Pular para o conteúdo principal

Pablo e Dom Pablo

Esta é uma das fotos de Pablo Neruda que eu mais gosto.
Esta semana completou-se 110 anos de nascimento do grande poeta Chileno Pablo Neruda (Neftalí Ricardo Reyes Basoalto), que nasceu em de julho de 1904 em Parral, região do Maule, Chile (Se você olhar no mapa verá que a cidade está abaixo de Santiago.). Ele é considerado um dos maiores poetas de língua espanhola do século XX. Pablo morreu em Santiago, em 23 de setembro de 1973.
Fiquei me lembrando de como foi o meu primeiro encontro com ele, com sua obra. O livro foi um presente de minha mãe, que sabedora de minha paixão por poesia o encontrou na falecida livraria Guarani do bairro da Lapa. Era um exemplar misto, escrito por sua fiel secretária Jurema Finamor (*) que contava a vida do poeta e os anos em que o secretariou. Também haviam poemas, muitos deles e confesso, me encantaram.
Pablo Neruda tem uma poesia instigantes que ora recai em um lirismo angustiado, como o de sua obra Vinte Poemas de Amor e uma Canção desesperada, ora se transborda de política e nos presenteia com o épico como seu Canto Geral.
Também é encantadora suas Odes, como a Oda a La Alcachofra (Foto) e a Oda ao Libro (II) que vou reproduzir abaixo.
É interessante que Neruda parte de uma poesia completamente hermética do inicio de sua carreira e chega a simplicidade, quando já tendo diversas passagens pela política do Chile se candidata a Senador pelo Partido Comunista. Pablo queria que os operários o compreendesse. 
Não vou me alongar contando histórias sobre ele, por que a internet está repleta de pequenas biografias sobre o autor. Ao final doo post tem dois links bem interessantes.
La Sebastiana, Valparaíso
Vista interna do La Sebastiana
Creio  que para falar sobre Neruda é preciso conhecer o Chile, visitar sua casa em Valparaíso (La Sebastiana) e em Isla Negra. Caminhar pelas praias do litoral chileno e sentir a vida como ele sentiu.
Nada do que possa dizer sobre ele falará mais que sua poesia, alias um repórter um dia perguntou a Pablo o que era sua poesia. Ele respondeu: "Se alguém me perguntar o que é minha poesia eu responderei: - É mais fácil perguntar a minha poesia quem sou eu.”
Deixo com vocês a Oda al Libro II, tirada do site sobre o autor, na Universidade do Chile e um "gostinho de quero mais" do autor.


Mimos que meu marido me trouxe do Chile.



ODA AL LIBRO (II)

LIBRO
hermoso,
libro,
mínimo bosque,
hoja
tras hoja,
huele
tu papel
a elemento,
eres
matutino y nocturno,
cereal,
oceánico,
en tus antiguas páginas
cazadores de osos,
fogatas
cerca del Mississippi,
canoas
en las islas,
más tarde
caminos
y caminos,
revelaciones,
pueblos
insurgentes,
Rimbaud como un herido
pez sangriento
palpitando en el lodo,
y la hermosura
de la fraternidad,
piedra por piedra
sube el castillo humano,
dolores que entretejen
la firmeza,
acciones solidarias,
libro
oculto
de bolsillo
en bolsillo,
lámpara
clandestina,
estrella roja.
Nosotros
los poetas
caminantes
exploramos
el mundo,
en cada puerta
nos recibió la vida,
participamos
en la lucha terrestre.
Cuál fue nuestra victoria?
Un libro,
un libro lleno
de contactos humanos,
de camisas,
un libro
sin soledad, con hombres
y herramientas,
un libro
es la victoria.
Vive y cae
como todos los frutos,
no sólo tiene luz,
no sólo tiene
sombra,
se apaga,
se deshoja,
se pierde
entre las calles,
se desploma en la tierra.
Libro de poesía
de mañana,
otra vez
vuelve
a tener nieve o musgo
en tus páginas
para que las pisadas
o los ojos
vayan grabando
huellas:
de nuevo
descríbenos el mundo
los manantiales
entre la espesura,
las altas arboledas,
los planetas
polares,
y el hombre
en los caminos,
en los nuevos caminos,
avanzando
en la selva,
en el agua,
en el cielo,
en la desnuda soledad marina,
el hombre
descubriendo
los últimos secretos,
el hombre
regresando
con un libro,
el cazador de vuelta
con un libro,
el campesino arando
con un libro.


