Pular para o conteúdo principal

Vale das Chamas


Autor:  J. Barton Mitchell
Tradutor: Denise de Carvalho Rocha
Saga da Terra Conquistada. #3
Editora:  Jangada
Número de páginas: 492
Ano de Lançamento: 2015
Avaliação do Prosa Mágica:  10


A trilogia Saga da Terra Conquistada foi um dos grandes presentes que recebi nos últimos dois anos. Como leitora me sinto honrada por ter lido e comentados os livros. O que diferencia esta saga das outras é muito mais que um bom texto (e boa tradução). Trata-se da capacidade criativa do autor de tratar assuntos já vistos e revistos pela literatura sob um ângulo totalmente diferente. Não tem apenas ficção cientifica e distopia nas páginas da trilogia, tem filosofia, tem religião e uma boa dose de questionamento político.
Só para você ter uma idéia do que se trata a trilogia, em Cidade da Meia Noite (livro 1), a Terra havia sido invadida por alienígenas. Uma estranha invasão que domina apenas os adultos com um fenômeno chamado estática. Os únicos sobreviventes, e que farão parte da resistência a esta invasão, são as crianças e os adolescentes. Há, no entanto uma rara exceção, que são os imunes. Pessoas mais velhas, que por um motivo não explicado, não são afetadas pela estática. É no primeiro livro que conhecemos Holt, Mira e Zoey, três personagens cativantes que empreendem uma jornada na expectativa de ajudar Zoey a chegar as Terras Estranhas e cumprir sua missão. (Veja resenha aqui)
Já na Torre Partida, livro 2, é Mira quem assume o papel de protagonista e heroína da trama. É ela, que ao lado de Zoey irá desvendar os segredos das Terras Estranhas e levar a menina a se encontrar com o que será seu destino, em uma cena descrita de forma épica. Mas é também neste livro, que Zoey se deixa ser levada pelos alienígenas. (Veja resenha aqui)
Quando você lê o Vale das Chamas (Livro 3) Mira e Holt estão se separando para que eles possam agrupar pessoas suficientes para chegar a São Francisco e resgatar Zoey. E é nesta busca que você percebe o crescimento de Mira e de Holt. Um amadurecimento que nos evoca a passagem da adolescência para a vida adulta. Eles aprendem, compreendem e se transformam de uma maneira encantadora. É emocionante.
Eu me apaixonei por Mira, por que ela transcende o lugar comum da heroína. A bucaneira é alguém que tem medo, que sofre, mas mesmo assim segue em frente na busca de sua meta, mesmo que este objetivo a coloque frente a frente com a morte.
As cenas são incrivelmente escritas. Detalhes de batalhas que te fazem sentir-se dentro do livro, exatamente no lugar onde tudo acontece. O coração se aflige e se desespera ao longo de toda a história.
O livro não é meramente uma invenção, J.Barton Mitchell faz reflexões filosóficas.  Primeiro ele nos leva ao medo primordial do desconhecido, aquele que faz o ser humano renegar e ignorar aquilo que não sabe. Depois ele nos leva ao preconceito, ao ato de julgar antes de conhecer a verdade a fundo e no final, protagonizado por Mira, nos leva ao questionamento e a coragem de buscar mais a fundo e amar o que é diferente.  Tem uma cena com esta personagem que é de chorar.
Também há uma ponta de reflexão religiosa. O que é exatamente a existência? A vida só pode existir de uma única forma? Pode o Ser dominar outro Ser em função de uma crença? Até onde vai a capacidade de luta do ser humano que acredita, mesmo que esta crença se baseie em uma tênue profecia? J.Barton Mitchell foi inteligente ao trabalhar estes aspectos dentro da ficção cientifica.
Mesmo com todas as mortes e dores recheando as páginas de Vale das Chamas, o livro nos traz uma mensagem de esperança no amanhã e na certeza que não se modifica nada sem esforço.
Tem outro detalhe que vale a pena comentar. A Saga da Terra Conquistada é uma das pouquíssimas séries cujos livros crescem a cada novo episódio. O livro dois, sem dúvida, é melhor que o um, e o último é maravilhoso.
Foi bom demais ler esta série. Considero uma das melhores que li nos últimos anos. Vai sem dúvida se tornar um clássico.
Sentirei saudades de Mira, Holt, Zoey, dos Hélices Brancas e do Bando.



