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Mostrando postagens com o rótulo Convidado para Prosa

A Literatura Como Resistência

por Magda Oliveira A vida inspira muitas histórias, ou são elas que inspiram a vida? Trata-se de um dilema antigo que acabo de inventar. Os dilemas se cruzam na minha mente desde a primeira infância, em Curvelo-MG, onde nasci no início dos anos de chumbo da ditadura militar. Ser uma menina criativa naquela ambiência de medo e pânico era sufocante, mas não para mim, para os meus pais e professoras da alfabetização, pois a criatividade não se aprisiona. Em casa me deixavam à solta em muitos metros quadrados do quintal da casa dos meus avós; alguns anos mais tarde, na escola, as composições mais críticas eram lidas apenas pelos olhos das professoras, que riam com o canto da boca e eu as observava com o canto dos olhos.  “Dentro dessa menina tem duas”, dizia a minha avó materna quando me ouvia falando sozinha no meio das inúmeras cenas que eu plantava naquele terreiro, como eram chamados os quintais grandes do interior mineiro. Lembro-me de enfileirar paus e pedrinhas e iniciar o q...

Crise de realidade e o novo papel da ficção

por Pedro Ivo* Como escritor e artista autodidata, meu método de trabalho parte, principalmente, da observação. Registro na memória falas alheias, maneirismos, sons, fatos e pequenos causos do cotidiano. Minha matéria-prima é a realidade, aquilo que acontece de fato. Toda a minha ficção fala sobre o real, ainda que atravessado pelo fantástico. Mas o que acontece quando perdemos nossa capacidade de consenso? Quando já não conseguimos concordar nem sobre o que é a própria realidade? Entre o avanço das inteligências artificiais (capazes de mimetizar a vida com uma precisão cada vez mais inquietante) e o tsunami de notícias falsas que sequestra a percepção pública, parece que estamos abrindo mão da capacidade coletiva de reconhecer o que é verdadeiro. A realidade, antes entendida como um pacto social mínimo, fragmentou-se em milhões de feeds personalizados que raramente dialogam entre si. São pacotes de realidade customizada, moldados por algoritmos, interesses e emoções. Nesse c...

Terapia Literária

  por Fernando Adas A Literatura e a Psicologia compartilham uma curiosidade antiga: ambas querem saber o que fazemos com aquilo que nos acontece. A diferença é que a Psicologia escuta o sujeito em sua singularidade, enquanto a Literatura nos oferece personagens que, embora fictícios, carregam verdades profundamente humanas. Freud já buscava em escritores como William Shakespeare e Fiódor Dostoiévski elementos que ajudavam a compreender conflitos psíquicos. Não por acaso. Muitas vezes, a Literatura chega primeiro onde os conceitos ainda não alcançaram. Ela descreve o amor antes que ele seja teorizado, a perda antes que ela receba um diagnóstico, a angústia antes que encontre um nome. No mundo contemporâneo, marcado por mudanças rápidas e identidades cada vez menos previsíveis, a Literatura oferece algo precioso: a possibilidade de experimentar outras vidas sem abandonar a própria. Ao ler, ampliamos nosso repertório de existência. Descobrimos que nossos impasses não são exclus...

A importância da literatura na minha vida

por Cloris Peres Surgiu por ocasião da escolha da minha profissão, eu mal tinha terminado o ensino médio, já me perguntava – qual seria a profissão que eu abraçaria no futuro? Um dilema na vida de todo estudante, que se sente indeciso para escolher um bom curso de nível superior, e no futuro se tornar um profissional qualificado na sua área de atuação.   Me recordo de ter optado por comunicação social, porque sempre fui muito curiosa, e também porque era uma forma de me manter informada dos fatos ocorridos na minha cidade e no mundo, fosse ouvindo noticiário, ou lendo um jornal diário. Exerci a profissão de repórter durante anos, diga-se de passagem, eu amava o que fazia, sabia a diferença entre informar e opinar, aprendi a ouvir, a checar, a cortar o que não cabia no espaço da página, o jornalismo sempre foi meu ofício. Mais tarde, senti necessidade de me tornar uma profissional mais qualificada, enveredei na área da publicidade e propaganda. A criação e a divulgação das...

Convidados Prosa Mágica

Há tempos queria reiniciar uma série de publicações que contava com a colaboração de outros autores, jornalistas e pessoas comuns que estão conectadas com a literatura. Finalmente esse dia chegou. Inicio esta série com Ivan Hegen, que nos leva a refletir sobre a conexão entre a arte e as palavras. Algo que me encanta e que está presente na vida de muitos escritores. Espero que vocês gostem da série. Entre o cavalete e o pergaminho Ivan Hegen* Quando falamos mais de um idioma, percebemos com mais nitidez a arbitrariedade da relação entre significado e significante. Ao deslizar de uma língua para outra, constatamos a fragilidade com que tentamos, através das palavras, corresponder à realidade. A distância entre idiomas evidencia que não há jamais encaixe perfeito entre o referente e suas convenções linguísticas. Tal percepção pode ser ainda mais aguçada na mente de criadores que manejam duas expressões artísticas, ...

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