(*) Pablo e Dom Pablo, Editora Nórdica, 1975, 251 páginas



LINKS:



Comentários

Roberta disse…
Adorei!!!
Camila disse…
Adorei, Soraya!!!
Me deu vontade de ler poesia!! rs...
beijos
Camis - Leitora Compulsiva
SORAYA FELIX disse…
Camis,
Que legal. Poesia é uma delicia para ser lida, e Pablo Neruda uma das melhrores opções para se começar.
Bjs,

Postagens mais visitadas deste blog

Inferno

Autor:  Dan Brown Tradutor: Fabiano Morais e Fernanda Abreu Editora:  Arqueiro Número de páginas:  448 Ano de Lançamento:  2013 (EUA) Avaliação do Prosa Mágica:   9                               Gênio ou Louco? Você termina a leitura de Inferno e continua sem uma resposta para esta pergunta. Dan Brown nos engana, muito, de uma maneira descarada, sem dó de seu leitor, sem nenhuma piedade por sua alma. O autor passa praticamente metade do livro te enganando. Você se sente traído quando descobre tudo, se sente usado, irritado, revoltado. Que é esse Dan Brown que escreveu Inferno??? Nas primeiras duzentas páginas não parece ser o mesmo que escreveu brilhantemente Símbolo Perdido e Código D’Vince.  Mapa do Inferno. Botticelli. Então, quando você descobre que está sendo enganado, assim como o brilhante Robert Langdon, a sua opinião vai se transformando lentamente, e passa de pura revolta a admiração. É genial a manipulação que Dan Brown consegue fazer c

Tudo vai passar

Diante desta desgraça geral, com tantas mortes no mundo e no Brasil, pode parecer estranho um blog falar de leitura, de romance, de ficção, de sonhos. Pode ter a certeza que não é. Do que é feita a vida, senão de sonhos tornados realidades? O que seria agora, dos milhões de italianos que estão em isolamento total em suas casas se não fosse o sonho, a esperança? - Tudo vai passar. Uma das maneiras mais ricas de se passar um momento como esse é a leitura.   O livro é a porta aberta para o mundo que não podemos caminhar; são os abraços que não podemos dar; são os familiares que não podemos encontrar; são pessoas diferentes com as quais podemos dialogar, mesmo que em um primeiro momento pareça que estamos exercendo um monologo. Você pode optar por dialogar com escritores mais contemporâneos, que nos apresentam uma linguagem atual. Talvez uma conversa regada a saquê com Murakami com “histórias bizarras que gravitam no limite do realismo fantástico” como explica Felipe Massahiro.

Setembro

Autor:   Rosamund Pilcher Tradução: Angela Nascimento Machado Editora:  Bertrand Brasil Número de páginas: 462 Ano de Lançamento: 1990 Avaliação do Prosa Mágica:   10                         É uma história extremamente envolvente e humana que traça a vida de uma dúzia de personagens. A trama se passa na Escócia, e acontece entre os meses de maio a setembro, tendo como pano de fundo uma festa de aniversário que acontecerá em grande estilo. Violet, que me parece ser a própria Rosamund, costura a relação entre as famílias que fazem parte deste romance. Com destreza e delicadeza, a autora   nos conta o cotidiano destas famílias, coisas comuns como comer, fazer compras, tricô, jardinagem. Problemas pessoais como a necessidade de um trabalho para complementar a   renda e outras preocupações do cotidiano que surpreendem pela beleza que são apresentadas. É um livro em camadas, que pode ser avaliado sobre vários aspectos que se complementam. Pandora, por exemplo, é o