Obs: Tem um livro extra, que você consegue gratuitamente através do site da Saraiva chamado Baia Invernal (neste link). Já baixei e vou ler e resenhar.

Comentários

Rinaldo Kassuga disse…
Li o primeiro livro dessa trilogia e gostei muito! Vou com certeza ler os outros dois. Lendo essa resenha deu mais vontade ainda de ler... gostei muito dos seus comentários, ele aguça a vontade de saber o que vai acontecer na estória...
SORAYA FELIX disse…
Pode ler que vc vai adorar. A trama é eletrizante.
Bhs
SORAYA FELIX disse…
Pode ler que vc vai adorar. A trama é eletrizante.
Bhs
Roberta disse…
Resenha muito bacana!!! Fique com vontade de ler a trilogia. Gosto de histórias que envolvam alienígenas! Já estão na minha lista!

bjs,

Roberta
Unknown disse…
Olá,

Estou gostando muito dos lançamentos dessa editora. O catálogo deles está com gêneros bem variados e já li alguns livros super bons. E eles lançaram rápido os três volumes dessa trilogia. Parabéns pelas resenhas!!

Postagens mais visitadas deste blog

Setembro

Autor:   Rosamund Pilcher Tradução: Angela Nascimento Machado Editora:  Bertrand Brasil Número de páginas: 462 Ano de Lançamento: 1990 Avaliação do Prosa Mágica:   10                         É uma história extremamente envolvente e humana que traça a vida de uma dúzia de personagens. A trama se passa na Escócia, e acontece entre os meses de maio a setembro, tendo como pano de fundo uma festa de aniversário que acontecerá em grande estilo. Violet, que me parece ser a própria Rosamund, costura a relação entre as famílias que fazem parte deste romance. Com destreza e delicadeza, a autora   nos conta o cotidiano destas famílias, coisas comuns como comer, fazer compras, tricô, jardinagem. Problemas pessoais como a necessidade de um trabalho para complementar a   renda e outras preocupações do cotidiano que surpreendem pela beleza que são apresentadas. É um livro em camadas, que pode ser avaliado sobre vários aspectos que se complementam. Pandora, por exemplo, é o

Tudo vai passar

Diante desta desgraça geral, com tantas mortes no mundo e no Brasil, pode parecer estranho um blog falar de leitura, de romance, de ficção, de sonhos. Pode ter a certeza que não é. Do que é feita a vida, senão de sonhos tornados realidades? O que seria agora, dos milhões de italianos que estão em isolamento total em suas casas se não fosse o sonho, a esperança? - Tudo vai passar. Uma das maneiras mais ricas de se passar um momento como esse é a leitura.   O livro é a porta aberta para o mundo que não podemos caminhar; são os abraços que não podemos dar; são os familiares que não podemos encontrar; são pessoas diferentes com as quais podemos dialogar, mesmo que em um primeiro momento pareça que estamos exercendo um monologo. Você pode optar por dialogar com escritores mais contemporâneos, que nos apresentam uma linguagem atual. Talvez uma conversa regada a saquê com Murakami com “histórias bizarras que gravitam no limite do realismo fantástico” como explica Felipe Massahiro.

Prosa de Quarentena

Li muito este ano, muito mais que li no ano passado inteiro, mas venho sofrendo de inconstância literária, o que significa que muitas vezes leio 500 páginas em 2 dias e outras, levo dois meses para ler 100. Neste exato momento estou na segunda alternativa, o que significa que a leitura de O Silmarillion segue devagar. Confesso que deixei de lado a paranoia de me obrigar a ler um monte de livros por causa do blog. Leitura é puro prazer, é amor ao texto, é observar as entrelinhas, e se deliciar com as formas como o autor mistura e brinca com as palavras, e isso não pode ser feito em um ritmo frenético. Posto esta explicação necessária, seguimos com o tema de hoje. A pandemia provocada pelo coronavírus no mundo e no Brasil. Entrei de quarentena (Isolamento Social) no dia 23 de março, junto com a minha amada cidade São Paulo. Até o dia 14 de abril trabalhei como uma condenada na preparação de aulas para os meus alunos – fato que não reclamo, pois confesso ter gostado muito desta