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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

A Mulher de Pés Descalços

“Mãezinha, eu não estava lá para cobrir o seu corpo, e tenho apenas palavras - palavras de uma língua que você não entendia - para realizar aquilo que você me pediu. E estou sozinha com minhas pobres palavras e com minhas frases, na página do caderno, tecendo e retecendo a mortalha do seu corpo ausente.” Há livros que não se leem apenas com os olhos, mas com o corpo inteiro. A Mulher de Pés Descalços, da escritora ruandesa Scholastique Mukasonga, é um deles. A obra nasce do gesto mais radical da literatura: escrever para não deixar morrer. Ao reconstruir a figura da mãe, Stefania, assassinada no genocídio contra os tutsis em Ruanda, Mukasonga transforma a memória em território de resistência, onde cada palavra tenta salvar aquilo que a violência tentou apagar. O título já carrega uma força simbólica pungente. Os pés descalços da mãe não são apenas sinal de pobreza ou submissão, mas expressão de uma existência profundamente ligada à terra, aos rituais, à sabedoria ancestral. Stefani...

Vamos comprar um Poeta

O título causa espanto para você? Sem dúvida me causou também? Como assim? Comprar um poeta? Em um mundo cada vez mais orientado por números, metas, produtividade e resultados, a pergunta que atravessa Vamos Comprar um Poeta , do escritor português Afonso Cruz, causa um incômodo extremamente necessário: o que acontece quando tudo passa a ter preço, mas quase nada tem valor? Publicada em 2016, a obra se apresenta como uma fábula contemporânea, que pode ser lida em uma única tarde, mas que nos remete a profundas reflexões sobre arte, linguagem e humanidade. A narrativa nos conduz a um universo distópico assustadoramente próximo do nosso. Nesse mundo, tudo é mensurável e avaliado segundo sua utilidade econômica. Palavras são caras, sentimentos são desperdício e relações humanas passam pelo filtro da eficiência. Não há espaço para o supérfluo, para o inútil, para aquilo que não gera retorno imediato. É nesse contexto que uma família, a pedido da filha, decide comprar um poeta. O gest...

Minhas leituras de Janeiro

Dois mil e vinte e seis parece estar apressado. Janeiro se foi em um piscar de olhos. Bem na hora do “Feliz Ano Novo” você piscou e o primeiro de fevereiro já bateu na sua porta. Meu janeiro foi uma riqueza de leituras e descobertas. Comecei a pegar livros em uma biblioteca pública, algo que nunca havia feito. Em meus tempos escolares eu vivia em bibliotecas fazendo pesquisas, mas a leitura de um bom romance sempre foi algo que acontecia após uma ida a livraria. Aqui em São Paulo é muito fácil se associar a uma biblioteca. Basta procurar uma em seu bairro, levar documento com foto e comprovante de endereço e pronto, você pode pegar até quatro livros a cada quinze dias. Melhor ainda é que você pode pesquisar o catálogo pela internet e ir diretamente a biblioteca que tem o livro que você quer ler. Eu vou a Biblioteca Mario Schenberg, um primor de lugar com uma bibliotecária extremamente simpática e solicita. Agora, voltando as leituras que serão resenhas em fevereiro, vou começ...

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