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Quem ama a leitura não faz pirataria de livros

Vou iniciar aqui uma campanha, que valoriza não só os escritores, as editoras, mas a atitude correta e cidadã de cada um de nós. E não podemos esperar menos que isso de quem ama a literatura. Saibam que a Pirataria é um crime que chegou com força na literatura. Todos os dias, sites disponibilizam gratuitamente downloads de livros recém lançados, como se eles fossem o “Robin Hood” dos tempos modernos. Rá! Grande piada! Eu digo piada porque sob a falsa impressão de “divulgação do direito de ler” se esconde um crime, que poderá chegar a destruir a própria literatura. Só o custo de preparação de texto, revisão, diagramação e impressão de um livro simples, de 392 páginas, tamanho 16x23 cm (Crepúsculo tem este tamanho) não saía por menos de quinze mil reais em 2010. Isso significa dizer que para repor os gastos o livro deveria ser vendido a quinze reais. Só que não podemos esquecer que há os direitos autorais dos escritores, que variam de 10% a 20% no Brasil; o custo da distribuição, a comis...

Razão e Sensibilidade

Jane Austen é um ícone da literatura inglesa, de tal grandeza talvez só comparada a William Shakespeare. Praticamente sem a descrição de um único beijo ou abraço mais ousado, as cenas de amor são marcantes, extremamente fortes e eternas. Ela nasceu em Steventon, Inglaterra no final do século XVIII e morreu no início do século XIX, em uma vida curta, simples e repleta de engenhosidade. Não se sabe muita coisa sobre ela, o que não é estranho, já que a mulher, na época, tinha um papel muito secundário na sociedade, funcionando muitas vezes como uma “bolsa de valores”: quanto mais alto o dote, mais alto o padrão de marido que encontraria. Jane Austen foi uma destas figuras que transgrediu os padrões através de sua arte. Sua engenhosidade só foi reconhecida no século XX, quando se percebeu que ela tinha sido a precursora do romance feminino. Seus livros são de fácil leitura, ao contrário do que muitos dizem. Mas, não se engane. Os textos são bem elaborados, repletos de metáforas e mensagen...

Cada vez mais forte. Crescendo.

Como em uma música, o livro Crescendo - um termo italiano da notação musical que significa cada vez mais forte – Becca Fitzpatrick orquestra de maneira magnífica o enredo de seu segundo livro. Quem leu o primeiro da série “ Sussurros ” sabe que a autora tem uma forma de escrever que tira o fôlego e induz a uma leitura contínua, quase sem respiração. Um texto intrincado e ao mesmo tempo fácil. Como o próprio título do livro diz, a trama entre Nora e Patch vai se tornando cada vez mais forte, mais intensa e a autora nos prepara uma surpresa a cada capítulo. Mas é bom que o leitor não pense que tudo é fácil. Nora, a nossa protagonista, tem o poder de nos deixar irritados a cada punhado de páginas. Ela está cada vez mais “cabeça dura”, cada vez mais ciumenta e por que não dizer, cega. Em Sussurros, Patch abre mão da possibilidade de se tornar humano para salvar Nora – e isso não é pouco, levando-se em consideração que ele foi criado no principio dos tempos como Anjo, teve suas asas arranca...

Uma grande metáfora chamada Cisne Negro

-contem spoilers - O Lago dos Cisnes é um clássico do ballet, cobiçado por toda a bailarina. Odete e Odile são dois personagens que exigem um virtuosismo tão grande que rouba parte da alma da bailarina para transformá-la no cisne branco ou no cisne negro. O diretor Darren Aronofsky, com a sensibilidade de um virtuose, levou este desejo e a ambigüidade às últimas consequências. Cisne Negro é muito mais que um filme sobre ballet, é a história desnudada do mundo de competição entre mães, cujas filhas estudam dança; uma alusão as suas frustrações que acabam deteriorando a estrutura das meninas. O filme fala também da dualidade entre bem e mal, luz e trevas que a personagem principal Nina vive. Atormentada pelo sufocamento que sua mãe, uma ex-bailarina frustrada, exerce sobre ela e vivendo a pressão do diretor da companhia que a convida para ser a “prima ballerina” do mais cobiçado ballet em uma remontagem que exigirá dela desempenhar dois papeis opostos, Nina acaba se esfacelando em duas...

Pequenas considerações sobre o prazer de escrever e ler.

Escrever é fácil. Você começa com maiúscula e... sente um vazio existencial depois. Parodiando o grande poeta Pablo Neruda, que por sinal escrevia com maestria, escrever não é tão fácil assim e sabe por quê? Trata-se de um ato absolutamente humano, e como tudo que se refere a nós, tem as influências do humor, da vontade, dos hormônios e da conta bancária, se me permitem dizer isso. Esqueci de dizer que as nossas antigas professoras de português, muitas vezes, são também responsáveis por este vazio (Aprender português é importantíssimo e necessário, sem ele não atingimos a escrita). Aprendemos na escola que devemos escrever tudo muito certinho, todos os pontos nos seus lugares, todos os acentos devidamente vestidos e, sobretudo, muita oração em ordem direta, o que convenhamos, tira boa parte do charme da escrita. O escritor, aquele que ama realmente a escrita, deleta de seu português todas as regras, todas as restrições, todas as métricas que aprisionam. Ele escreve, muito, sente um pra...

O uso do iPad nas escolas

Que atire a primeira pedra quem ainda não entrou em lojas como Fnac, Fast Shop ou outras do gênero e não ficou de queixo caído com um iPad? É preciso uma determinação muito forte para não sacar o cartão de crédito, sem pensar no tamanho da dívida (iPad brasileiro é o mais caro do mundo) e sair correndo para casa e usufruir desta maravilha tecnológica. O que parecia ser mais um produto de tecnologia fadado ao uso para negócios ou prazer, transformou-se em ferramenta de ensino-aprendizagem nos Estados Unidos. Algumas escolas americanas deram a seus alunos iPads que serão usados em sala de aula. Os professores poderão pedir durante a aula que o aluno busque mais informações sobre um escritor, por exemplo, que abram um texto em espanhol ou madarim (fiquei surpresa com essa informação) vindo direto da internet ou armazenado no aparelho. Tecnicamente parece que estas funções poderiam ser feitas por um notebook, e podem, mas o aparelho tira a interação que o aluno estabelece com o professor. ...

A Sociedade e as Drogas

Desde 11 de novembro a Wellcome Colletion, em Londres, apresenta a exposição High Society . Não se trata do famoso filme dirigido por Charles Walters de 1956, mas sim de um retrato do uso das drogas e suas relações com a sociedade ao longo dos séculos. Os apaixonados por literatura e arte sabem que excelentes criadores fizeram uso de drogas alucinógenas para “viajar” em suas obras. Haxixe, Ópio, Heroína, já foram substâncias químicas permitidas socialmente, como diversão ou medicamento. A exposição parte da premissa que todo ser humano, em algum ponto de sua existência, recorre às drogas sejam elas ilícitas ou não. Na lista de drogas estão a cafeína (Café, chá, chocolate), o álcool ou qualquer outra substância que estimule a dopamina. Em uma época na qual o combate as drogas é pedra fundamental de governos como o americano e o brasileiro, uma reflexão sobre o papel que ela exerceu, e as mudanças de atitude em torno dela é bem vinda e talvez uma fonte inspiradora de análise para a forma...

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