O fim do mundo anda meio ocupado ultimamente. Se antes ele vinha com as trombetas do apocalipse, agora chega por notificações: “urgente”, “última hora”, “em desenvolvimento”. Entre uma atualização e outra, alguém menciona tensões como a guerra entre Estados Unidos e Irã, e o planeta suspira — não em surpresa, mas em cansaço. Afinal, o apocalipse, ao que parece, entrou na rotina. Há algo de irônico nisso tudo: enquanto imaginávamos o fim como um grande espetáculo final, ele vai acontecendo em pequenas prestações. Um gelo que derrete aqui, uma floresta que arde ali, uma crise que escala acolá, a ascensão de algumas vertentes políticas radicais, a intolerância. Nada muito cinematográfico, mas suficientemente persistente para nos lembrar de que o extraordinário pode ser, na verdade, ainda estarmos aqui. E, no entanto, a vida insiste. O café ainda esfria sobre a mesa, as pessoas ainda riem de coisas bobas, alguém ainda planta uma árvore sem saber quem vai colher a sombra, crianças ainda...
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