É janeiro, e apesar disso ser óbvio hoje, talvez não seja na data que você estará lendo esta postagem.
Digo
isso porque na vida, assim como nos livros, na web, o que se passa no hoje pode
não ser a mesma coisa amanhã. Sim, talvez minha alma esteja impregnada da
filosofia. Culpa de uma releitura que estou fazendo.
Li
uma postagem recentemente que, de certa forma, menosprezava o ato de ler.
Segundo a autora da postagem se você lê sem reflexão, a leitura não te serve de
nada. Discordo veementemente.
Primeiramente
porque o ato de ler não se limita a agregar conhecimento, mas também a
trabalhar o sensível, a criar empatia, a trabalhar possíveis traumas futuros(1).
Explico melhor.
Ninguém
deseja ser sequestrado (Não que eu saiba), mas quando você lê um livro em que o
personagem foi sequestrado você vivencia em nível mental aquela emoção. Se um
dia (espero que nunca aconteça) isso for uma verdade para você, seu emocional
estará mais preparado para isso.
─ Você
fez alguma reflexão sobre o assunto?
─ Não.
─ No
momento da leitura isso te trouxe um conhecimento novo?
─ Não
─ Foi
importante?
─ Sim,
na medida em que te preparou para uma situação, ou no mínimo, te causou um
sentimento que aumentou sua empatia em relação ao sofrimento alheio.
E não
é só. Lemos porque queremos nos desconectar do mundo, porque queremos descansar
a mente, porque precisamos viver outros mundos, outras vidas. Lemos, porque
como li em outra postagem “De todos os instrumentos inventados pelo homem, o
mais surpreendente é o livro; todos os outros são extensões do seu corpo...Só o
livro é uma extensão da imaginação e da memória.”
E isso não é ruim, muito pelo contrário.
Sim,
a leitura tem um valor enorme em todos os sentidos: na diversão, na desconexão
e também na reflexão. Isso sem falar na formação do caráter.
No
mesmo texto, a pessoa em questão indicava a Bíblia como leitura. Causou-me
espanto. Ler a bíblia exige não só fôlego, mas também pesquisa e reflexão. E,
ao fazer isso você questiona; e ao questionar você derruba dogmas, que por
significação é algo que você aceita sem questionar.
Daí
vem uma incoerência textual. Quando você prega que livro sem reflexão não vale
nada e pede que as pessoas leiam um livro no qual se aceita o que está escrito,
sem que para isso se faça uma reflexão sobre o tema, no mínimo é incoerente.
Veja
bem, não tenho nada contra essas leituras, muito pelo contrário. A mais lida no mundo todo foi a primeira feita pela imprensa de Gutenberg e seu
conteúdo histórico e sociológico é material extenso para estudo e reflexão.
Neste caso, infelizmente isso não é feito.
Desculpa
o desabafo, mas é chocante ver que, a despeito de todos os esforços que
centenas de pessoas estão fazendo para incentivar a leitura, haja alguém que de
forma irresponsável escreve uma bobagem dessas. Respeito opiniões, mas é
preciso muita responsabilidade quando elas são compartilhadas em um meio
massivo.
─ O
que eu digo para você?
─ Leia,
não importa o quê. Crie o hábito. Leia o que te deixa feliz e relaxado. Abra o
livro, deguste as palavras... pule páginas, leia o final antes... faça o que
quiser com o livro, mas crie o hábito.
Cada
palavra lida no papel vai se impregnar em você, e “sem querer” você estará
refletindo melhor, pensando com maior clareza e é claro, tendo opiniões mais
embasadas. Tudo isso sem o peso de ter que, a cada livro parar e pensar o que
ele te trouxe de novo.
É
isso. Livro é tudo!
Um
lindo final de semana!
Referência de Leitura sobre a importância da literatura:
Literatura e
Sociedade. Antônio Candido. Editora Todavia

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