e um caderno parecem ser tudo de que ele precisa
para ser feliz... mas não é só isso.
Escrever
também exige sair para o mundo, olhar as pessoas, sentir os fatos, estar vivo
dentro da vida.
Uma
pessoa colhendo uma flor no meio da avenida pode ser uma inspiração. Um doce na
padaria, ou o atendimento do balconista pode te levar a reflexões que não teria
se ficasse apenas em seu espaço de segurança. Tenho um amigo que é especialista
em observar e escrever textos que muitas vezes eu leio e digo: ─ De onde ele
tirou essa comparação? ─ E percebo que são anos e anos de dedicação, não só a
escrita, mas a observar e compreender a alma humana.
Portanto,
se você tem problemas na hora de escrever precisa encontrar a sua “musa”. Ela
não será de muita utilidade, mas todos nós que escrevemos temos uma. Na
sequência apure seu olhar, saia, observe a minúscula folha que caiu do arbusto.
Seja alguém que alongou o olhar para a humanidade, e com isso também ampliou
seu amor e sua tolerância.
─ E depois
disso?
─
Dedique uma hora do seu dia para escrever. Reserve esse tempo. No entanto, se
não conseguir, não se frustre. As ideias muitas vezes estão muito tímidas, e
você precisa que elas tenham coragem de aparecer.
Sorria,
seja feliz e diga para si mesmo que consegue.
Isso
vale para tudo o que quiser em sua vida.
Bom
final de semana!
Imagem:
Criada com IA (ChatGPT/OpenAI).

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